Malandra ou princesa? Sabrina, a controversa

Sabrina fala sempre em receber o Oscar das mãos de Fernanda Montenegro – Foto: Jorge Franzoni

Luis Felipe Gama Barros

Vez ou outra, quando me sinto demasiado “normal”, penso que poderia ser mais ousado, vibrante, louco ou até mesmo inconsequente. Daí me vem à cabeça uma figura que tem todas essas características, que não sei bem se me parecem defeitos ou qualidades. Sabrina Marques, ou a “Sá” como costumo chamá-la, é dessas personalidades incomuns que encontramos em alguma fase da vida e nunca mais esquecemos. Dona de um espírito ansioso e enérgico, ela preenche qualquer ambiente no qual se faz presente. A entonação da sua voz grave e seus exagerados gestos corporais somando-se ao seu 1,75 metro de altura enfatizam sua vigorosa personalidade.

Apaixonada pelo teatro e seus processos, Sabrina entrega-se de corpo e alma quando está atuando no palco ou quando está experimentando os limites da mente e do corpo em pesquisas teatrais durante as aulas semanais que ocorrem na Universidade Federal do Paraná. Sempre que a vejo atuar, me pergunto se aquela em cena é a Sabrina ou é algum tipo de entidade que baixou exclusivamente para aquele momento espetaculoso, mas logo que ela dá alguns indícios de que ainda é consciente daquele corpo, desisto das minhas teorias e volto a assistir a peça sem que nenhum julgamento misterioso tire a minha atenção. Lembro que ainda sou um pouco leigo no que diz respeito ao teatro e procuro, então, entender melhor.

Apesar dos 23 anos, Sabrina tem idade mental de 30 ou mais. Mora com o companheiro Daniel, vulgo “Falca”, em um apartamento que possui um pouco mais de 50 metros quadrados, no centro de Curitiba. Como os ensaios de teatro são à noite, pela manhã ela costuma dar aulas de informática para idosos, às terças, e de teatro para crianças, às quartas e quintas.

Já morou em vários lugares e estados do Brasil devido ao emprego do pai. Houve uma época em que viviam como nômades, chegando a viver por quase dois meses na estrada e dormindo dentro de um carro, que acabou virando uma casa improvisada. Por conta das constantes mobilidades, Sabrina cresceu sem grandes amigos de infância, tendo que se recompor rapidamente às mudanças emergenciais. Talvez, devido a este fato, a impressão é de que ela sempre acha uma solução rápida para solucionar problemas e adversidades que surgem no cotidiano.

As contradições, assim como em todos nós humanos, habitam a mente de Sabrina, só que de uma forma voraz. Há certos dias em que é muito perceptível notar um esplendor capitalista e calculista quando ela começa a falar sobre em como quer muito ficar rica a qualquer custo não importa o que aconteça, porém no dia seguinte compartilha ideias bucólicas ou falando que acordou cantarolando com as plantas da sua janela, dando bom dia para o sol para as nuvens e tudo mais o que for visível e lembra da vida simples que levara no sítio da avó e de como queria voltar a viver por lá. Disse que ela deveria reorganizar melhor os pensamentos e de que parecia uma louca. Me afastei fazendo de conta de que aquilo pudesse ser contagioso, ela deu de ombros.

As incoerências também fazem parte do seu estilo de vida. Há dias em que não tá nem aí para combinações       de roupas, veste o que der na telha sem se importar com o que os outros dirão, mas no Instagram é seguidora de quase todos os ícones fashion do momento, como: as irmãs Kardashian, Beyoncé, Ludmilla, Anitta etc… Não pode ver um brechó novo que já vai entrando e garimpando tudo. Ela, vez ou outra, se autointitula como hippie de Prada. Acho essa fala um barato.

Nas histórias contadas por Sabrina, nada parece ser efêmero – tudo parecer resistir mesmo nas intempéries do tempo. Por vezes, tenho a impressão de que por conta do teatro Sabrina parece lidar melhor com as situações da vida de forma muito positiva, raramente a vejo com um semblante enfadonho, porém sei que nesta vida nem tudo dura muito, e então de vez em quando ela mostra sua vulnerabilidade, é uma fragilidade bonita de se ver, tão bonita que acho que chega a ser teatral demais. Esqueço às vezes de que, fora do palco, a Sabrina também chora, ri, tem fome, tem contas, tem coração. Seu maior sonho é ganhar o Oscar. Meu Deus, não há um dia em que ela não fale neste bendito Oscar e de como quer está vestida quando receber das mãos da Fernanda Montenegro a tão desejada estatueta dourada! Sonhos ou não quando Sabrina fala das suas aspirações ela te faz crer que a vida pode ser melhor e mais bem vivida não só no palco, mas também fora dele também. Faz crer que o personagem da vida real somos nós mesmos, sem idolatrias, sem imitações com aplausos ou não, apenas bem consigo mesmo.

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