Olhar oportunidades

#PERFIL

Por Thiago Viana

Todo mercado de trabalho é competitivo. No momento em que o país passa pela sua maior recessão desde 1930, as oportunidades ficam ainda mais escassas e, além de procurar cada vez mais capacitação para aquilo que você se propõe a fazer, é preciso criar também as suas oportunidades. Este é o pensamento do repórter do TV Fama, Fa Marianno.

Fa Marianno 4

Radialista, jornalista e animador de TV, ele nasceu em Belém do Pará e há alguns meses fixou residência no Rio de Janeiro cobrindo o mundo das celebridades. Aos 31 anos recém-completados, Fa conta que muita água passou por baixo de sua ponte antes de chegar à sua realização profissional. “Comecei escrevendo uma coluna sobre a noite de Belém em um site local, acabei ficando conhecido na cidade, apresentando eventos, até que resolvi escrever um blog sobre os bastidores da TV em 2012. Em 5 anos, já são mais 3,3 milhões de visualizações no Brasil e em outros países.

As notícias publicadas no blog chamaram a atenção de autores e produtores de novelas, que começaram a pautar o blog na hora de divulgar as notícias sobre os próximos acontecimentos das produções. O reconhecimento e visibilidade do blog acabou abrindo portas e o conteúdo produzido para a internet foi parar no rádio. Em 2014, Fa foi convidado pela Jovem Pan Belém para um quadro semanal no programa Festa Pan, da Jovem Pan Belém. Mas havia uma barreira a ser quebrada. “Ainda em 2009, sendo um fisioterapeuta fazendo comunicação, eu me sentia um intruso na área e achava injusto continuar a atuar na área sem formação. Foi aí que procurei um curso técnico em reportagem para TV com extensão para web”, conta o comunicador, que após o trabalho na rádio finalmente conseguiu seu registro como jornalista.

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A metamorfose de Rebeca

A garota transexual que saiu das estatísticas e conquistou seus sonhos com muita garra

#PERFIL

Por Giulia Boiko

Transexuais são indivíduos que se identificam socialmente e psicologicamente com o gênero oposto ao apresentado desde a infância, em discordância com sua anatomia. Estes indivíduos fazem parte da comunidade LGBT e são a parte que mais sofre preconceitos conectados com a transfobia e diversas outras formas de agressões. Muitos jovens transexuais ao assumirem sua identidade em casa são expulsos, agredidos e muitas vezes mortos e esta é a realidade de muitos jovens no Brasil, o país que mais mata travestis e transexuais. A história de Rebeca Dias, uma garota trans de menos de 20 anos,  poderia ser um destes casos, mas a garota que já passou por problemas sociais e familiares por conta de sua identidade, conseguiu superar todas suas dificuldades com muita perseverança e uma personalidade fortíssima.

Rebeca Dias (19), nascida no interior de São Paulo, no Vale do Ribeira, assumiu-se transexual aos 14 anos. Criada por seus pais em uma cidade pequena, junto de suas irmãs mais novas, antes de se assumir publicamente conversou primeiro com seus amigos e posteriormente com sua mãe. Ao se assumir transexual, a  jovem, não obteve apoio imediato de seus familiares e este foi um dos períodos mais turbulentos de sua vida. Rebeca teve problemas, após sua mãe contar para a família, principalmente, com seus tios que não aceitavam o fato de ter uma sobrinha transexual, mas, atualmente, acredita que eles não precisavam ter aceitado.

Sem o apoio de seus pais, que odiavam o fato de ter uma filha transexual, ao completar 16 anos, Rebeca começou a usar roupas femininas e iniciou seu tratamento hormonal. Mesmo com a falta de apoio e os efeitos colaterais dos medicamentos Rebeca nunca pensou em parar seu tratamento. Somente dois anos depois, ao passar no vestibular e mudar de cidade, a garota começou a ter apoio de sua família, que hoje tem orgulho da filha. Enquanto estava no ensino fundamental e no médio, Rebeca não tinha seu nome reconhecido. Foi proibida de usar banheiros femininos e se sentia desconfortável ao ser chamada no masculino. A estudante sofreu Bullying em sua escola, tanto por professores como por colegas de classe e isto a fazia não gostar de estudar. Continuar lendo

A imprudência no trânsito e suas sequelas permanentes

#OPINIÃO

Por Joyce Franco

Todo dia, nós vemos notícias sobre acidentes de trânsito. Seja na televisão, na internet ou em nosso bairro, isso é tão frequente que não causa mais impacto, até que acontece com alguém próximo a nós. A questão é que esses acidentes não deviam ser comuns, não deveríamos ter medo de beber e dirigir por perder a carteira de habilitação ou sermos multados, mas sim pela vida das pessoas que morrem diariamente em função dessas imprudências. Os acidentes de trânsito têm sido uma das maiores causas de morte no mundo, segundo o Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT), mais de 40 mil pessoas morrem por ano e cerca de 204 mil pessoas ficam feridas no país.

