Consulta Pública determina Educação como prioridade para Curitiba em 2018

Por Maisa Barbosa e Leon Pureza*

Uma audiência pública realizada no fim de outubro reuniu representantes da Prefeitura de Curitiba na Câmara Municipal para definir o orçamento para o município no ano de 2018. A Lei Orçamentária Anual (LOA) deve ser votada e aprovada até o fim de cada ano que precede o planejamento. A participação popular é solicitada quando, na fase de consulta pública, sugestões da população são recolhidas. As sugestões servem de alicerce para emendas que os vereadores apresentarão antes de votar a LOA.

A fase de consulta pública foi realizada entre os dias 11 e 17 de outubro e a população pôde exercer a cidadania votando em urnas físicas localizadas nas regiões administrativas ou também pela Internet pelo site da câmara e também pela rede social “Twitter”. A consulta pública contou com 471 participações registradas e, segundo o relatório apresentado na audiência, a principal demanda da população é direcionada para a Educação, com 19% das solicitações, em segundo lugar em a segurança, com 18% das sugestões, e em terceiro melhorias nas ruas da cidade, com 16%.  Continuar lendo

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Ensino superior: Qual o nosso papel?

Breve reflexão sobre uma cultura no ensino superior

#OPINIÃO

Por Felipe Camargo*

Observo com a curiosidade de uma criança as conversas corriqueiras de alunos nos corredores sobre as posturas dos professores. Quem ensina mais, quem enrola mais, quem aplica a pior prova, quem é legal por não aplicar prova, quem é mais que quem. Apesar de possuir opiniões conflitantes com as dos demais colegas, por vezes faço essa reflexão: O que um professor universitário deve orientar em suas aulas?

Em minha graduação de licenciatura aprendi a entender parte da mente humana e como guiar uma sala de aula hipoteticamente, pois a realidade que encontrei na prática é tão contraditória aos ensinamentos que muito pouco usei dos discursos pedagógicos tradicionais na minha curta carreira de professor de História do ensino fundamental público brasileiro. Por ter uma mínima vivência no outro lado da moeda, consigo entender porque um professor não consegue desempenhar tudo aquilo que um dia ele imaginou, são diversos os obstáculos. Porém, a minha realidade da escola básica pode ser aplicada na universidade?  Penso que o ensino a jovens adultos difere muito daquele para adolescentes que aprendi em minhas aulas de pedagogia na PUC PR.

Na licenciatura, aprendi que o professor deve ser um agente de transformação social que deve interagir com o meio de forma com que todos em sua volta consigam ser orientados e educados a trilhar um caminho próspero e inspirador. Com base neste pensamento, seria então o papel do professor universitário reeducar o aluno que vem do ensino médio sem saber ao certo o que esperar da universidade? Creio que não. Então seria o oposto, o professor deve ensinar tudo o que consegue em pouco tempo para fazer o aluno entrar no ritmo ou desistir da universidade logo? Também não acredito nessa opção, apesar de considerar mais válida que a primeira apresentada.  Continuar lendo

O país pentacampeão não entende de futebol

#OPINIÃO

Por Douglas Rigamonte*

Quantas vezes você que gosta de futebol já ouviu frases como “não perca tempo com isso” ou “vá estudar que você ganha mais”? Dizeres equivocados sobre o esporte e a área de conhecimento são espalhados constantemente por pessoas que não compreendem a fundo o assunto. É inegável que uma parcela da sociedade conceitua o futebol como apenas um jogo praticado dentro das quatro linhas, mas o que o esporte pode representar para uma nação vai muito além dos gramados.

O fato é que, obviamente, o aspecto mais atrativo do tema é o jogo em si – estes 90 minutos resultantes de todos os processos que ocorrem por trás do evento. No entanto, estes momentos não acontecem por acaso. Existem instituições – e, claro, clubes – que trabalham processos de diversas áreas do conhecimento humano (em especial comunicação e pesquisa) para garantir a constante evolução do desporto. Exemplo disso, no Brasil, é o NUPEF (Núcleo de Pesquisas e Estudos em Futebol) focado exclusivamente na parte teórica do tema, que ainda, infelizmente, é pouco difundida no país. Além disso, após a democratização do futebol, este esporte passou a ser meio de transformação social, auxiliando na quebra de barreiras raciais e econômicas no mundo todo. Deste modo, para você, amigo ou amiga que gosta de um bom futebol: seu gosto não é fútil; ele é um vasto campo profissional que possui um mercado amplo de 1,6 bilhão de fãs no planeta. E, não, você não está perdendo tempo.

