Ansiedade afeta 19 milhões de brasileiros, diz OMS

O transtorno bipolar é caracterizado por duas fases: a depressão e a mania / Foto: Isabela Nizer

O Brasil é o país com a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo e o quinto em casos de depressão. O registro é de que 9,8% da população sofre de ansiedade, ou seja, 19 milhões de brasileiros. Estes dados estão disponíveis no relatório global de transtornos mentais divulgado em 2017 pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os homens configuram o público com menor número de diagnósticos desses transtornos, o que pode ser explicado culturalmente. Eles são mais resistentes à busca por tratamento médico e por acompanhamento psicológico, tendo dificuldade em falar sobre tristeza, depressão e ansiedade.

Muitas pessoas adiam a primeira ida ao psicólogo e pedem receitas de remédios antidepressivos, mascarando sintomas da ansiedade em vez de combater suas causas e gatilhos. É comum conviver com pessoas que se automedicam com frequência para realizar atividades rotineiras como dormir ou manter-se acordado.

É preciso combater a desinformação sobre o assunto – como as ideias de que depressão é apenas uma tristeza passageira e de que ansiedade é um problema normal –, e também o preconceito.

Frases como “psicólogo é coisa de louco”, “é frescura”, “é dinheiro jogado fora” são recorrentes na sociedade brasileira. Apesar de reconhecida a importância do tratamento psicológico pela ciência, a terapia ainda é vista como um luxo e exclusiva para casos extremamente graves.

O  psicólogo Dionardo Lopes, que atualmente atua na área de psicologia educacional, afirma não possuir muitos pacientes homens e, segundo ele, isso se dá pelo fato de que “o homem acredita que pode resolver seus traumas sozinho”. Também diz que se criou uma ideia de que a terapia é um sinal de fraqueza e isso faz com que os homens só busquem ajuda quando “encontram-se intoxicados e paralisados em seus lixos emocionais.”

Para o psicólogo, o preconceito contra a terapia pode vir da religião (que busca resolver as questões mentais por meio de rituais, com a finalidade de aniquilar as perturbações) e também da cultura (a qual afirma que terapia não é coisa para “normais”, e sim para internados, chamados de loucos).

Dionardo destaca que muitos que procuram atendimento psicológico permanecem por duas ou quatro sessões. Depois disso, eles deixam de ir, afirmando não possuírem os recursos financeiros necessários e abandonam a terapia.

Ainda há uma resistência em cuidar da saúde mental. Especialistas creem que a base do preconceito está na separação entre a saúde mental e a saúde física. A OMS, no entanto, afirma que saúde é “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não somente a ausência de afecções e enfermidades”.

Ao contrário do que é pensado, não se deve procurar ajuda apenas em casos graves. Deve-se buscar ajuda quando há alguma questão que preocupa excessivamente, quando a pessoa começa a descontar no café, no álcool, no cigarro ou até mesmo na comida. É preciso pedir socorro quando há alterações na rotina e nas relações interpessoais.

Irritabilidade, insônia, baixa produtividade, oscilação do humor e falta de concentração são alguns dos sintomas que o psicólogo afirma que podem ser indícios de problemas em relação à saúde mental. Com identificação desses sintomas e com a busca por terapia, o indivíduo passa a se conhecer e, a partir do momento em que a mente torna-se saudável, o corpo torna-se saudável também.

Diante de dados tão significativos a respeito da ansiedade e depressão no Brasil, é possível que você conheça alguém que sofra com algum desses transtornos. Apesar da versão unipolar ser a mais comum, ela também pode se manifestar junto ao transtorno bipolar: é a chamada depressão bipolar. Segundo os dados mais recentes da Associação Brasileira de Psiquiatria, aproximadamente 4 milhões de brasileiros sofrem com o distúrbio.

Esse é o caso do A.N. (que preferiu não ser identificado). Aos 52 anos, foi diagnosticado com transtorno bipolar, caracterizado por duas fases: a depressão e a mania, os episódios de euforia.

A mania é caracterizada por exaltação, excesso de energia, aceleração do pensamento, irritabilidade e mudanças bruscas de humor. Os quadros depressivos podem ser de intensidade leve, moderada ou grave, tendo uma duração variada: de semanas até anos.

No caso de A.N., cada uma das fases dura em média de 1 a 2 meses. Ele afirma que começou a ter sintomas fisicamente muito difíceis de se lidar: “Quando está muito grave, assim, começa a tremer, a dar choque nos pés. Você não para nem em pé e nem sentado. Você quer fugir dessa situação, mas não consegue.”.

Após três anos de seu diagnóstico, A.N. explica que foi difícil para ele tomar a decisão de procurar por ajuda, pois “Doença mental tem uma conotação meio bizarra, de louco.” Ainda diz que muitos conhecidos seus, até mesmo irmãos, chegaram a dizer que seu diagnóstico era frescura. 

Ele conta que, aparentemente, não sente diferença ao sair de uma consulta com seu psicólogo, porém, segundo o psicólogo Dionardo, a terapia possui sua importância, pois auxilia no autoconhecimento e proporciona uma visão preventiva e diferenciada das situações da vida – além do fato de que “conhecer novos comportamentos e alternativas torna os dias mais coloridos”. 

(Augusto de Paula Souza, Dhandara Emmanuelly Messias, Gabriele Melo Leonardi dos Santos, Isabela Nizer, Jéssica de Fátima Pacheco do Nascimento, Lucas José Neves).

Serviço

Para atendimento psicológico gratuito:

CAPS Curitiba

Boa vista – (41) 3363-0492

Portão – (41) 3333-1978

Bigorrilho – (41) 334-02192

Boqueirão – (41) 3278-2494

CIC – (41) 3285-1126

Santa Felicidade – (41) 3340-2192

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