Peça europeia traduzida por Leminski estreia em Curitiba

Por Luísa Sampaio

A peça de teatro “Giacomo Joyce”, de autoria do aclamado romancista irlandês James Joyce, com tradução de Paulo Leminski, estreia hoje (20) no Teatro Novelas Curitibanas, com entrada franca. Além de encenar o texto adaptado,  o espetáculo trará referências de inovação estética com tradução em Libras, realizada por um membro do próprio elenco.

O diferencial bilíngue já é característico de todas as peças encenadas pela Companhia Flutissonante. Segundo Mariane Antunes, assessora de imprensa da companhia, as expectativas para as apresentações são as melhores possíveis. “O texto foi escrito e traduzido por dois escritores de grande importância na Literatura, o elenco está bem preparado e a versão em Libras, feita pelo Jonatas, demonstra a relevância que a Companhia dá para a inclusão, sempre trazendo a biculturalidade”, afirma.

A obra trata de temas recorrentes na literatura, como culpa e infidelidade. Segundo Maurini Souza, professora da UTFPR e especialista em teatro, James Joyce teve grande sucesso durante a década de 1930, pois ficou conhecido por ‘brincar’ com as diferentes linguagens e gêneros em todas as suas obras. “Ele escreve com fluxo de mente, assim como o Paulo Leminski. Isso faz com que seja extremamente pertinente trabalhar com um texto desses em Libras, para questionar a própria linguagem”, ressalta Maurini.

Cartaz da peça Giacomo Joyce (Fonte: Divulgação)

A Companhia Flutissonante dedica a peça a Claudete Pereira Jorge, atriz ícone paranaense que faleceu ano passado. A direção é de Octávio Camargo e elenco inclui Jonatas Medeiros – responsável pela tradução em Libras – e Helena de Jorge Portela. A peça ficará em cartaz até o dia 21 de maio.

SERVIÇO
“Giacomo Joyce” com tradução de Paulo Leminski
Data:  de 20 de abril a 21 de maio de 2017
Horários:  quinta-feira a sábado às 21h / Domingo às 19h.
Local: Teatro Novelas Curitibanas – Rua Presidente Carlos Cavalcanti, nº 1222 – São Francisco. Telefone: (41) 3321-3358
Entrada gratuita

Pedreira Paulo Leminski: um recomeço

Imagem

Phelipe Heinzen / Rondineli Oliveira (*)

Um dos principais pontos turísticos de Curitiba está de volta. Palco de grandes shows do cenário musical e cultural da cidade, a Pedreira Paulo Leminski, fechada desde março de 2008, por conta de uma ação do Ministério Público, recebeu no início de janeiro a liberação do juiz da 4ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, Eduardo Lourenço Bana, para reabrir e receber grandes shows.

A Pedreira havia sido interditada por conta de problemas apontados pelo MP-PR, e antes que houvesse a liberação por parte da Justiça, o local teve que passar por uma série de melhorias e por uma readequação completa do espaço.

A responsabilidade, tanto pelas obras, quanto pela administração do espaço, deixou de ser da Prefeitura, e passou a ser da empresa privada DC Set Eventos, que além da Pedreira, também administrará a Ópera de Arame e o Parque Náutico do Iguaçu. Continuar lendo

Cinemateca exibe mostra Iconoclássicos até domingo

Tainá Reis (*)

Está em cartaz da Cinemateca de Curitiba o festival Iconoclássicos. Trata-se de uma série de cinco filmes sobre os artistas brasileiros contemporâneos: Itamar Assumpção, Nelson Leirner, José Celso Martinez Corrêa, Paulo Leminski e Rogério Sganzerla.

Todos eles são referências importantes no contexto da produção cultural, e suas obras são um legado para as novas gerações. Os filmes estão em exibição desde quarta-feira (24) e vão até domingo (28), sempre em com duas sessões por dia, a primeira às 18h e depois às 20h. A entrada é franca. Continuar lendo

“Toda Poesia”, sucesso de vendas, reúne o melhor e o pior de Leminski

"Toda poesia" já vendeu 20 mil exemplares

“Toda poesia” já vendeu 20 mil exemplares

Marcelo Lima (*)

Conheci a poesia de Paulo Leminski (1944-1989) nos anos 1980, e topei com o dito-cujo no feriado de Carnaval de 1989, em Tibagi, minha terra natal. Leminski foi ciceroneado na cidade (sobre a qual fez um poema singelo, publicado em “La vie en close”) pela cineasta Berenice Mendes, a Bere, sua última companheira, amiga dos meus irmãos.

Ele pulava as marchinhas tibagianas, desajeitado, simpático. Mas não tinha nada a ver com o clima: parecia tristonho, um sorriso meio de despedida, far away eyes, como a música dos Stones. Meses depois deparei com a notícia da morte dele, por hemorragia no esôfago, causada por alcoolismo. Continuar lendo