Terceirizar não é o caminho

#OPINIÃO

Por Rafaela Teixeira*

No Brasil, em 31 de março deste ano, foi sancionada a Lei de terceirização 13.429/2017, que autoriza a contratação de empresas para prestar serviços não só da atividade-meio – aquelas que não são principais da empresa – mas também da atividade-fim, que são a razão da existência da mesma. Com isso, podemos esperar uma precarização no mercado de trabalho, com menores salários, jornadas excessivas, funcionários sem reconhecimento, exploração de trabalho análogo ao escravo, calote de salários e riscos ocupacionais.

Isso tudo porque as empresas buscam essa forma de contratação para reduzir gastos, encargos trabalhistas e sociais, contratando empresas despreparadas com cotações mais em conta, não se importando com o local de trabalho, a forma que ele será desenvolvido, o salário pago ou os benefícios dados a estes funcionários, visto que eles não serão responsabilidade da empresa cliente.

De acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) em nota técnica 172 de março de 2017, os serviços terceirizados têm uma rotatividade maior de profissionais. Em 2014, por exemplo, o tempo médio dos contratos terceirizados eram de 34,1 meses (dois anos e 10 meses), e dos contratos diretos eram de 70,3 meses (cinco anos e 10 meses). Ou seja, o contrato do terceirizado dura em média, praticamente, a metade do colaborador direto. E há ainda a constatação de que o valor pago em caso de terceirização tende a ser de 23% a 27% menor do que é pago a um funcionário direto. Esses dados contribuem para a precarização das relações trabalhistas no país, pois há uma grande disparidade.  Continuar lendo

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O problema da depressão não ser vista como doença

#OPINIÃO

Por Deborah Deluchi*

A depressão é uma das doenças mais recorrentes do século XXI, porém não é levada a sério como deveria pela sociedade. É tratada como frescura, não como doença, é vista como algo que não precisa de tratamento e atenção, mas isso não é verdade. As piores coisas que podem ser ditas a um depressivo, são frases como: “Já tentou não ter depressão?”, “Você precisa mesmo tomar remédio pra isso?”, “Ah é só uma fase, logo passa”. E elas são ditas frequentemente.

A depressão é algo grave que merece ser levada a sério, pois estamos vivendo em um mundo, onde cada vez mais as pessoas estão depressivas, e existe tratamento para isso. Mesmo com casos de suicídio causados por depressão serem algo tão frequente nos dias de hoje, grande parte da sociedade não considera a depressão uma doença. A visão que se tem de doença, é que seria um problema no corpo da pessoa, mas ter um problema na mente é tão grave quanto ter um problema no coração, nos pulmões, pegar uma gripe, ou qualquer outro problema em outros órgãos.

Depressão é uma doença na qual o  indivíduo tem sintomas múltiplos que variam de pessoa para pessoa, e as causas da depressão também são das mais diversas. Há uma série de sintomas físicos e comportamentais, presentes em uma pessoa depressiva, como a sensação persistente de tristeza, solidão ou a total falta de interesse em atividades do dia a dia, pode causar alterações no sono, apetite, concentração, autoestima, falta energia e vontade para até para a pessoa conseguir sair da cama.  Continuar lendo

Aborto: crime ou liberdade?

#OPINIÃO

Por Jeane Amaral, Laura Bedin e Luiza Queluz*

A interrupção da gravidez continua sendo um tabu e crime no Brasil. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), em média, 1 milhão de mulheres abortam clandestinamente por ano no país, devido à falta de estrutura, que é consequência da proibição dessa prática. São inúmeros os métodos de aborto existentes e os motivos que levam a mulher a realizar esse procedimento são vários: financeiros, sociais, religiosos, sentimentais e psicológicos. A não legalização do aborto não abona a prática e é uma decisão que deveria  ser da mulher e não do Estado.

Conforme o Código Penal brasileiro, o aborto é permitido somente em casos de estupro, de feto com anencefalia e quando há risco de vida para a mulher. Em outras situações, está prevista detenção de um a três anos para a gestante que provocar ou consentir que outro o provoque (Art. 124), decisão no mínimo equivocada, já que a escolha de gerar ou não o feto deveria ser exclusivamente da mulher que o carrega em seu corpo.