“Não passa de um bando de gente correndo atrás de uma bola”, essa é uma das frases mais comuns que representa a ignorância acerca do tema proferida por pessoas que criticam o futebol. Para elas, gostar do esporte mais popular do mundo é algo fútil, sem sentido. Essas pessoas acreditam serem até mais inteligentes por não fazerem parte dos que apreciam o tema, e se sustentam em argumentos distorcidos de alguns pensadores como “o futebol é o ópio do povo”. Em alguns casos isolados, o futebol pode até se tornar um ópio, mas, para todo um povo, isso comprova-se como absolutamente impossível, a não ser que os “intelectuais” acreditem que os meios de comunicação de massa possam realmente controlar as pessoas. A audiência é crítica e, portanto, incapaz de ser totalmente manipulada.  Continuar lendo

Respeito é uma via nem tão de mão dupla quanto deveria

#OPINIÃO

Por Henrique Ximenes e Maisa Barbosa*

A descoberta da roda mudou a humanidade. Foi assim que o homem superou seus limites de força e passou a avançar rumo às aglomerações humanas que formariam, anos depois, as grandes cidades. O transporte de carga ficou mais fácil e, em seguida, o transporte humano também. Até que no século XIX, enfim , duas rodas foram postas uma atrás da outra e, ligadas por uma barra, alinharam-se e deram origem à primeira bicicleta, que nascia já em meio a carruagens e ônibus a vapor.

A ciclomobilidade é velha conhecida humana, porém vem se tornando um assunto mais evidente na esfera pública contemporânea, pois muitas pessoas já escolhem este modal como alternativa mais econômica, saudável e ecológica de locomoção. Sabemos que número de ciclistas está crescendo no mundo. E, em Curitiba, cada vez mais, vê-se as ciclovias, canaletas, ruas e bicicletários repentinamente mais cheios dos adeptos às duas rodas não-motorizadas. Uma contagem realizada pela Prefeitura de Curitiba em março de 2017, num ponto nodal de ciclofaixa (na esquina da Rua Mariano Torres com a Sete de Setembro), mostrou que, em duas horas, um número 198% maior de ciclistas se fez presente, em comparação com os resultados de 2015. Porém, isso não significa que a infraestrutura tenha acompanhado esse crescimento. Continuar lendo

O peso da decisão: maturidade e a escolha da carreira profissional

#OPINIÃO

Por Alessandra Stahsefski, Giulia Gaio e Juliane Fürbringer*

Todos os universitários já passaram pela temida fase do vestibular. Foram horas de estudos, fim dos feriados e descansos, atenção aos calendários e prazos, ansiedade, indecisão, concorrência e outras preocupações que surgem especificamente nessa época. Alguns de nós passaram por isso apenas uma vez, enquanto outros passaram mais tempo estudando para os temidos vestibulares. Finalmente, chega o dia em que encontramos nosso nome no meio de tantos outros aprovados e a alegria toma conta do momento. Deixamos de ser vestibulandos e passamos a ser universitários e, logo de cara, já criamos novas expectativas. Muitos começam a se questionar se aquele é mesmo o curso que queriam e se a faculdade é como imaginavam. Em algum momento, todos nós nos surpreendemos, seja de forma positiva ou negativa, com o surgimento de mais dúvidas e incertezas. É um momento marcante e de extrema importância, mas será que vale a pena toda essa preocupação?

Cada vez mais cedo os estudantes sofrem com a pressão, imposta pela sociedade de forma geral, em relação às cobranças com a graduação e decisão de qual área seguir carreira. Os jovens e adolescentes passam por todo o ensino fundamental e médio com dúvidas e preocupações sobre o que fazer, o que acaba refletindo e influenciando em possíveis mudanças no comportamento e na rotina desse público. Problemas de ansiedade e depressão são as principais queixas dos alunos que passam tempo se dedicando para este momento. É claro que nem todos sofrem com o fato de se dedicar exclusivamente aos estudos antes de ingressar na faculdade, mas a grande maioria já passou por alguma situação de nervosismo ou preocupação. Segundo dados divulgados em fevereiro deste ano pela OMS (Organização Mundial da Saúde), o número de pessoas com transtornos de ansiedade teve um aumento de 14,9% em relação ao ano de 2005, totalizando em 264 milhões de pessoas ao final de 2015. Nesse percentual, há adolescentes, jovens e adultos, porém é um número importante quando se trata do quanto a ansiedade vem aumentando cada vez mais na sociedade, o que consequentemente afeta a vida acadêmica.

