Um agente em expansão

Renata Klaine

Ser um professor.

Para Ademir Grein Gualberto todo dia acontece uma coisa diferente que o faz querer acordar cedo. O desafio é arranjar tempo para dar toda a atenção que os alunos merecem.

Na escola particular há mais presença dos pais, ele diz. Isso faz uma diferença imensa na educação das crianças, além da qualidade de ensino.

Seu diferencial mais presente é procurar ser amigo dos alunos, descer para o nível deles para os cativar. Pois assim como qualquer outra pessoa eles querem ser reconhecidos. É muito raro uma pessoa que gosta de mudar de ideia, como disse Ademir, mas ele gosta. Porém não procura atacar a decisão dos outros: “Eles se sentem menos eles”.

No dia em que foi entrevistado, o professor contou que ocorreu uma gincana e uma eleição para ver qual era o melhor vídeo, os alunos disseram:

– “Não votem no 2 ano porque eles vão passar da gente!”

– “Cara, vocês irão votar para os caras não ganharem ou votar porque o vídeo é bom?!” – repetiu sua fala.

Esse é um exemplo das diárias abordagens sociais, todo dia uma coisa que ele como professor pode ensinar, como Ademir comentou.

Ele diz que os alunos ainda estão desenvolvendo uma percepção e uma visão de mundo maior, um conhecimento maior, estão se preparando para assumir o papel deles na vida e que é muito gratificante fazer parte desse processo de formação.

É uma profissão que o faz criar muita fé na humanidade.

Quando questionado sobre seu trabalho na África, ele responde:

– “Moçambique, eu sou eu mesmo lá.”

Aqui no Brasil Ademir é presidente de um grupo de escoteiro, é proprietário da The Way – sua escola de línguas -, é professor, participa de uma banda e é treinador de basquete. Ele não deixa de fazer essas coisas na África, mas lá atua com o Orfanato de Inhambane e agora com uma comunidade vítima de um ciclone. Seu ato solidário pretende tornar a vida dessas pessoas um pouco melhor, ainda que em alguns anos consiga ir apenas duas vezes.

Mas afinal, quem é Ademir Grein Gualberto?

Sua resposta?

– Eu sou… – disse apenas.

Para ele, a partir do momento que você se define, você se “fine” (torna-se finito), “somos agentes em expansão”, diz ele.

Quanto mais você sabe, menos você sabe. E assim diz ser o que acontece quando o aluno entra no cursinho pré-vestibular, pois quanto mais ele aprende mais ele sabe o quanto não sabe.

Costumava ser muito inseguro, se pudesse dar uma dica para seu eu de antes, seria “Vai cara, vai dar certo, confie em si mesmo!”

Ele diz parecer um cara legal, mas no fundo não sabe se realmente é. “Tudo que eu falava eu tentava viver”, declarou em relação aos conselhos que dava.

O universo cria os elementos de expansão, quem passa na vida de Ademir o expande.

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