A fantasia da cura gay

Reportagem Especial

Em situações com a do caso sobre a “cura gay”, o preconceito disfarçado vem disfarçado de preocupação social

Por Jessica de Freitas, Júlia Duda, Kaissa Frade, Nathaly Iara e Sara Takatsuki

 

Em definição, de acordo com o dicionário Houaiss, Homofobia é “Rejeição ou aversão ao homossexual e à homossexualidade”. Já na prática, para além disso, essa expressão se efetua também como a principal causa de discriminação e violência contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros; melhor dizendo, a classe denominada LGBT.

Dentre as diversas discussões sobre o termo, é no âmbito político que alguns projetos de lei – lei Anti-Homofobia (PL122/06), Programa Escola sem Homofobia: “Kit Gay”, reconhecimento de casais homoafetivos e a recente aprovação da liminar da “cura gay” – evidenciam as contradições que se propõem a respeito desses indivíduos. Um bom exemplo disso é a concessão de uma liminar judicial, feita no dia 15 de setembro deste ano, pelo juiz Waldemar Cláudio de Carvalho – da 14ª Vara do Distrito Federal – que permite psicólogos realizarem legalmente tratamentos de reversão sexual.

Nesse contexto, o debate acalorado que a liminar causou entre os militantes e simpatizantes com a causa e os políticos que propuseram tal projeto de lei, foi o que alavancou uma pesquisa aprofundada sobre qual seria a taxa de LGBTs na sociedade. Em entrevista para a Carta Capital, o coordenador do Departamento de Ciências Humanas e Educação na UFSCAR, Marcos Vieira Garcia, deixa claro que cerca de 30% dos jovens em situação de rua no mundo são LGBT e, que essa taxa é superior à de LGBTs na sociedade. Esse número elevado seria reflexo da expulsão domiciliar que muitos dessas pessoas sofrem de seus familiares. Sendo visto ainda como um tabu nos lares brasileiros, a intolerância e violência com que essa comunidade se depara só vem sendo debatida e exposta nos últimos anos.

Relatos

Imagem 01 - Marina Persegani foto por Leonardo Duda

A fotógrafa e ativista Marina Persegani (Foto: Leonardo Duda)

Marina Persegani (19) – fotógrafa em Curitiba e estudante – e Lara Senger (20) – acadêmica do curso de Ciências Sociais na UFPR (Universidade Federal do Paraná) – integram o coletivo de juventude RUA (Juventude Anticapitalista) e fazem parte ativamente na luta da comunidade LGBT.

Persegani, que é homossexual, conta que sofreu e ainda sofre com numerosas cenas preconceituosas. A fotógrafa disse que já chegou a ouvir de professores o quanto ser lésbica era nojento e desrespeitoso na comunidade acadêmica. Senger também relata que a discriminação em sua vida é um fato cotidiano, e isso faz com que a jovem tenha receio de sair em locais públicos com sua namorada: “Eu enquanto mulher lésbica não posso andar na rua com a minha namorada sem receber olhares de reprovação e escutar os mais diversas insultos e agressões morais possíveis, na maior parte das vezes de homens”.  Continuar lendo

UFPR realiza o I Simpósio da Diversidade Sexual em Curitiba

Por Vitor Ilha

Começou, nesta quinta-feira (17), no Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o I Simpósio da Diversidade Sexual. A data foi escolhida em virtude do Dia Internacional contra a Homofobia, que se comemora no dia 17 de maio. A criação e organização do evento ficou por conta do grupo “ATP – Alguém te perguntou?” – criado por alunos de direito da UFPR.

De acordo com Angela Botario (22), aluna de direito na UFPR e uma das organizadoras do simpósio, o objetivo do evento é permitir a discussão a respeito de assuntos LGBTT para a faculdade. “Ainda existe um preconceito latente na vida dos acadêmicos e muitas pessoas não tinham aonde recorrer para falar sobre a violência sofrida pela comunidade dentro das universidades”, justifica Angela.

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Mesa de palestrantes do 1º painel do Simpósio (Foto: Vitor Ilha)

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