Incoerência, o mal da sociedade

#OPINIÃO

Por Joyce Franco

Diariamente, deparamo-nos com incoerências na sociedade em que vivemos. Em diversos setores sociais, em uma época de globalização e visibilidades de discursos proporcionados pela evolução da internet e das redes sociais, cada opinião dada gera repercussão e influência inúmeras pessoas.

No âmbito político, esse comportamento é visível há muito tempo. No que se refere a intervir nos direitos individuais da população em detrimento de uma religião, principalmente, quando se trata da bancada evangélica do congresso e senado. Representada por políticos de todo o país, comprometidos individualmente com seus partidos e acima disso com o estado que constitucionalmente é um órgão laico, frequentemente, eles quebram estes acordos em nome da sua crença ou instituição religiosa.  Continuar lendo

Greve dos servidores públicos municipais volta nesta segunda-feira (26)

A concentração dos grevistas ocorrerá no Parque São Lourenço, enquanto os vereadores devem votar as propostas de Greca na Ópera de Arame

Por Danilo Siqueira

A greve dos servidores públicos municipais de Curitiba deve retornar nesta segunda-feira (26). Nesse dia, também retornam as atividades de plenário da Câmara Municipal de Curitiba, como a votação das propostas do prefeito Rafael Greca, as quais os servidores são contra. A greve teve início no dia 12 de junho e sua primeira suspensão ocorreu no dia 14. O retorno aconteceu na última segunda-feira (19) e se estendeu até o dia 20.

Na última terça-feira, os funcionários públicos municipais de Curitiba se reuniram na praça Eufrásio Correia, ao lado da câmara municipal, para protestar contra os quatro projetos – parte do pacote de medidas do prefeito de Curitiba –  que seriam votados no próprio dia. Após o tumulto entre os servidores e a PM a sessão da câmara foi adiada para a próxima segunda-feira dia 26. O presidente do Legislativo, Serginho do Posto (PSDB), comunicou em coletiva de imprensa que todas as atividades na Câmara Municipal estão suspensas até segunda-feira (26) quando retornam a votação das medidas. 

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Medicação preventiva à AIDS é incorporada no SUS

Por Leticia Cordeiro

O Ministério da Saúde anunciou, no mês passado, a incorporação de mais uma forma de prevenção contra o HIV (vírus da AIDS, imunodeficiência humana) no Sistema Único de Saúde (SUS), a Profilaxia Pré-exposição (PrEP). Este tratamento utiliza um medicamento – o Truvada – para evitar que uma pessoa que não tenha o HIV adquira a infecção quando se expor ao vírus.  A previsão é que a medicação, que combina dois antirretrovirais (Tenofovir e Emtricitabina) em um único comprimido, começará a ser distribuída ainda esse ano, de forma gratuita, porém com critérios de obtenção e utilização.

O medicamento que já é utilizado em outros países, como Estados Unidos, é indicado a pessoas que tenham maior risco de exposição ao HIV. Essa indicação fundamenta os critérios de obtenção gratuita nos postos de saúde no Brasil. Terão acesso ao tratamento pessoas que fazem parte das populações-chave no combate do avanço da AIDS como casais sorodiferentes (em que apenas uma pessoa do casal possui o vírus), homens que fazem sexo com outros homens (HSHs), profissionais do sexo e transgêneros.

A iniciativa, segundo Bernardo Montesanti Machado de Almeida, consultor local do projeto em Curitiba, soma-se a outras estratégias de prevenção e pode diminuir de forma substancial o risco de adquirir o vírus. Contudo, a eficácia está diretamente relacionada à adesão, portanto, deve-se tomar um comprimido por dia, além de um acompanhamento médico trimestral. Nas consultas médicas no SUS, serão solicitados exames a fim de acompanhar resultados, possíveis efeitos colaterais e adesão.  Continuar lendo

Biblioteca Pública do Paraná organiza noite de diversão para crianças

Por Pamella Victória

A Biblioteca Pública do Paraná (BPP) organiza, pelo décimo ano consecutivo, um programa de incentivo à cultura para as crianças de 7 a 10 anos. O Uma Noite na Biblioteca surge após uma necessidade encontrada pelos organizadores, de tirar da cabeça das crianças que a biblioteca é um lugar chato e destinado a castigos. O evento ocorrerá nos dias 22 e 23 de julho na própria biblioteca.