Embora haja essa criminalização expressa em lei, as mulheres continuam recorrendo ao aborto. Segundo uma pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2015, cerca de 8,7 milhões de mulheres entre 18 e 49 anos já realizaram o procedimento no país. A maioria delas não tem condições de arcar com os valores altíssimos cobrados por clínicas clandestinas ou de ir para outros países onde a prática é liberada. Por isso, acabam utilizando métodos caseiros, muitas vezes perigosos, que podem provocar hemorragias graves e em alguns casos o óbito.  Continuar lendo

Um cartão postal da criminalidade no transporte em Curitiba

#OPINIÃO

Por Rhuan Iasino*

Curitiba é considerada uma das melhores capitais do país para se viver. A fama de cidade sustentável e modelo faz com que a boa imagem da capital paranaense seja notável em todo o Brasil. Mas, existe uma realidade que os cartões postais da cidade escondem, a violência no transporte público dos curitibanos. E esta realidade precisa ser atendida.

O índice da criminalidade no transporte coletivo de Curitiba é alto. Em 2016, foram registradas 3.093 ocorrências de roubos e furtos no interior dos ônibus. Além disso, casos de assédio sexual e homicídios também são registrados. Desse modo, os usuários ficam expostos a situações indesejáveis e, com razão, abandonam o uso deste meio de transporte coletivo, preferindo a segurança de seus próprios carros.

Ainda assim, cerca de 1,5 milhão de pessoas dependem do transporte público por dia, e obrigatoriamente se submetem aos perigos encontrados na categoria para poder ir e vir na cidade. Eis que surge uma problemática, tamanha é a violência que nem mesmo as políticas públicas de segurança conseguem conter os crescentes índices.  Continuar lendo

Redução da maioridade penal: qual a real solução?

#OPINIÃO

Por Alessandra Rosa Stahsefski, Giulia Luciani Gaio e Juliane Fürbringer*

A Constituição de 1988, juntamente com o Código Penal e Estatuto da Criança e do Adolescente, atribuíram a responsabilidade penal a partir dos 18 anos. Assim, parte-se do princípio que todo indivíduo nessa idade já tem plena consciência e responsabilidade acerca de todas as suas ações e decisões. No dia 19 de agosto de 2015, a PEC 171 (Proposta de Ementa à Constituição) que propunha a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, em casos de crimes graves foi aprovada pela Câmara dos Deputados. Até que ponto essa mudança pode reduzir o número de crimes? Será mesmo que o sistema carcerário cumpre seu papel de realocar o cidadão na sociedade? E mais, será mesmo que podemos responsabilizar em totalidade somente os jovens que cometem crimes? Não deveríamos também considerar outras variáveis que o conduzem a esse caminho?

Muitas pessoas defendem a redução da maioridade penal pelo argumento de que todo indivíduo, a partir dos 16 anos, já tem total discernimento entre o que é certo e o que é errado. Vale ressaltar que este período é o momento de transição entre a infância e a fase adulta, marcado por diversas alterações e modificações, sejam elas corporais, hormonais e até mesmo comportamentais. A educação é um dos principais fatores que, além de influenciar diretamente o desenvolvimento e a formação de um adolescente, também é responsável por grande parte dos comportamentos e atitudes ao longo da vida. Infelizmente, nem todos têm a oportunidade de ter uma educação de qualidade, muitas vezes isso é relacionado à classe socioeconômica em que se encontram ou até mesmo por falta de instrução, devido a má estrutura familiar, por sofrer algum tipo de violência ou por possuir algum transtorno psicológico não avaliado.

