O Brasil não está preparado para a extinção do sinal analógico

#OPINIÃO

Por Kaíssa Frade e Amanda Araújo*

O Brasil não está preparado para a extinção do sinal analógico nem para a extinção de televisores de tubo. Para implantação do novo sistema de TV, toda a população teria que comprar um aparelho de conversão digital e uma antena compatível, ou abrir mão de seus televisores. A população não tem condições de arcar com essa decisão tomada pelas emissoras.

O sinal digital foi disponibilizado no Brasil em 2006 e, a partir disso, os canais de televisão começaram sua transição do analógico. Depois desses 10 anos, a eliminação definitiva do sinal analógico começou em 15 de fevereiro de 2016 e tem previsão de finalização até 05 de dezembro de 2018 A operacionalização está sendo realizada pela “Seja Digital”, uma organização sem fins lucrativos criada por determinação da Anatel para esse objetivo.

A regra nacional para permitirem tirar o sinal analógico é de que, apenas 93% dos televisores tenham acesso ao sinal digital. Ou seja, quase 10% da população poderia ficar sem sinal de TV, se a maioria tivesse acesso ao sinal. Considerando que esses quase 10% dos brasileiros representam 700.000 famílias, com média de 4 pessoas por casa, quase 3 milhões de pessoas podem ficar sem TV quando o sistema for desligado em todo o Brasil.  Continuar lendo

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A incoerência do ensino

#OPINIÃO

Por Nathaly Iara*

Desde que o ensino foi trazido para o Brasil é incontestável a dessemelhança com que ele é aplicado em comparação com os demais países. Querendo ou não, a visão eurocêntrica sempre esteve presente e influente em todo o território. A princípio, quando os jesuítas fundaram bases de ensino na Colônia, eles visavam difundir apenas conhecimentos dogmáticos e exclusivistas que descartavam as culturas aqui vigentes (negra e indígena). A fim de converter e homogeneizar os nativos, os padres disseminaram a fé católica em todo o território, fazendo com que os costumes e fé populares fossem rebaixados e reprimidos; como consequência a isso, observou-se um momento de marasmo na educação. Tempo depois, com a expulsão dos padres jesuítas do Brasil, a reforma pombalina promoveu a definição do ensino público oficial, esse que permitiu que houvesse uma formação mais moderna e não-dogmática.

Em meio a isso, a herança jesuítica de uma visão hostil a respeito dos trabalhos manuais só serviu para fomentar que o ensino de ofícios era apenas para as pessoas escravizadas, indígenas e pobres (feito de modo informal), enquanto para as camadas mais altas da sociedade, havia a possibilidade de estudo. Uma grande questão para se ressaltar, é o fato de que, como o ensino desde que surgiu foi voltado unicamente para os homens, as mulheres, consideradas dependentes e inferiores, acabaram sendo totalmente excluídas do acesso à educação. Tal situação foi se modificar somente no final do século XVIII, quando D. Azeredo Coutinho, a partir de uma forte influência iluminista, fundou um “internato” que, mesmo voltado para o ensino de conhecimentos considerados necessários para que as moças se tornassem boas esposas, possibilitou que muitas meninas pudessem ser alfabetizadas.  Continuar lendo

Otimismo: a arte de ver o copo quase cheio

#OPINIÃO

Por Caruline Rocha*

Ser otimista é disposição para ver as coisas pelo lado bom e esperar sempre uma solução favorável, mesmo nas situações mais difíceis. É certo que no cenário atual, que se fala tanto em crise, desemprego, escândalos de corrupção, ser otimista não é uma tarefa muito fácil, é preciso fazer um exercício diário e isso vai muito além de ser ter pensamentos positivos, é saber reagir diante das situações desfavoráveis, é acreditar que, apesar do dia mal, é sempre possível aprender algo novo e se levantar mais uma vez.

A maioria das pessoas está acostumada a reclamar de tudo. Reclamam do emprego, da família, da falta de dinheiro, do governo, e muitas vezes terceirizam a sua insatisfação, colocando a culpa em alguém. Isso pode ser denominado Locus de controle externo.

