Ensino superior: Qual o nosso papel?

Breve reflexão sobre uma cultura no ensino superior

#OPINIÃO

Por Felipe Camargo*

Observo com a curiosidade de uma criança as conversas corriqueiras de alunos nos corredores sobre as posturas dos professores. Quem ensina mais, quem enrola mais, quem aplica a pior prova, quem é legal por não aplicar prova, quem é mais que quem. Apesar de possuir opiniões conflitantes com as dos demais colegas, por vezes faço essa reflexão: O que um professor universitário deve orientar em suas aulas?

Em minha graduação de licenciatura aprendi a entender parte da mente humana e como guiar uma sala de aula hipoteticamente, pois a realidade que encontrei na prática é tão contraditória aos ensinamentos que muito pouco usei dos discursos pedagógicos tradicionais na minha curta carreira de professor de História do ensino fundamental público brasileiro. Por ter uma mínima vivência no outro lado da moeda, consigo entender porque um professor não consegue desempenhar tudo aquilo que um dia ele imaginou, são diversos os obstáculos. Porém, a minha realidade da escola básica pode ser aplicada na universidade?  Penso que o ensino a jovens adultos difere muito daquele para adolescentes que aprendi em minhas aulas de pedagogia na PUC PR.

Na licenciatura, aprendi que o professor deve ser um agente de transformação social que deve interagir com o meio de forma com que todos em sua volta consigam ser orientados e educados a trilhar um caminho próspero e inspirador. Com base neste pensamento, seria então o papel do professor universitário reeducar o aluno que vem do ensino médio sem saber ao certo o que esperar da universidade? Creio que não. Então seria o oposto, o professor deve ensinar tudo o que consegue em pouco tempo para fazer o aluno entrar no ritmo ou desistir da universidade logo? Também não acredito nessa opção, apesar de considerar mais válida que a primeira apresentada.  Continuar lendo

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O país pentacampeão não entende de futebol

#OPINIÃO

Por Douglas Rigamonte*

Quantas vezes você que gosta de futebol já ouviu frases como “não perca tempo com isso” ou “vá estudar que você ganha mais”? Dizeres equivocados sobre o esporte e a área de conhecimento são espalhados constantemente por pessoas que não compreendem a fundo o assunto. É inegável que uma parcela da sociedade conceitua o futebol como apenas um jogo praticado dentro das quatro linhas, mas o que o esporte pode representar para uma nação vai muito além dos gramados.

O fato é que, obviamente, o aspecto mais atrativo do tema é o jogo em si – estes 90 minutos resultantes de todos os processos que ocorrem por trás do evento. No entanto, estes momentos não acontecem por acaso. Existem instituições – e, claro, clubes – que trabalham processos de diversas áreas do conhecimento humano (em especial comunicação e pesquisa) para garantir a constante evolução do desporto. Exemplo disso, no Brasil, é o NUPEF (Núcleo de Pesquisas e Estudos em Futebol) focado exclusivamente na parte teórica do tema, que ainda, infelizmente, é pouco difundida no país. Além disso, após a democratização do futebol, este esporte passou a ser meio de transformação social, auxiliando na quebra de barreiras raciais e econômicas no mundo todo. Deste modo, para você, amigo ou amiga que gosta de um bom futebol: seu gosto não é fútil; ele é um vasto campo profissional que possui um mercado amplo de 1,6 bilhão de fãs no planeta. E, não, você não está perdendo tempo.

“Não passa de um bando de gente correndo atrás de uma bola”, essa é uma das frases mais comuns que representa a ignorância acerca do tema proferida por pessoas que criticam o futebol. Para elas, gostar do esporte mais popular do mundo é algo fútil, sem sentido. Essas pessoas acreditam serem até mais inteligentes por não fazerem parte dos que apreciam o tema, e se sustentam em argumentos distorcidos de alguns pensadores como “o futebol é o ópio do povo”. Em alguns casos isolados, o futebol pode até se tornar um ópio, mas, para todo um povo, isso comprova-se como absolutamente impossível, a não ser que os “intelectuais” acreditem que os meios de comunicação de massa possam realmente controlar as pessoas. A audiência é crítica e, portanto, incapaz de ser totalmente manipulada.  Continuar lendo

Respeito é uma via nem tão de mão dupla quanto deveria

#OPINIÃO

Por Henrique Ximenes e Maisa Barbosa*

A descoberta da roda mudou a humanidade. Foi assim que o homem superou seus limites de força e passou a avançar rumo às aglomerações humanas que formariam, anos depois, as grandes cidades. O transporte de carga ficou mais fácil e, em seguida, o transporte humano também. Até que no século XIX, enfim , duas rodas foram postas uma atrás da outra e, ligadas por uma barra, alinharam-se e deram origem à primeira bicicleta, que nascia já em meio a carruagens e ônibus a vapor.

