Slow fashion aposta em moda socialmente responsável

Katrina Sofia

Você já ouviu falar de slow fashion? Essa é uma tendência que surgiu para se opor ao conceito de fast fashion – moda rápida com produção em massa e a preço baixo, adotada pelas grandes redes pelo mundo afora. Por mais que você não conheça essas duas ideias, elas estão presentes na sua vida, afinal, você está usando roupa, não é? A roupa que você veste tem tudo a ver com o que vamos falar aqui.

A slow fashion é ligada à sustentabilidade. Ela se inspirou no movimento slow food, com a ideia de propagar para as pessoas o consumo consciente, sem velocidade de produção e com mais qualidade. A slow food, conceito criado na França, propõe que a comida seja produzida e consumida a partir de ingredientes locais, selecionados, baseados nas tradições culturais e que valorize o trabalhador envolvido em sua cadeia produtiva.

Já o conceito da slow fasion foi criado em 2008, pela britânica Kate Fletcher, consultora e professora de design sustentável. Sob esse conceito, as peças confeccionadas são atemporais e geralmente são produzidas próximas ao local onde serão vendidas. Com isso, o consumidor tem condições de saber como ocorre o processo de confecção, estando mais atendo a formas de produção consideradas antiéticas – como o uso de mão de obra infantil, a exploração de imigrantes, o não pagamento de direitos trabalhistas ou o uso de poluentes.

A produção das roupas da slow fashion usa tecidos com fibra natural, que decompõem com maior facilidade. Os designers adotam um estilo próximo ao minimalista, não no sentido estético, mas com a ideia de ser mais simples e proporcionar o essencial.

Algumas marcas em Curitiba já trabalham com esse valor.  A Ecoorgânica, loja de roupa sustentável, produz peças com tecidos à base de fibra de cannabis. Mas calma: não dá para fumar não – 50% da composição é fibra com mistura de outros materiais, sem cheiro.

É importante pensar na produção das roupas, pois é nessa fase que se concentra a possiblidade de que algo está sendo feito de forma errada – do ponto de vista social ou ambiental.

A preocupação com a sustentabilidade é o diferencial de muitas marcas, atraindo mais consumidores e melhorando a imagem da organização. O conhecimento dos três pilares da sustentabilidade (econômico, social e ambiental) e a relação entre eles é a base do sucesso da slow fashion.

“Normalmente envolve práticas mais manuais – com o referencial dos ofícios de artesãos, sapateiros, costureiros, marceneiros. São produtos desenvolvidos a fim de sanar uma necessidade e não criar impulsos de compra para gerar mais lixo”, afirma a ecodesigner de moda Aline Balbino, de 29 anos, que trabalha com costura sob medida.

Aline defende que é importante que o consumidor conheça a origem do produto que está comprando. “Se você está pagando barato, alguém está pagando caro”, diz ela, referindo-se à precarização dos processos de trabalho na cadeia produtiva da moda no mundo todo como forma de compensação no preço final das mercadorias. Ela afirma que, com a slow fashion, o consumidor tem mecanismos de contribuir para que o setor da moda seja mais sustentável ecológica e socialmente: “O seu poder de compra é uma forma de atitude”.

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