Curitiba no buraco

TEXTO DE OPINIÃO

Emanoelle Santos (*)

Uma cratera se abriu na Praça Carlos Gomes na madrugada da ultima terça-feira (21) para quarta-feira (22) no centro de Curitiba. O buraco engoliu um banco e não deixou feridos, apenas um alerta: a coisa está feia.

Como se não bastassem todos os imprevistos e surpresas dos últimos meses, como o tantinho de descaso político, outra medida de caos no governo e mais um pouco de corrupção, a natureza também resolveu entrar na baderna e deixar o seu buraco, que pelo visto, é muito mais embaixo.

De passo em passo, caminhamos rumo ao abismo. A coitada da chuva nada tem a ver com a crise, tampouco com o pedido de prisão da senadora do Estado (feito hoje, por sinal), apenas foi cúmplice da calamidade pública.

Com menos 24 horas do incidente, já foi dada a largada aos reparos. De um lado, os preocupados com os danos físicos e ambientas, de outro, aqueles que aproveitaram da situação para estímulo político, e no meio, nós, que assistimos de camarote, ou do ponto de ônibus, o estrago do momento.

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

 

A Cortina Caiu

TEXTO DE OPINIÃO

Luciano De Marchi Mello (*)

O texto assinado por Rubens Valente e publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, na última segunda-feira (23), trouxe fatos novos para a atual conjuntura. Transcrições de uma conversa telefônica entre Romero Jucá (PMDB-RR), ministro interino do Planejamento, e Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro (subsidiária da Petrobras) sugerem que o impeachment da presidente Dilma Rousseff teria como foco barrar as investigações da operação Lava Jato, antes que ela atingisse a cúpula tucana e peemedebista.

Em um dos pontos altos da conversa, fica clara a preocupação de que muitos investigados, entre eles grandes empresários da construção, aceitem participar da delação premiada após a decisão do Supremo (de fevereiro deste ano) de efetivar as prisões a partir da segunda instância. Veja o recorte feito pela “Folha”:

MACHADO: Acontece o seguinte, objetivamente falando, com o negócio que o Supremo fez, vai todo mundo delatar.

JUCÁ: Exatamente, e vai sobrar muito. O Marcelo e a Odebrecht vão fazer.

MACHADO: Odebrecht vai fazer.

JUCÁ: Seletiva, mas vai fazer.

MACHADO: Queiroz não sei se vai fazer ou não. A Camargo (Corrêa) vai fazer ou não. Eu estou muito preocupado porque acho que… O Janot (procurador-geral da República) está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho.

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DESCER A RAMPA É IMPORTANTE

TEXTO DE OPINIÃO

Samuel Gonzaga (*)

 A presidente Dilma fez isto na última terça-feira à noite, após receber mulheres militantes em seu gabinete, ela desceu a rampa do Palácio do Planalto e conversou com outras centenas de mulheres que estavam a sua espera. Conforme palavras da presidente, ela afirmou que sentia-se de “alma lavada”.

Isso me levou a reflexão de quão importante e simbólico foi esse ato. Afinal, em um dos momentos mais turbulentos da democracia brasileira, onde a imagem do Partido dos Trabalhadores (PT) está bastante arranhada e a Presidente enfrenta um processo de impeachment enquanto despenca em índices de aprovação, um ato como esse mostra o tipo de alento que o governo Dilma deveria ter buscado nos últimos seis anos. Um alento popular, de pessoas que acreditavam que, de fato, ela daria continuidade aos progressos conquistados no governo Lula – esse, inclusive, dono de um carisma que Dilma não tem.

A presidente se afastou daqueles que a elegeram, passou a governar de maneira distante, agindo dentro de em um casulo em que estavam ela, seus assessores, seus ministros e nenhuma representação popular significativa. Isso feriu e muito sua reputação, além, é claro, de sua incapacidade administrativa. Dilma provou, nos últimos, que não era a pessoa certa a ocupar o cargo de Presidente da República.

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Política de pão e circo

TEXTO DE OPINIÃO

Josimar Aguiar (*)

Estarrecedora, a palavra que resume a tarde e noite do último domingo no cenário político nacional. Para onde se ia os olhos estavam voltados para o futuro do país.

Considerar legal o ato que visa destituir do poder a presidente da República – por favor, é presidente a não presidenta -, até pode ser aceitável, pois em uma nação utópica esta realidade não deveria ser aceita, as tais pedaladas seriam algo absurdo. Mas o que falar de todo aquele teatro que pode ser visto na Câmara dos Deputados, quando nossos representantes desenharam um espetáculo, mais uma vez, produzido para trazer ao cidadão a sensação de não ser representado.

E vamos falar sério: nenhuma expressão encaixa-se melhor para definir o espetáculo que a palavra CIRCO.

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A TRAGÉDIA DE 1964 E A FARSA DE 2016

Luciano De Marchi Mello (*)

Nas últimas semanas, a fragilidade política brasileira foi escancarada. Se por um lado setores da sociedade acreditam que a saída da presidente Dilma Rousseff resolveria boa parte dos problemas, outros defendem que o que está em jogo é a democracia e o respeito, fundamentalmente, ao Estado Democrático de Direito, que estaria em vias de sofrer um golpe de Estado. Mas afinal, o que é um golpe de Estado?

Golpe de Estado pode ser caracterizado pela derrubada ilegal de um governo democraticamente estabelecido por meio de um processo constitucional. O uso da força, apesar de muito comum (como aconteceu no Brasil em 1964 e em outros países da América Latina), não é um requisito obrigatório. É possível conceber um golpe de Estado pelo viés jurídico, por exemplo, bastando que a própria Justiça haja de maneira ilegal. O golpe pela perspectiva jurídica, inclusive, acarreta menos prejuízo à imagem de seus atores, diminui as chances de uma convulsão social e transmite à população uma pretensa legitimidade do processo, produzindo os mesmos resultados. Continuar lendo