Enquanto a frota de veículos cresce diariamente, a cada dez minutos uma pessoa morre envolvida em acidentes de trânsito no Brasil, além disso, inúmeras ficam com sequelas graves. No ranking dos países que mais matam no trânsito, o país está em quinta posição, em 2015, o DPVAT pagou 42.500 indenizações por morte no país e 515.750 pessoas receberam amparo por invalidez. Em virtude disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incentiva os países a fazerem ações de prevenção, e conscientizar os cidadãos sobre a gravidade deste tema.  Continuar lendo

Apego ao imaterial

#OPINIÃO

Por Amanda Schicovski

Deparamo-nos, diariamente, com soluções tecnológicas para nos auxiliar a resolver os mais variados problemas recorrentes de uma rotina de horários apertados. Segundo a União Internacional de Telecomunicações (UIT), até este ano, no mundo, são sete bilhões de aparelhos celulares em uso. Toda essa quantidade de aparelhos para 7,5 bilhões de habitantes.

Fazendo uma analogia simples, é como se nossos smartphones fossem a extensão de nossos braços e funcionassem como mais um órgão em nossos corpos. Um órgão que nos livra de filas e algumas caminhadas até escolher o sapato desejado,  aproxima-nos de pessoas distantes e em algum momento, mesmo que temporariamente, deixa de funcionar. E quando isso acontece é como se estivéssemos deslocados: não há a possibilidade de estar submerso em uma diferente realidade, conversando com um outro núcleo de amigos e procrastinando as demais obrigações. Bem-vindo ao mundo real.  Continuar lendo

Incoerência, o mal da sociedade

#OPINIÃO

Por Joyce Franco

Diariamente, deparamo-nos com incoerências na sociedade em que vivemos. Em diversos setores sociais, em uma época de globalização e visibilidades de discursos proporcionados pela evolução da internet e das redes sociais, cada opinião dada gera repercussão e influência inúmeras pessoas.

No âmbito político, esse comportamento é visível há muito tempo. No que se refere a intervir nos direitos individuais da população em detrimento de uma religião, principalmente, quando se trata da bancada evangélica do congresso e senado. Representada por políticos de todo o país, comprometidos individualmente com seus partidos e acima disso com o estado que constitucionalmente é um órgão laico, frequentemente, eles quebram estes acordos em nome da sua crença ou instituição religiosa.  Continuar lendo

A verdadeira beleza

#OPINIÃO

A representação de modelos de pessoas reais tem ganhado espaço na propaganda, mas os desafios ainda existem

Por Bianca J. R. Costanski e Bruna V. Figueiredo

No fim de abril deste ano, a marca de cervejas Skol lançou uma campanha de grande repercussão, sobretudo, nas redes sociais. A propaganda era para uma edição especial de latas que representavam diversos tons de pele da população brasileira, a Skolors. Nela, várias pessoas de tons de pele diversos – albinos, brancos, negros e com vitiligo -, diferentes tipos físicos e idades, interagiam de maneira harmoniosa e alegre. O vídeo encerrou a campanha de verão da marca que tinha como lema “Viva a diferença”. A Skol está passando por uma mudança de imagem da marca. Socialmente questionada por seus valores antigos, a marca tem deixando para trás as velhas campanhas de objetificação da mulher e vem buscando valorizar o respeito e a pluralidade. Para seu reposicionamento, a empresa já realizou ações como a distribuição do “Apito do respeito no carnaval” e a reformulação de pôsteres antigos que objetificavam o corpo feminino.

Na mesma linha, a Avon, marca de cosméticos e produtos de beleza, está reposicionando sua marca. Com o empoderamento feminino tomando conta dos canais de comunicação, a marca quer promover esse conceito para os seus produtos e está propondo o poder da escolha: o de poder escolher uma blusa, um sapato, um batom, um blush, o poder de escolher seu gênero, a quem amar, a se amar pelo o que você é e se aceitar. A empresa, em sua campanha “Cara e Coragem”, lançada também no final de abril deste ano, trouxe as diferentes mulheres que formam o Brasil: negras, brancas, magras, gordas, cis e transsexual. Tornando-se, inclusive, a primeira marca de cosméticos a exibir em TV aberta uma campanha publicitária com uma transsexual no elenco, a cantora Candy Mel.  Continuar lendo

O protagonismo do feminismo: branco, classe média e elitista

#OPINIÃO

Por Camila Mancio

“Yo solo pido un espacio pa’respirar”,  Jelena Dordevic

O feminismo é um movimento político e social que prevê a equanimidade de gêneros. Isto é, que os indivíduos tanto do sexo masculino quanto do feminino possam ter as mesmas oportunidades. No entanto, há várias divisões dentro do movimento que são marginalizadas e excluídas, sem que se leve em conta as demandas individuais de cada grupo. O protagonismo do feminismo, por exemplo, coloca em debate a liberdade do corpo e uso da maquiagem como questões prioritárias, mas essas não são pautas que atingem todas as mulheres, principalmente as de menor poder aquisitivo.