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O problema da fetichização da mulher asiática na cultura brasileira

#OPINIÃO

Por Jéssica Guimarães, Julia Duda e Sara Takatsuki*

De acordo com dados do Censo de 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), dois milhões de residentes no Brasil se autodeclararam de cor “amarela”, indo de um percentual de 0,45% da população nacional de 2000 para 1% em 2010. Esse salto no número de moradores asiáticos tem também ligação com os fluxos migratórios, mas não é só isso, há um crescimento considerável de pessoas que assumiram de fato suas origens. Com isso, o número de coletivos de debate e militância no país também aumentou e os problemas de discriminação, fetichização, privilégios, visibilidade e racismo sofrido por asiáticos vêm se tornando cada vez mais discutidos na sociedade.

É perceptível a luta dessa minoria social por uma voz representativa. Os coletivos organizados por esses descendentes evidenciam que não toleram mais esses preconceitos. Uma “brincadeira” racista não pode mais ser considerada normal, a objetificação do corpo feminino oriental não é mais admissível. Dentro desses vários propósitos na luta, o feminismo asiático vem ganhando força e é preciso perceber a realidade de hiperssexualização ainda existente da mulher asiática.

Você já deve ter ouvido frases como “Sempre quis namorar uma asiática” ou “As asiáticas são muito fofas”.  O que você, provavelmente, não sabia é que esse tipo de frase estimula a existência da fetichização das mulheres asiáticas.  Essas expressões, muito normatizadas na nossa sociedade, impõem um estereótipo hiperssexualizado somados de racismo e machismo. Existe uma ideia fixada de que as asiáticas são envergonhadas, fofas, tímidas e muito gentis: o estereótipo de submissão.  Continuar lendo

A luz está no Túnel?

#OPINIÃO

Por Ketlyn Nicole e Maria Beatriz Azzi*

Cinzento como o céu antecedendo uma tempestade. Quando, finalmente, o dilúvio vier talvez seja tarde demais e a única coisa que irá nos iluminar serão os raios. Uma grande nuvem conservadora paira sobre a nação. Vertentes políticas, econômicas e ideológicas são amplas, válidas e necessárias para a democracia. Mas e se a ideologia sobrepor à lei? E se sua ideologia puder acabar com a vida de alguém enquanto não altera nada na sua? Qual seu direito de apagar a luz que lutamos para manter acesa e aumentar sua fluorescência há séculos? Em um curto intervalo de dias, dois acontecimentos chegaram à imprensa. Um deles é a decisão do Masp de voltar atrás da autocensura imposta à sua exposição “Histórias da Sexualidade”, permitindo novamente o acesso de menores de dezoito anos, desde que acompanhados pelos responsáveis – isso após uma nota oficial do Ministério Público criticando a censura. O outro é o texto da PEC 181 aprovado por uma comissão especial da Câmara de Deputados, que pode barrar a descriminalização do aborto no Brasil em todos as situações. Os dois casos são opostos, porém se encontram no mesmo trilho.

O Masp impôs classificação indicativa à sua exposição após sofrer fortes críticas nas redes sociais online. Muitas pessoas repudiaram a exposição que contava com um artista nu, que poderia ser manipulado pela plateia. Plateia esta que contava com crianças, acompanhadas pelos pais. O boicote foi apoiado por diversos políticos, que, claramente, aproveitaram a situação para se autopromover. Promoverem sua ideologia, que censura com base em suas crenças, acima da lei e da Constituição. Diferentemente da censura, que é exata, a arte não é binária, é vasta, chocante e provoca o diálogo. A arte não tem pretensão de ser perfeita e agradável, não obstante muitas vezes bela, pode ser repugnante e, às vezes, quer ser. Contudo, a censura é a cegueira da alma.
Como resposta à restrição de idade imposta pelo museu, a nota técnica emitida pelo Ministério Público Federal correlaciona artigos do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), do código penal e da Constituição Brasileira com a arte, para explicar pedagogicamente como toda a exposição do Masp era legal. Curiosamente, o Ministério Público utilizou a capa do CD do Nirvana – Nevermind – que possui um bebê nu, para explicar que nem toda obra com nudez apresenta caráter lascivo. Continuar lendo

Vivemos a um passo do futuro

#OPINIÃO

Por Rhuan Iasino*

As pessoas têm vivido em um mundo mais virtual do que real, e não existe problema algum nisso. O ser humano vive em uma ascensão tecnológica sem fim. Isto é, ano a ano, milhões de dólares são investidos em pesquisas no setor de tecnologia, como na indústria robótica e no segmento da inteligência artificial. Devido a isso, o intervalo de tempo entre os saltos tecnológicos é cada vez menor.

