Roger Waters homenageia Marielle Franco em turnê brasileira

mariele

Isabella Moura

Marielle Franco, vereadora carioca executada por motivos políticos no dia 14 de março, recebeu homenagem do músico Roger Waters em sua apresentação no Maracanã, Rio de Janeiro, nesta quarta (24). O britânico chamou ao palco a filha da vereadora, Luyara Santos, a irmã Anielle Franco e a viúva Mônica Francisco.

A banda inglesa Pink Floyd – de que Roger Waters foi um dos fundadores – é conhecida internacionalmente pelas suas fortes críticas aos sistemas abusivos de governos e guerras ao redor do mundo. Sempre se posicionando contra o autoritarismo, Waters proporciona um show como ato de manifestação política. Durante sua turnê brasileira, o músico, que está em carreira solo, tem se manifestado contra a candidatura de Jair Bolsonaro do PSL (Partido Social Liberal). 

O público não foi indiferente quanto a sua resposta. Uma parcela vaiou o músico pelo seu posicionamento, e outra aplaudiu, gritando: “Ele Não”, frase que ficou marcada como símbolo da oposição ao candidato.

Waters declarou em seu primeiro show em São Paulo: “Vocês têm uma eleição muito importante daqui a três semanas. Sei que isso não é da minha conta, mas devemos sempre combater o fascismo. Não dá para ser conduzido por alguém que acredita que uma ditadura militar pode ser uma coisa boa.”

Em seu telão, o repúdio à misoginia, fascismo, militarização, antissemitismo e racismo ficam claros devido a uma série de mensagens.

Em seu show no Rio de Janeiro, o britânico decidiu ir além. Homenageou a vereadora  Marielle Franco, assassinada brutalmente com 13 tiros quando voltava de um evento com jovens negras, um caso ainda não solucionado pela polícia e pelo governo brasileiro. “Marielle Franco acreditava nos direitos humanos como eu acredito, mas infelizmente nem todo mundo acredita”, afirmou Roger Waters.

Os antecedentes políticos de vereadora são vastos. Eleita no Rio de Janeiro pelo PSOL com 46.502 votos e também presidente da Comissão da Mulher da Câmara, Marielle representava e lutava por uma parcela da população pouco reconhecida.

Defendia uma nova política de drogas, o feminismo, as favelas, os negros, LGBT+… Tabus da sociedade que incomodam quando vistos pela perspectiva errada. A pergunta nunca respondida ainda ecoa na voz de militantes e ativistas: “Quem matou Marielle Franco?”

A família da vereadora protestou durante o show contra a demora no esclarecimento do assassinato e exige justiça. “São 224 dias sem resposta. Não há democracia enquanto o Estado brasileiro não responder quem matou Marielle Franco”, exclamou a viúva Mônica Francisco.

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