O psicólogo norte americano Julian B. Rotter em 1966 em seu artigo “Psychological Monographs”, introduziu o conceito de Locus de controle, trata da expectativa do indivíduo sobre a medida em que os seus esforços se encontram sob controle interno (esforço pessoal, competência, etc.), ou externo (as outras pessoas, sorte, chance, etc.).  Continuar lendo

O emprego da “Sustentabilidade” é também pela filantropia hoje

#OPINIÃO

Por Luciano Emilio Rizzi*

“Atualmente” todas as ações sejam elas sociais, financeiras ou políticas, procuram o termo “sustentabilidade” como um agregado de valor. Parece que isso é um resultado obtido no final do século XX e início do século XXI, momento em que se abordaram temas relativos à preservação do meio ambiente e a sua sustentabilidade para as gerações futuras.

A agenda 21, plano de ação internacional para ser adotado de forma global, nacional e local, é uma tentativa de um novo padrão de desenvolvimento, que tem como base a convergência entre a sustentabilidade ambiental, social e econômica. Sua criação culminou com a “Rio 92”, Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento.

Desde então, o termo desenvolvimento sustentável passou a ser um instrumento estratégico de planejamento em todas as áreas. Hoje a expressão sustentável classifica ações e projetos que produzem valores agregados, que permanecem e se estendem a geração de benefícios além dos fins imediatos desejados.  Continuar lendo

Alimentação não é mercadoria

#OPINIÃO

Por Henrique Ximenes e Maísa Barbosa*

Talvez seja mais incomum hoje ligar a TV do que, depois de ligada,  deparar-se com programação sobre saúde e bem-estar. Inúmeras são as dicas de exercícios a serem embutidos na rotina, cuidados para prevenir câncer, a importância de fazer algo que gosta e sempre: bons hábitos alimentares. É… Chegamos ao ponto em que precisamos ser lembrados de como nosso corpo deve ser bem tratado por nós mesmos ao selecionarmos o que iremos mastigar e engolir. A rotina exaustiva, que grande parte das pessoas leva, não deixa espaço para refeições feitas com qualidade. Come-se qualquer coisa no menor intervalo que permita que vamos embora do trabalho mais cedo.

É necessário pensar em como nos é apresentado este tema desde pequenos. Numa era de pais sem tempo, que deixam a educação dos filhos para as escolas, quem deveria ensiná-los a se alimentar bem? Talvez sejam as professoras quem pode salvar as crianças das bolachas recheadas. Aulas de culinária e aproveitamento dos alimentos são, dificilmente, encontradas na grade curricular do sistema de ensino brasileiro, para o MEC (Ministério da Educação e Cultura), parece importar mais que um futuro jovem saiba a fórmula de Bhaskara do que saiba práticas da vida adulta e como tornar a vida mais saudável. Segundo o grupo SEB (Sistema de Ensino Brasileiro), a prática deste tipo de ensino, além de ser uma maneira de ensinar diversas disciplinas ao mesmo tempo, pode auxiliar o aluno no aprendizado de conhecimentos diversos como: o desenvolvimento da coordenação motora, concentração e paciência, bem como, estimular hábitos saudáveis em casa e fornecer informações sobre as propriedades dos alimentos.  Continuar lendo

As laranjas que nos conduziram aos egoístas

#OPINIÃO

por Ketlyn Nicole e Maria Beatriz Azzi

Durante o intervalo de aulas, cinco amigas conversavam sobre os acontecimentos do fim de semana anterior, quando Ana, a mais velha, contou algo que levou o grupo a uma reflexão sobre o egoísmo social:

“Outro dia, eu esperava um ônibus quando uma mulher branca com seus 40 anos se aproximou. Ela carregava muitas sacolas e uma delas arrebentou e várias laranjas rolaram pelo chão. Seria comum para mim abaixar e ajudar a moça a juntar as laranjas. Entretanto, nesse dia, como estávamos em meio a muitas pessoas, resolvi fazer uma experiência social: por cerca de um minuto eu não fiz nada! Continuei parada no ponto de ônibus ignorando a situação e, para minha surpresa, ninguém se propôs a ajuda-la. Mesmo que as laranjas estivessem em volta de seus pés, ninguém se abaixou e pegou uma se quer. Após os meus 60 segundos de desacreditamento, abaixei-me e, por fim, ajudei a moça.”