A ciclomobilidade é velha conhecida humana, porém vem se tornando um assunto mais evidente na esfera pública contemporânea, pois muitas pessoas já escolhem este modal como alternativa mais econômica, saudável e ecológica de locomoção. Sabemos que número de ciclistas está crescendo no mundo. E, em Curitiba, cada vez mais, vê-se as ciclovias, canaletas, ruas e bicicletários repentinamente mais cheios dos adeptos às duas rodas não-motorizadas. Uma contagem realizada pela Prefeitura de Curitiba em março de 2017, num ponto nodal de ciclofaixa (na esquina da Rua Mariano Torres com a Sete de Setembro), mostrou que, em duas horas, um número 198% maior de ciclistas se fez presente, em comparação com os resultados de 2015. Porém, isso não significa que a infraestrutura tenha acompanhado esse crescimento. Continuar lendo

O peso da decisão: maturidade e a escolha da carreira profissional

#OPINIÃO

Por Alessandra Stahsefski, Giulia Gaio e Juliane Fürbringer*

Todos os universitários já passaram pela temida fase do vestibular. Foram horas de estudos, fim dos feriados e descansos, atenção aos calendários e prazos, ansiedade, indecisão, concorrência e outras preocupações que surgem especificamente nessa época. Alguns de nós passaram por isso apenas uma vez, enquanto outros passaram mais tempo estudando para os temidos vestibulares. Finalmente, chega o dia em que encontramos nosso nome no meio de tantos outros aprovados e a alegria toma conta do momento. Deixamos de ser vestibulandos e passamos a ser universitários e, logo de cara, já criamos novas expectativas. Muitos começam a se questionar se aquele é mesmo o curso que queriam e se a faculdade é como imaginavam. Em algum momento, todos nós nos surpreendemos, seja de forma positiva ou negativa, com o surgimento de mais dúvidas e incertezas. É um momento marcante e de extrema importância, mas será que vale a pena toda essa preocupação?

Cada vez mais cedo os estudantes sofrem com a pressão, imposta pela sociedade de forma geral, em relação às cobranças com a graduação e decisão de qual área seguir carreira. Os jovens e adolescentes passam por todo o ensino fundamental e médio com dúvidas e preocupações sobre o que fazer, o que acaba refletindo e influenciando em possíveis mudanças no comportamento e na rotina desse público. Problemas de ansiedade e depressão são as principais queixas dos alunos que passam tempo se dedicando para este momento. É claro que nem todos sofrem com o fato de se dedicar exclusivamente aos estudos antes de ingressar na faculdade, mas a grande maioria já passou por alguma situação de nervosismo ou preocupação. Segundo dados divulgados em fevereiro deste ano pela OMS (Organização Mundial da Saúde), o número de pessoas com transtornos de ansiedade teve um aumento de 14,9% em relação ao ano de 2005, totalizando em 264 milhões de pessoas ao final de 2015. Nesse percentual, há adolescentes, jovens e adultos, porém é um número importante quando se trata do quanto a ansiedade vem aumentando cada vez mais na sociedade, o que consequentemente afeta a vida acadêmica.

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O problema da fetichização da mulher asiática na cultura brasileira

#OPINIÃO

Por Jéssica Guimarães, Julia Duda e Sara Takatsuki*

De acordo com dados do Censo de 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), dois milhões de residentes no Brasil se autodeclararam de cor “amarela”, indo de um percentual de 0,45% da população nacional de 2000 para 1% em 2010. Esse salto no número de moradores asiáticos tem também ligação com os fluxos migratórios, mas não é só isso, há um crescimento considerável de pessoas que assumiram de fato suas origens. Com isso, o número de coletivos de debate e militância no país também aumentou e os problemas de discriminação, fetichização, privilégios, visibilidade e racismo sofrido por asiáticos vêm se tornando cada vez mais discutidos na sociedade.

É perceptível a luta dessa minoria social por uma voz representativa. Os coletivos organizados por esses descendentes evidenciam que não toleram mais esses preconceitos. Uma “brincadeira” racista não pode mais ser considerada normal, a objetificação do corpo feminino oriental não é mais admissível. Dentro desses vários propósitos na luta, o feminismo asiático vem ganhando força e é preciso perceber a realidade de hiperssexualização ainda existente da mulher asiática.

Você já deve ter ouvido frases como “Sempre quis namorar uma asiática” ou “As asiáticas são muito fofas”.  O que você, provavelmente, não sabia é que esse tipo de frase estimula a existência da fetichização das mulheres asiáticas.  Essas expressões, muito normatizadas na nossa sociedade, impõem um estereótipo hiperssexualizado somados de racismo e machismo. Existe uma ideia fixada de que as asiáticas são envergonhadas, fofas, tímidas e muito gentis: o estereótipo de submissão.  Continuar lendo

A luz está no Túnel?