Esse projeto surgiu com o intuito de fomentar não só a aproximação das novas gerações a Biblioteca e consequentemente aos livros, como também acesso a cultura e informação de uma fonte tão tradicional e importante quanto a BPP, aliado a isso ainda uma diversão cultural durante as férias. 

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A verdadeira beleza

#OPINIÃO

A representação de modelos de pessoas reais tem ganhado espaço na propaganda, mas os desafios ainda existem

Por Bianca J. R. Costanski e Bruna V. Figueiredo

No fim de abril deste ano, a marca de cervejas Skol lançou uma campanha de grande repercussão, sobretudo, nas redes sociais. A propaganda era para uma edição especial de latas que representavam diversos tons de pele da população brasileira, a Skolors. Nela, várias pessoas de tons de pele diversos – albinos, brancos, negros e com vitiligo -, diferentes tipos físicos e idades, interagiam de maneira harmoniosa e alegre. O vídeo encerrou a campanha de verão da marca que tinha como lema “Viva a diferença”. A Skol está passando por uma mudança de imagem da marca. Socialmente questionada por seus valores antigos, a marca tem deixando para trás as velhas campanhas de objetificação da mulher e vem buscando valorizar o respeito e a pluralidade. Para seu reposicionamento, a empresa já realizou ações como a distribuição do “Apito do respeito no carnaval” e a reformulação de pôsteres antigos que objetificavam o corpo feminino.

Na mesma linha, a Avon, marca de cosméticos e produtos de beleza, está reposicionando sua marca. Com o empoderamento feminino tomando conta dos canais de comunicação, a marca quer promover esse conceito para os seus produtos e está propondo o poder da escolha: o de poder escolher uma blusa, um sapato, um batom, um blush, o poder de escolher seu gênero, a quem amar, a se amar pelo o que você é e se aceitar. A empresa, em sua campanha “Cara e Coragem”, lançada também no final de abril deste ano, trouxe as diferentes mulheres que formam o Brasil: negras, brancas, magras, gordas, cis e transsexual. Tornando-se, inclusive, a primeira marca de cosméticos a exibir em TV aberta uma campanha publicitária com uma transsexual no elenco, a cantora Candy Mel.  Continuar lendo

O protagonismo do feminismo: branco, classe média e elitista

#OPINIÃO

Por Camila Mancio

“Yo solo pido un espacio pa’respirar”,  Jelena Dordevic

O feminismo é um movimento político e social que prevê a equanimidade de gêneros. Isto é, que os indivíduos tanto do sexo masculino quanto do feminino possam ter as mesmas oportunidades. No entanto, há várias divisões dentro do movimento que são marginalizadas e excluídas, sem que se leve em conta as demandas individuais de cada grupo. O protagonismo do feminismo, por exemplo, coloca em debate a liberdade do corpo e uso da maquiagem como questões prioritárias, mas essas não são pautas que atingem todas as mulheres, principalmente as de menor poder aquisitivo.

Em lugares que ainda perpetuam a exclusão social, como nas universidades brasileiras, rodas de conversas e palestras são frequentemente levantadas – internamente. No entanto, será que essas estudantes são realmente as que mais precisam desse debate? E as mulheres na periferia? As que não podem estudar porque têm um filho para criar? As que moram em zona de risco? As que trabalham 12 horas em pé dentro da sua universidade – isso mesmo, essa que você estuda – limpando os escritos sobre amor próprio que você deixou no banheiro, de batom ou de sangue, para empoderar outras mulheres? Esse feminismo não me representa.  Continuar lendo

Ciclo de estudos na UFPR aborda protagonismo negro

Evento é espaço de formação e exposição de conhecimento com foco em protagonistas negros na área de tecnologia

Por César Cruz

Em junho, foi dado início ao segundo módulo do 1º Ciclo de Estudos Negros da Universidade Federal do Paraná (UFPR). No dia 03, foi abordado o tema “Tecnologia e Relações Raciais”, com a participação do professor Carlos Eduardo Dias Machado, mestre em História pela Universidade de São Paulo (USP). O palestrante, que também trabalha na rede pública municipal, falou sobre “Ciência, Tecnologia e Inovação Africana e Afrodescendente”. Organizado pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB) da UFPR, e pelos coletivos Frente Negra e  Alguém Te Perguntou? (ATP), o ciclo debateu sobre “Tecnologia e Trabalho” no último dia 17 e abordará “População Negra e Mercado de Trabalho” no dia 01 de julho, sábado, às 8h, no Auditório de Administração do Centro Politécnico da UFPR.