Um exemplo que demonstra a falta de cuidado e auxílio aos adolescentes que apresentam algum comportamento inesperado é o caso do estudante de Goiânia , que, em outubro deste ano, atirou em seis colegas na própria escola, e dois acabaram falecendo. O jovem que cometeu o atentado declarou que sofria bullying e que nenhuma de suas reclamações foi atendida pela coordenação do colégio. Este caso, que deve ser considerado um desastre social, ilustra como muitas vezes o adolescente recorre a ações violentas e extremas em momentos de desamparo, quando não sente-se amparado pela família e pelo grupo social, aqui o escolar Isso importa porque, no momento de discussão sobre crimes cometidos por um adolescente, é necessário não só observar em qual ambiente ele está inserido, como também analisar quais são as condições que a sociedade proporciona a ele.  Continuar lendo

Sobre a pele parda na discussão do racismo

#OPINIÃO

Por Felipe Camargo*

Segundo dados do IBGE de 2015, aproximadamente 45% da população brasileira se autodeclarou parda na pesquisa sobre raça ou cor. Segundo o próprio órgão, estão inclusos na categoria pardos a pessoa que se declarou mulata, cabocla, cafuza, mameluca ou mestiça de preto com pessoa de outra cor ou raça. Em outras palavras, ser uma pessoa cuja cor seja “parda” nada mais é que admitir e ter conhecimento que a estrutura de sua família é constituída por pessoas de várias etnias e possivelmente de lugares variados do mundo. Autodeclarar-se pardo é, ao menos de forma inconsciente, aceitar e reconhecer que a miscigenação não tem problemas, não há segredos. O tom de pele evidencia a nossa história, assim como conta a história do Brasil. Somos um país de mestiços, de negros, de brancos, indígenas, asiáticos e etc.

Seguindo a lógica que o “Brasil é um país de todos”, por vezes eu fico a me perguntar se isso é mesmo verdade, se temos conhecimento das diversas realidades culturais e econômicas de nossa sociedade e se acima de tudo isso, temos respeito às diversidades de peles, ideologias e afins. Até o momento, percebo e sinto que existe sim um consentimento sobre respeitar tudo e todos, mas existe também uma luta não muito silenciosa e sem sentido entre pequenos grupos de cores de peles diferentes.

Ok. Nenhuma novidade até aqui quando consideramos o debate sobre racismo no Brasil, especialmente pautado pela discriminação que aqueles que têm a pele preta sofrem. Agora, dada à visibilidade do tema, alguns grupos de indivíduos de pele branca começam a afirmar que também sofrem preconceito.  Mas o que essa briga têm necessariamente a ver com os pardos? Continuar lendo

Aplicativos de mobilidade e a corrida pelo consumidor

#OPINIÃO

Por Leonardo Batistão*

Vivemos em uma era sonhada por nossos antepassados. A tecnologia chegou para todos (ou quase), trazendo muitos benefícios, mas também muitos incômodos. Acompanhamos a evolução dos televisores, dos telefones celulares e, claro, dos transportes coletivos e individuais. Porém, as políticas relacionadas aos aplicativos de caronas pagas também devem evoluir, ou seja, devem ser repensadas pelos sindicatos e órgãos públicos considerando a opinião e bem-estar do consumidor.

Antigamente, o consumidor contava apenas com a sorte de encontrar um táxi próximo aos pontos de ônibus da cidade.  Com mais sorte ainda, o valor da corrida exibido no taxímetro seria equivalente ao que se tinha na carteira. Hoje, o mesmo consumidor depara-se com diversos aplicativos de mobilidade urbana, ativados com um simples toque na tela do smartphone e já sabendo exatamente o valor a se pagar antes mesmo de confirmar o pedido. Inclusive, utilizando além de cédulas e moedas, cartões e cupons de desconto como forma de pagamento, os vouchers Continuar lendo

Sua vida e o ambiente de trabalho

#OPINIÃO

Por Laura Jucá*

De um mundo onde o trabalho acontecia de forma calma ao mundo industrializado que transformou o ritmo da cultura trabalhista. Passamos maior parte do nosso dia no trabalho e, consequentemente, a maior carga de estresse vem do ambiente profissional. Vemos-nos num campo super competitivo e disputado que nos exige máxima dedicação às atividades, combinada com muitas cobranças até, por fim, ultrapassar os limites do quanto suportamos lidar.