#OPINIÃO

Por Ketlyn Nicole e Maria Beatriz Azzi*

Cinzento como o céu antecedendo uma tempestade. Quando, finalmente, o dilúvio vier talvez seja tarde demais e a única coisa que irá nos iluminar serão os raios. Uma grande nuvem conservadora paira sobre a nação. Vertentes políticas, econômicas e ideológicas são amplas, válidas e necessárias para a democracia. Mas e se a ideologia sobrepor à lei? E se sua ideologia puder acabar com a vida de alguém enquanto não altera nada na sua? Qual seu direito de apagar a luz que lutamos para manter acesa e aumentar sua fluorescência há séculos? Em um curto intervalo de dias, dois acontecimentos chegaram à imprensa. Um deles é a decisão do Masp de voltar atrás da autocensura imposta à sua exposição “Histórias da Sexualidade”, permitindo novamente o acesso de menores de dezoito anos, desde que acompanhados pelos responsáveis – isso após uma nota oficial do Ministério Público criticando a censura. O outro é o texto da PEC 181 aprovado por uma comissão especial da Câmara de Deputados, que pode barrar a descriminalização do aborto no Brasil em todos as situações. Os dois casos são opostos, porém se encontram no mesmo trilho.

O Masp impôs classificação indicativa à sua exposição após sofrer fortes críticas nas redes sociais online. Muitas pessoas repudiaram a exposição que contava com um artista nu, que poderia ser manipulado pela plateia. Plateia esta que contava com crianças, acompanhadas pelos pais. O boicote foi apoiado por diversos políticos, que, claramente, aproveitaram a situação para se autopromover. Promoverem sua ideologia, que censura com base em suas crenças, acima da lei e da Constituição. Diferentemente da censura, que é exata, a arte não é binária, é vasta, chocante e provoca o diálogo. A arte não tem pretensão de ser perfeita e agradável, não obstante muitas vezes bela, pode ser repugnante e, às vezes, quer ser. Contudo, a censura é a cegueira da alma.
Como resposta à restrição de idade imposta pelo museu, a nota técnica emitida pelo Ministério Público Federal correlaciona artigos do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), do código penal e da Constituição Brasileira com a arte, para explicar pedagogicamente como toda a exposição do Masp era legal. Curiosamente, o Ministério Público utilizou a capa do CD do Nirvana – Nevermind – que possui um bebê nu, para explicar que nem toda obra com nudez apresenta caráter lascivo. Continuar lendo

Vivemos a um passo do futuro

#OPINIÃO

Por Rhuan Iasino*

As pessoas têm vivido em um mundo mais virtual do que real, e não existe problema algum nisso. O ser humano vive em uma ascensão tecnológica sem fim. Isto é, ano a ano, milhões de dólares são investidos em pesquisas no setor de tecnologia, como na indústria robótica e no segmento da inteligência artificial. Devido a isso, o intervalo de tempo entre os saltos tecnológicos é cada vez menor.

Logo, os produtos também estão em constante atualização, e sempre sendo substituídos por novidades. São exemplos os smartphones, impressoras 3D, ou então até os óculos de realidade aumentada. A humanidade tem caminhado para uma nova era e, nela, os antigos filmes de ficção científica serão a nossa futura realidade.

Entretanto, essa constante evolução tecnológica não é bem aceita por toda a sociedade. Uma parcela da população ainda é contra esse intenso desenvolvimento tecnológico, afirmando que não faz bem ao ser humano. Mas isso não é ruim. Um bom exemplo é a globalização e a instantaneidade de informações, que são efeitos de um universo composto por códigos e algoritmos, conhecidos também como mundo online. Este, além de um armazenador de informações, pode e deve ser visto como um facilitador da vida humana.  Continuar lendo

Olhar oportunidades

#PERFIL

Por Thiago Viana

Todo mercado de trabalho é competitivo. No momento em que o país passa pela sua maior recessão desde 1930, as oportunidades ficam ainda mais escassas e, além de procurar cada vez mais capacitação para aquilo que você se propõe a fazer, é preciso criar também as suas oportunidades. Este é o pensamento do repórter do TV Fama, Fa Marianno.

Fa Marianno 4

Radialista, jornalista e animador de TV, ele nasceu em Belém do Pará e há alguns meses fixou residência no Rio de Janeiro cobrindo o mundo das celebridades. Aos 31 anos recém-completados, Fa conta que muita água passou por baixo de sua ponte antes de chegar à sua realização profissional. “Comecei escrevendo uma coluna sobre a noite de Belém em um site local, acabei ficando conhecido na cidade, apresentando eventos, até que resolvi escrever um blog sobre os bastidores da TV em 2012. Em 5 anos, já são mais 3,3 milhões de visualizações no Brasil e em outros países.

