O dia em que ganhamos nosso primeiro prêmio universitário

Thais, Luiz e Juliana: premiação de trabalho do primeiro semestre – Foto: Gabriel Abreu

Juliana Borba de Lemos

Lembro-me exatamente da minha primeira aula da disciplina de Comunicação e Criatividade. Estava na primeira semana de aulas do meu primeiro período da faculdade de Comunicação Organizacional. A professora explicava sobre o trabalho que seria desenvolvido ao longo do semestre, e eu olhava a projeção do conteúdo na parede, incrédula e pensativa sobre como eu iria passar por ele sem grandes dramas. Era um trabalho sobre as comunicações na cidade ou da cidade de Curitiba, a capital mais fria do Brasil e município que abriga um dos campus da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, instituição onde estudamos.

“E agora?”, pensei. Sou paulistana de raiz. Nascida e criada na maior (e mais legal!) cidade do país. Além disso, eu era recém-chegada na capital paranaense. Fazia uma semana que eu havia me mudado. Não sabia nada sobre Curitiba a não ser o caminho entre a faculdade e a minha casa. Foi então que umas das integrantes do meu grupo, a Thais, teve a brilhante ideia de batermos um papo com o pessoal que faz lambe-lambe por aqui.

Lambe-lambe. Isso mesmo. A arte de colar cartazes na rua com um pincel, goma arábica (ou cola caseira de farinha de trigo!) e coragem injetada na veia.

O lambe nasceu no século XIX, época em que a impressão em massa, a chamada imprensa, passou a ser produzida em escala industrial. Esse processo era utilizado para disseminar informações pela cidade, como peças publicitárias, eventos e informações políticas.

Hoje, mais de 100 anos depois, os lambes permanecem: a impressão tornou-se mais acessível, e os meios de comunicação também. Além disso, o lambe assumiu um tom mais político e artístico.

Em nossos papos e pesquisas, Carolina Funés, uma das artistas de rua que contribuíram com nosso trabalho, contou que pinta mulheres gordas, feministas e fora do padrão. E as paredes da cidade têm como função refletir a liberdade da artista. Ela ainda afirmou que se sente livre quando participa da cidade dessa maneira, e faz com que a arte na rua contribua para a inclusão social, já que as galerias de arte são ambientes mais elitizados.

Foram longas jornadas noturnas (e diurnas!) acompanhando os artistas colando lambes na região central de Curitiba e aprendendo muito sobre essa arte e sua importância. O resultado desse trabalho foi um minidocumentário: o “CWB pelas paredes”. E, apesar de ser mini, completo e incisivo. No dia da apresentação para a professora da disciplina, os artistas foram até a universidade nos prestigiar. E como nos sentimos gratas! Terminamos o semestre com aquela sensação de alívio e dever cumprido.

Mas a surpresa veio um ano depois. No mês de junho, um dos períodos do curso organizou o primeiro Festival Universitário de Audiovisual (MOVA), e incentivou todas as turmas a inscreverem seus melhores vídeos para concorrer a um prêmio. Inscrevemos o “CWB pelas paredes”, mas sem grandes pretensões. No dia da premiação, chegamos ao local e estavam presentes grandes produtoras de filme da cidade e instituições renomadas da área de comunicação e audiovisual, como a Asteroide, Cinesystem e RedHook. Além disso, tinha vários patrocinadores e um deles era a RedBull, que distribuiu a bebida aos que estavam presentes no evento. Não imaginávamos que teria essa dimensão. Tinha muita gente boa lá concorrendo. Começaram a anunciar os vencedores das categorias, e no “Melhor Documentário” éramos nós. Levantamos, catatônicas, para receber o prêmio. Não sabíamos nem o que falar. A surpresa foi enorme.

Mas o que levo de lição desse dia não foi o certificado de vencedoras do prêmio. Não foi a estatueta parecida com a do Oscar. Não foi o desconto que ganhamos nos cursos da Asteroide. Não foi a surpresa e a alegria de recebê-los. Foi, na verdade, ter sido um trabalho que elaboramos nos nossos primeiros meses de universidade. E que se buscarmos sempre fazer algo de que gostamos e com pessoas que gostamos, o sucesso é iminente.

Obrigada Luiza e Thais pelo trabalho! Obrigada a todos os envolvidos!

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