Até que ponto essas cobranças devem existir? O quanto pôde-se cobrar do trabalhador em relação a sua função? Esses pontos são pouco questionados e que levam a situações desgastantes, nas quais os profissionais se sentem cansados, sem estímulos para realizar suas funções, com dificuldade nas relações profissionais, sem contar a constante interferência na vida pessoal. A pressão dos superiores torna-se um problema constante. Desde a década de 1970, existe o diagnóstico de exaustão ou esgotamento profissional, conhecido como síndrome de Burnout, criado por um psicanalista americano para descrever  um distúrbio detectado em si mesmo. Segundo a revista Galileu, edição de fevereiro/2017, cerca de 30% da população brasileira sofre desta síndrome, que se faz necessário colocar em pauta mudanças a serem feitas na cultura organizacional.

As organizações buscam lucrar a todo custo e tratam os funcionários como objetos, não tendo sensibilidade de compreender que estão lidando com seres humanos. Eu Deveria existir uma relação mútua, uma troca saudável entre empregado e empregador. Assim como grandes empresários almejam sucesso, as pessoas que fazem parte desse projeto também sonham com o êxito profissional.  Continuar lendo

Acesso das organizadas por biometria pode ser implementado em 2018

Por Amanda Correia, Ketlyn Nicole e Maria Beatriz Azzi

Em outubro (27/10), durante o seminário “Todos juntos contra a violência”, na sede da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), no Rio de Janeiro, o procurador-geral do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) Felipe Bevilacqua anunciou que a partir de 2018 as torcidas organizadas terão acesso aos estádios através do sistema biométrico e contarão com um espaço específico apenas para os cadastrados. A utilização do sistema biométrico estará prevista no Regulamento Geral de Competições da CBF, sendo obrigatório para todos os jogos organizados pela entidade a partir do ano que vem.

A discussão sobre a segurança nos estádios e o controle do acesso é uma pauta recorrente, que percorre outras instâncias. Uma das iniciativas é o projeto de Lei n°272/ 2017, de autoria do Senador Telmário Mota (PTB/RR), que pretende tornar a utilização do sistema biométrico obrigatório para torcedores a partir dos dezesseis anos, em estádios com capacidade de dez mil pessoas ou mais. O projeto tramita na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado e, no último dia 23, chegou às mãos do Senador José Medeiros (PODE/MT), que analisará e fará o relato da proposta na comissão.

No âmbito estadual, também há iniciativas legislativas. Na Alep (Assembleia Legislativa do Paraná), a deputada estadual Maria Victória Barros (PP) também apresentou um projeto de lei que pretende tornar obrigatório o uso do sistema biométrico, além do uso das câmeras em todas as áreas dos estádios no Paraná. A proposta da deputada tem o apoio de Mario Celso Petraglia, ex-presidente do Clube Atlético Paranaense, e de Mauro Holzmann, diretor de marketing do clube. O Atlético foi o primeiro time a implantar o sistema de biometrias nos estádios de Curitiba. A inauguração ocorreu no dia 10 de setembro de 2017, em um clássico contra o Coritiba.
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Mostra fotográfica da Bienal de Curitiba retrata indígenas na Amazônia

Foto Exposição Fotográfica dos Indígenas

“Além da Fotografia” – Mostra que retrata cultura indígena da Amazônia está em exposição na Bienal de Curitiba (Foto: Julia Duda)


Repórter: Julia Duda
Pauta: Jéssica Guimarães
Edição: Sara Takatsuki

A mostra “Além da Fotografia”, do fotógrafo paulista Rodrigo Petrella, em exposição no Museu da Fotografia dentro do Solar do Barão, é uma entre as diversas atrações da Bienal de Curitiba, que é realizada na capital paranaense até 25 de fevereiro de 2018. A exibição traz imagens feitas por Petrella durante uma jornada pela diversidade por diversas aldeias, na cena social amazônica. O artista, que começou a fotografar indígenas em uma campanha para a COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira), retrata esse tema há mais de vinte anos e teve suas obras expostas por vários países do mundo.

A curadoria da mostra foi feita pelo paraguaio Tício Escobar, convidado da Bienal de Curitiba e diretor do Museo Del Barro, de Assunção, no Paraguai. Escobar expôs seu comentário, na própria exposição, sobre as fotografias de Petrella dizendo que o fotógrafo “não só recolhe valiosíssima informação etnográfica: também expõe códigos de um mundo entreaberto e subtraído”. Continuar lendo