As notícias publicadas no blog chamaram a atenção de autores e produtores de novelas, que começaram a pautar o blog na hora de divulgar as notícias sobre os próximos acontecimentos das produções. O reconhecimento e visibilidade do blog acabou abrindo portas e o conteúdo produzido para a internet foi parar no rádio. Em 2014, Fa foi convidado pela Jovem Pan Belém para um quadro semanal no programa Festa Pan, da Jovem Pan Belém. Mas havia uma barreira a ser quebrada. “Ainda em 2009, sendo um fisioterapeuta fazendo comunicação, eu me sentia um intruso na área e achava injusto continuar a atuar na área sem formação. Foi aí que procurei um curso técnico em reportagem para TV com extensão para web”, conta o comunicador, que após o trabalho na rádio finalmente conseguiu seu registro como jornalista.

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A metamorfose de Rebeca

A garota transexual que saiu das estatísticas e conquistou seus sonhos com muita garra

#PERFIL

Por Giulia Boiko

Transexuais são indivíduos que se identificam socialmente e psicologicamente com o gênero oposto ao apresentado desde a infância, em discordância com sua anatomia. Estes indivíduos fazem parte da comunidade LGBT e são a parte que mais sofre preconceitos conectados com a transfobia e diversas outras formas de agressões. Muitos jovens transexuais ao assumirem sua identidade em casa são expulsos, agredidos e muitas vezes mortos e esta é a realidade de muitos jovens no Brasil, o país que mais mata travestis e transexuais. A história de Rebeca Dias, uma garota trans de menos de 20 anos,  poderia ser um destes casos, mas a garota que já passou por problemas sociais e familiares por conta de sua identidade, conseguiu superar todas suas dificuldades com muita perseverança e uma personalidade fortíssima.

Rebeca Dias (19), nascida no interior de São Paulo, no Vale do Ribeira, assumiu-se transexual aos 14 anos. Criada por seus pais em uma cidade pequena, junto de suas irmãs mais novas, antes de se assumir publicamente conversou primeiro com seus amigos e posteriormente com sua mãe. Ao se assumir transexual, a  jovem, não obteve apoio imediato de seus familiares e este foi um dos períodos mais turbulentos de sua vida. Rebeca teve problemas, após sua mãe contar para a família, principalmente, com seus tios que não aceitavam o fato de ter uma sobrinha transexual, mas, atualmente, acredita que eles não precisavam ter aceitado.

Sem o apoio de seus pais, que odiavam o fato de ter uma filha transexual, ao completar 16 anos, Rebeca começou a usar roupas femininas e iniciou seu tratamento hormonal. Mesmo com a falta de apoio e os efeitos colaterais dos medicamentos Rebeca nunca pensou em parar seu tratamento. Somente dois anos depois, ao passar no vestibular e mudar de cidade, a garota começou a ter apoio de sua família, que hoje tem orgulho da filha. Enquanto estava no ensino fundamental e no médio, Rebeca não tinha seu nome reconhecido. Foi proibida de usar banheiros femininos e se sentia desconfortável ao ser chamada no masculino. A estudante sofreu Bullying em sua escola, tanto por professores como por colegas de classe e isto a fazia não gostar de estudar. Continuar lendo

A imprudência no trânsito e suas sequelas permanentes

#OPINIÃO

Por Joyce Franco

Todo dia, nós vemos notícias sobre acidentes de trânsito. Seja na televisão, na internet ou em nosso bairro, isso é tão frequente que não causa mais impacto, até que acontece com alguém próximo a nós. A questão é que esses acidentes não deviam ser comuns, não deveríamos ter medo de beber e dirigir por perder a carteira de habilitação ou sermos multados, mas sim pela vida das pessoas que morrem diariamente em função dessas imprudências. Os acidentes de trânsito têm sido uma das maiores causas de morte no mundo, segundo o Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT), mais de 40 mil pessoas morrem por ano e cerca de 204 mil pessoas ficam feridas no país.

Enquanto a frota de veículos cresce diariamente, a cada dez minutos uma pessoa morre envolvida em acidentes de trânsito no Brasil, além disso, inúmeras ficam com sequelas graves. No ranking dos países que mais matam no trânsito, o país está em quinta posição, em 2015, o DPVAT pagou 42.500 indenizações por morte no país e 515.750 pessoas receberam amparo por invalidez. Em virtude disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incentiva os países a fazerem ações de prevenção, e conscientizar os cidadãos sobre a gravidade deste tema.  Continuar lendo