Após escutarmos a história ficamos pensando o quão egoísta as pessoas são. Não estamos generalizando, mas todas as pessoas com quem temos contato superficial em ruas, lojas, restaurantes, parecem ignorar completamente outro ser humano que está próximo, mesmo que ele precise de ajuda. Isso diz muito sobre a sociedade que estamos construindo, onde fala-se cada vez mais em defender as minorias e promover a inclusão, mas não existe mais empatia e amor pelo próximo simplesmente por ele ser seu semelhante. A inclusão só se aplica a grupos com alguma vulnerabilidade e, para nós, esse é um valor que foi distorcido e está cada vez mais evidente.

Não estamos desmerecendo as minorias, pelo contrário. Existem as pessoas que fazem parte desses grupos – e que lutam por eles – e as pessoas que se abstêm de tomar parte. E é esse último  que nos preocupa, pois quando uma pessoa junta as laranjas que caíram da sacola de um cadeirante, mas não a de uma mulher “comum”, a sensação de “obrigação” é evidente. É quando as pessoas não se ajudam por ter um bom caráter, uma boa educação, mas sim porque é uma obrigação perante a sociedade.

Parece que estamos acostumados a fazer só o que nos é imposto e perdemos o significado de conviver em sociedade. Uma prova disso é o crescimento absurdo do uso das redes sociais online. O Facebook consome 83% do tempo gasto na internet dos brasileiros. É um número chocante considerando que a rede social é apenas uma plataforma ou oportunidade de interação social. Nota-se que as pessoas preferem se esconder atrás da sensação de anonimato que a Internet oferece e, só então, interagir com o mundo. Quando foi que passamos a ser tão covardes e individualistas? Nós não culpamos a Internet, pois como qualquer outra ferramenta ela está a sua disposição para ser usada da forma que você escolher. É comportamento individual. Continuar lendo

Ser saudável não significa sentir culpa, nem fome

#OPINIÃO

Por Thaiane Lago*

O relacionamento do ser humano com a comida vai além de contas referente à composição alimentar e ingestão de nutrientes. Está associado ao preparo, fatores religiosos, preferências, interações sociais e à sua cultura. A intensa propagação em redes sociais, revistas e entrevistas sobre dietas minimalistas e restritivas por indivíduos que se dizem especialistas no assunto pela vivência e não por estudos, juntamente com a relação destas com corpos atléticos designados perfeitos, resultou na busca de receitas e modus operandi para alcançar a esse modelo de difícil alcance.

A restrição alimentar proposital (dieta, popularmente falando) não é de fato um assunto contemporâneo. Pode-se encontrar escritos sobre a privação de alguns alimentos em meados dos séculos XVII e XVIII, porém associados à diminuição de ingestão para combate ao esgotamento em tempos de escassez e em rituais religiosos como forma de estabelecer a disciplina, controlando os impulsos do corpo. Apenas na segunda metade do século XX, a dieta começa a ser utilizada para a perda de peso.   Continuar lendo

A era da desinformação com o aumento da informação

#OPINIÃO

Por Douglas Rigamonte*

Na era da informação, é possível encontrar muita desinformação. Os meios de comunicação de massa recebem cada vez mais espaço com crescimento do uso da internet, mas a que ponto as pessoas estão recebendo e assimilando os dados de maneira correta? Em uma perspectiva da comunicação de caráter informativo, os avanços tecnológicos proporcionaram quebras de barreiras e melhorias significativas para a humanidade. No entanto, ao mesmo tempo, é nítido o aumento de desinformação em todas as parcelas da sociedade. Ironicamente, a involução causada pela evolução está tomando rumos preocupantes, caracterizando-se como um mal a ser combatido com urgência. As chamadas fake news no meio digital já são realidade no planeta, e você pode estar contribuindo para isso.

Em um primeiro momento, é necessário se atentar que as notícias falsas ou parcialmente falsas não são divulgadas apenas por fontes ilegítimas. Grandes veículos de comunicação já disseminaram informações descontextualizadas, que ludibriaram uma quantidade significativa de pessoas – até mesmo as mais instruídas.  Exemplo disso, no Brasil, é a Marcha de Independência da Polônia, noticiada pelo jornalista Guga Chacra como manifestação nazista por conta de símbolos anticomunistas encontrados. A repercussão alcançou tanto destaque na internet que precisou ser desmentida, em nota oficial, pelo Ministério de Relações Exteriores (MRE) da Polônia, bem como pela cônsul polonesa Katarzyna Braiter. Neste contexto, há um grande desafio a se enfrentar, visto que parte das fake news são propagadas com embasamentos reais e acontecimentos existentes. De fato, segundo o MRE polonês, existiam sim símbolos anticomunistas no evento que reuniu mais de 60 mil pessoas, ao mesmo tempo que também haviam símbolos antinazistas e combatentes da segunda guerra mundial que lutaram contra os próprios nazistas. A apologia aos dois regimes é proibida na Polônia.