Em sua fala, o professor Carlos Machado mostrou resultados de um estudo aprofundado, que virou livro, sobre as genialidades da humanidade. A obra destaca criações e invenções feita por pessoas negras que buscaram representatividade na sociedade. O professor ainda destacou os estudos sobre essa representatividade negra na tecnologia, bem como nas demais ciências. Segundo ele, “a ciência africana foi oculta há mais de 500 anos na ideia de hierarquia na construção de raça, em que o homem branco e heterossexual está no topo e quem é mulher, ou de outra etnia, está abaixo”.  Nesta perspectiva, somente o branco produz tecnologia e inovação, outras populações não produzem nada.

Professor Carlos Machado UFPR

Prof. Carlos Machado, convidado para ministrar primeira palestra do ciclo em julho (Foto: Divulgação)

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Avaliação docente pelo discente encerra-se nesta sexta

Por Joyce Franco

Nesta sexta-feira (23), encerra-se o processo de avaliação do docente pelo discente, referente ao primeiro semestre letivo, na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). A avaliação é um instrumento importante para o acompanhamento e a melhoria no ensino oferecido pela instituição e possibilita a participação, bem como o compromisso  dos alunos, no processo.

O campus Curitiba conta com quase 55 mil estudantes e obteve a participação de mais de 17 mil, cerca de 30% dos alunos neste semestre, até o momento. Segundo o Everilton José Cit (53), professor do departamento de Desenho Industrial (Dadin), “este processo é a forma mais direta que o aluno tem de avaliar o professor e o curso, pois esses resultados são acompanhados pelos chefes de departamento e também tem peso na avaliação da universidade”.  Continuar lendo

A minha família existe. A sua também.

#OPINIÃO

Por Letícia Cordeiro

A ideia do que é uma família, embora tenha um significado de senso comum, é volátil e mutável, o que permite acompanhar o tempo, a evolução das ideias sociais, os costumes. Antigamente, o modelo familiar predominante e aceito, era o patriarcal, aquele com um homem no centro, sendo chefe de família e responsável por todas as decisões da casa. Que também era patrimonial e imperialista, em que a principal importância estava em unir os patrimônios (por muitas vezes terras ou empresas) e aumentar o poder.  Neste caso, por muitas vezes, o afeto entre as duas pessoas era irrelevante. O divórcio, por exemplo, era inconcebível, já que ele representava uma quebra no poder (econômico) concretizado no casamento e pouco importava a relação pessoal entre o casal.

Atualmente, tal ideia de família é inconcebível. E só é inconcebível pelo fato da sociedade estar em uma eterna luta, na qual algumas conquistas que se encontram na Constituição Federal de 1988, como igualdade entre os indivíduos e valorização da dignidade da pessoa humana (o que ainda se porta de maneira arcaica). A família já não é (em grande parte da sociedade) vista como uma instituição, e, sim, um instrumento de desenvolvimento social de cada indivíduo. Hoje, as pessoas se unem por haver um sentimento entre elas e isso é o bastante para que exista uma família. Continuar lendo

A polarização política fermentada nas redes sociais

#OPINIÃO

Por Juliana Virgolino

Em 2013, com a onda de manifestações, surgiu também uma nova forma de pensar e expressar política. Com isso, cidadãos se conectaram e passaram a construir e disseminar suas ideologias por meio das redes sociais na internet. Grupos que surgiram para compartilhar insatisfações e marcar manifestações passaram a ser local de debate, mas, com isso, o discurso radicalizado e massificado também ganhou força. O comportamento radical, que era comum nos movimentos de militância, passou a ser reproduzido pela grande massa.

Os marqueteiros políticos se aproveitaram dessa onda de pensamento para fazer suas campanhas e deram outra cara para as eleições presidenciais de 2014, e com isso o discurso polarizador se consolidou. Os termos esquerda e direita passaram ser esbravejados nas ruas e começaram a ser utilizados para legitimar ou deslegitimar argumentos. Além disso, as redes sociais deixaram de ser palco de debate para ser o ambiente em que os indivíduos criam e cultivam suas bolhas ideológicas. A polarização vem resumindo as discussões políticas a um único objetivo: definir certo e errado, bem e mal, cool e clichê. E é esse tipo de rotulação que as torna rasas e infantilizadas. Mas até quando seremos reféns de rótulos para nos posicionar? Continuar lendo