Em lugares que ainda perpetuam a exclusão social, como nas universidades brasileiras, rodas de conversas e palestras são frequentemente levantadas – internamente. No entanto, será que essas estudantes são realmente as que mais precisam desse debate? E as mulheres na periferia? As que não podem estudar porque têm um filho para criar? As que moram em zona de risco? As que trabalham 12 horas em pé dentro da sua universidade – isso mesmo, essa que você estuda – limpando os escritos sobre amor próprio que você deixou no banheiro, de batom ou de sangue, para empoderar outras mulheres? Esse feminismo não me representa.  Continuar lendo

A minha família existe. A sua também.

#OPINIÃO

Por Letícia Cordeiro

A ideia do que é uma família, embora tenha um significado de senso comum, é volátil e mutável, o que permite acompanhar o tempo, a evolução das ideias sociais, os costumes. Antigamente, o modelo familiar predominante e aceito, era o patriarcal, aquele com um homem no centro, sendo chefe de família e responsável por todas as decisões da casa. Que também era patrimonial e imperialista, em que a principal importância estava em unir os patrimônios (por muitas vezes terras ou empresas) e aumentar o poder.  Neste caso, por muitas vezes, o afeto entre as duas pessoas era irrelevante. O divórcio, por exemplo, era inconcebível, já que ele representava uma quebra no poder (econômico) concretizado no casamento e pouco importava a relação pessoal entre o casal.

Atualmente, tal ideia de família é inconcebível. E só é inconcebível pelo fato da sociedade estar em uma eterna luta, na qual algumas conquistas que se encontram na Constituição Federal de 1988, como igualdade entre os indivíduos e valorização da dignidade da pessoa humana (o que ainda se porta de maneira arcaica). A família já não é (em grande parte da sociedade) vista como uma instituição, e, sim, um instrumento de desenvolvimento social de cada indivíduo. Hoje, as pessoas se unem por haver um sentimento entre elas e isso é o bastante para que exista uma família. Continuar lendo

A polarização política fermentada nas redes sociais

#OPINIÃO

Por Juliana Virgolino

Em 2013, com a onda de manifestações, surgiu também uma nova forma de pensar e expressar política. Com isso, cidadãos se conectaram e passaram a construir e disseminar suas ideologias por meio das redes sociais na internet. Grupos que surgiram para compartilhar insatisfações e marcar manifestações passaram a ser local de debate, mas, com isso, o discurso radicalizado e massificado também ganhou força. O comportamento radical, que era comum nos movimentos de militância, passou a ser reproduzido pela grande massa.

Os marqueteiros políticos se aproveitaram dessa onda de pensamento para fazer suas campanhas e deram outra cara para as eleições presidenciais de 2014, e com isso o discurso polarizador se consolidou. Os termos esquerda e direita passaram ser esbravejados nas ruas e começaram a ser utilizados para legitimar ou deslegitimar argumentos. Além disso, as redes sociais deixaram de ser palco de debate para ser o ambiente em que os indivíduos criam e cultivam suas bolhas ideológicas. A polarização vem resumindo as discussões políticas a um único objetivo: definir certo e errado, bem e mal, cool e clichê. E é esse tipo de rotulação que as torna rasas e infantilizadas. Mas até quando seremos reféns de rótulos para nos posicionar? Continuar lendo

Em campanha: pela liberdade de Rafael Braga!

#OPINIÃO

Por César Cruz

rafael braga

Qual a diferença entre um homem branco bem vestido  e um cidadão em situação de rua, catador de latinhas, negro? Para a justiça, deveríamos ser todos iguais, em teoria. Na prática, é bem diferente. Não existe crime inafiançável para gente branca. Do outro lado da moeda, é palpável a perseguição e o genocídio da população negra no nosso país. No Brasil, morre, segundo a CPI no senado sobre o assassinato de jovens (2012), um jovem negro a cada 23 minutos. Durante o ano, 23.100 jovens negros com idade entre 15 e 29 anos. Completando 63 por dia com um a cada 23 minutos.

Sem pensar nesses dados, completa neste mês de junho exatos quatro (04) anos da prisão injusta e tendenciosa de Rafael Braga. Acusado de participar das manifestações de junho de 2013, mesmo sem pertencer a nenhum movimento organizado, onde foi preso pelo porte de um pinho sol. Em primeiro julgamento (2013), pelo juiz Ricardo Coronha, Rafael, havia sido condenado a cinco anos de prisão. Agora, em 2017, com o caso levado a julgamento novamente, foi condenado a 11 e a pagamento de multa.

Em mobilização ao caso, movimentos e demais pessoas organizadas juntaram forças para gritar contra a impunidade e o racismo estrutural no Brasil. Iniciada no primeiro dia (01) de junho, mês de prisão de Rafael, a campanha “30 dias para liberdade de Rafael Braga” tem o intuito de levar à mídia toda a verdade que foi escondida sobre o caso. Manifestações ocorrerão em todo o Brasil, como em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Belém entre outros. Conta também com programação diversa desde saraus, roda de conversa e culturais, manifestações e espaços de formação com foco no recorte de raça.  Continuar lendo