O conceito de pós-verdade trazido com as notícias falsas ou parcialmente falsas é pertinente. A principal palavra de 2016 para a Universidade Oxford – um substantivo “que se relaciona ou denota circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em mudar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais” nunca foi tão condizente com a realidade. Analisando a situação sobre a Marcha de Independência da Polônia, é possível relacionar a grande problemática das falsas notícias com a pós-verdade aplicada à polarização ideológica. O poder pertencente aos grandes meios de comunicação é indiscutível e o mundo se encaminha cada vez mais rumo à desonestidade.  Continuar lendo

Empatia ou Compaixão?

#OPINIÃO

Por Kauhany Souza*

Notei uma coisa muito interessante quando chegou o mês de setembro e toda sua campanha de combate ao suicídio. Pessoas, empresas, associações, entre outros, vestiram com todo o amor do mundo a cor amarela, símbolo da campanha em questão. Vale lembrar que a intenção do amarelo enquanto cor quente é contrapor o suicídio, já que está intimamente ligado a representações que simbolizam a vida.

Não me leve a mal, gostei da campanha e acho que quanto mais conversarmos a respeito, mais o assunto deixará de ser um tabu rodeado por senso comum. Mas, como alguém que convive de perto com uma pessoa que possui uma das centenas de doenças descritas na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, de CID 10 – F32.1, é incômodo ver a superficialidade com que as pessoas, especialmente nas redes  sociais, abordam o problema.

Reza a lenda que a definição da palavra empatia é “a capacidade de se colocar no lugar do outro”. Mas de que forma nos colocamos no lugar do outro? Com o olhar dele próprio ou com o nosso olhar? Explico: imagine que sua melhor amiga estivesse namorando um cara bem babaca. Quando ele termina com ela, ela não entende, chora, tenta reatar de todo modo, mesmo tendo sido maltratada durante todo o relacionamento. O que você faz? A escuta ou já começa falando “ah, se fosse eu…”, ou “eu acho…”, “uma vez eu passei por algo parecido…”? Bem provável que da segunda opção em diante, certo? Sinto lhe dizer, mas isso não é empatia. Isso é projetar empatia. Ao invés de ouvir a experiência do outro, você projeta suas experiências nele, o impedindo de desabafar o problema. Lógico que não é maldade, mas  explica o fato de muitas pessoas precisarem de psicólogos: não são ouvidas.  Continuar lendo

Terceirizar não é o caminho

#OPINIÃO

Por Rafaela Teixeira*

No Brasil, em 31 de março deste ano, foi sancionada a Lei de terceirização 13.429/2017, que autoriza a contratação de empresas para prestar serviços não só da atividade-meio – aquelas que não são principais da empresa – mas também da atividade-fim, que são a razão da existência da mesma. Com isso, podemos esperar uma precarização no mercado de trabalho, com menores salários, jornadas excessivas, funcionários sem reconhecimento, exploração de trabalho análogo ao escravo, calote de salários e riscos ocupacionais.

Isso tudo porque as empresas buscam essa forma de contratação para reduzir gastos, encargos trabalhistas e sociais, contratando empresas despreparadas com cotações mais em conta, não se importando com o local de trabalho, a forma que ele será desenvolvido, o salário pago ou os benefícios dados a estes funcionários, visto que eles não serão responsabilidade da empresa cliente.

De acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) em nota técnica 172 de março de 2017, os serviços terceirizados têm uma rotatividade maior de profissionais. Em 2014, por exemplo, o tempo médio dos contratos terceirizados eram de 34,1 meses (dois anos e 10 meses), e dos contratos diretos eram de 70,3 meses (cinco anos e 10 meses). Ou seja, o contrato do terceirizado dura em média, praticamente, a metade do colaborador direto. E há ainda a constatação de que o valor pago em caso de terceirização tende a ser de 23% a 27% menor do que é pago a um funcionário direto. Esses dados contribuem para a precarização das relações trabalhistas no país, pois há uma grande disparidade.  Continuar lendo