Logo, os produtos também estão em constante atualização, e sempre sendo substituídos por novidades. São exemplos os smartphones, impressoras 3D, ou então até os óculos de realidade aumentada. A humanidade tem caminhado para uma nova era e, nela, os antigos filmes de ficção científica serão a nossa futura realidade.

Entretanto, essa constante evolução tecnológica não é bem aceita por toda a sociedade. Uma parcela da população ainda é contra esse intenso desenvolvimento tecnológico, afirmando que não faz bem ao ser humano. Mas isso não é ruim. Um bom exemplo é a globalização e a instantaneidade de informações, que são efeitos de um universo composto por códigos e algoritmos, conhecidos também como mundo online. Este, além de um armazenador de informações, pode e deve ser visto como um facilitador da vida humana.  Continuar lendo

Inscrições para a 35ª edição da Oficina de Música de Curitiba acontecem até o dia 10

Por Alessandra Rosa Stahsefski, Giulia Gaio e Juliane Fürbringer*

Nesta segunda-feira (13), foi realizada a reunião para a confirmação oficial da 35ª edição da Oficina de Música de Curitiba, evento tradicional na cidade, com repercussão nacional. As inscrições online estão abertas até o dia 10 de dezembro. O evento será realizado entre 27 de janeiro e 8 de fevereiro de 2018, tendo como sede principal a PUC (Pontifícia Universidade Católica do Paraná).

A realização da Oficina é um evento promovido pela prefeitura com o apoio do ICAC (Instituto Curitiba de Arte e Cultura) e da Fundação Cultural de Curitiba. Além disso, esta edição contará com a parceria da Caixa, da Itaipu Binacional e da UNESPAR (Universidade Estadual do Paraná), que ficará responsável por emitir os certificados de extensão para os participantes das oficinas.

A Oficina é um dos principais eventos de formação cultural no país justamente por ter sido pioneira nesse ramo, afirmou Marino Galvão Jr., diretor-executivo do ICAC. Além disso, o diretor relatou o reconhecimento cultural que o evento gera na cidade justamente por se manter há mais de 30 anos. As oficinas serão direcionadas, principalmente, aos estudantes de música e oferece grande oportunidades de conhecimento nessa área, além do contato com professores reconhecidos nesse ramo. A próxima edição terá algumas novidades como cursos simultâneos entre música erudita e popular brasileira, projetados para proporcionar uma sinergia maior entre os alunos e músicos de ambos os estilos musicais. A programação conta com nomes nacionais e internacionais da música.  Continuar lendo

Projeto incentiva o contato de alunos da rede municipal com cientistas

Reportagem: Kauhany Oliveira
Pauta: Thaiane Lago
Edição: Rafaela Teixeira

A Prefeitura de Curitiba lançou, em setembro deste ano, o Projeto “Cientistas na Escola”, que visa melhorar a divulgação do trabalho dos cientistas nos ambientes educacionais, estimulando estudantes das redes municipais ao estudo, à experimentação e à descoberta científica. De acordo com a Secretária Municipal da Educação, Maria Sílvia Bacila, em entrevista ao site da Prefeitura de Curitiba, as pessoas precisam saber o que os cientistas estão fazendo e quais são as grandes descobertas que estão sendo feitas. “Isso significa que é fundamental aproximar a sociedade, e também a escola, do conhecimento produzido nos laboratórios e centros de pesquisa, criando assim, uma cultura da ciência”, explicou ela.

Para Olga Meiri Chaim, professora da UFPR (Universidade Federal do Paraná), formada em farmácia bioquímica, mestre e doutora em Biologia Celular Molecular, além de fazer parte do dia-a-dia de todas as pessoas, o estudo das ciências também desenvolve o pensamento científico pelo método baseado em evidências. “É muito importante na formação de cidadãos pensantes e capazes de se informar continuamente de maneira crítica”, afirma a cientista.

Por esta razão, e por notar a falta de divulgação científica para incentivar o interesse das crianças pela área, ela aceitou participar do projeto quando foi convidada. “Eu fiquei bem impressionada com as atividades dadas pelas professoras do ensino fundamental (3º e 4º anos), pois mesmo em situações precárias, elas são, sem dúvida, muito empenhadas em desenvolver atividades que despertem o interesse científico”, relata Chaim.  Continuar lendo