E se te dissessem que gordura não é sinônimo de doença…

Ana Luiza Leite

A obesidade está associada a inúmeras doenças. De acordo com o Ministério da Saúde, atinge mais de 2 milhões de pessoas somente no Brasil e é tratada como um caso de saúde pública pelos governos e médicos. Sendo sempre mostrada como uma vilã, ela amedronta. E é aí que nasce a gordofobia.

Gordofobia é caracterizada pelo medo, aversão e preconceito contra pessoas gordas. O termo é novo e surgiu de um movimento que tenta desestigmatizar essa população. De acordo com a pesquisa Skol diálogos e IBGE, de 2017, 92% dos entrevistados sentem preconceito com relação ao corpo, provando que estes estigmas são fonte de preconceito.

Uma pesquisa realizada na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) em 2013 aponta que mulheres obesas têm 50% menos chance de frequentar o ensino superior, recebem 9% a menos que mulheres não obesas, têm 20% menos chances de se casar e 7 vezes mais chances de terem depressão.

Além disso, muitos mitos cercam esse assunto. Achar que uma reeducação alimentar e exercícios físicos resolveriam o problema é não compreender o que leva uma pessoa ao sobrepeso. Falta de sono, condições socioeconômicas, efeitos colaterais de medicamentos, desequilíbrio hormonal, genética, saúde mental e até mesmo poluição do ar podem causar aumento do peso.

Um dos maiores problemas que levam a essa incompreensão é a forma como se classificam as pessoas com sobrepeso ou obesidade. O IMC, índice de massa corporal, não explicita a condição da saúde do indivíduo e impõe que este não está no ideal. O problema é que nem sempre alguém gordo está doente, como aponta o IMC.

A pressão da sociedade sobre os corpos é só mais um sintoma da gordofobia. De acordo com uma pesquisa do IBGE de 2015, uma em cada cinco meninas de 13 a 15 anos se acha gorda ou muito gorda e 72% dos alunos entrevistados (2,6 milhões no total) estão insatisfeitos ou muito insatisfeitos com seu corpo.

Essa é só mais uma prova das consequências psicológicas que a gordofobia exerce na vida das pessoas. A estudante Luiza Ozaki, 19 anos, diz que até os 16 era paranoica com seu corpo, se comparava sempre com as suas amigas e acreditava que ninguém iria gostar dela devido às características de seu corpo. Ela diz que o processo de aceitação foi difícil e que todo dia fala para si mesma que “não precisa seguir o padrão e que é linda desse jeito”. “O importante é eu ficar bem comigo mesma”, comenta.

A estudante Fabiana de Souza, 19 anos, entrou para o ativismo há pouco tempo e conta como é difícil se aceitar: “Eu tenho confiança zero sobre meu corpo, não uso roupas justas, regatas que mostram o corpo, e até shorts e saias por causa das celulites. Já deixei de ir para viagens com amigos, só pelo medo de ficar de roupa de banho, na frente de todo mundo”. Ela complementa dizendo que este é um problema que está fortemente enraizado na sociedade e que a mudança é necessária.

“As pessoas sofrem todos os dias. A gordofobia é um problema social, e não de saúde pública. É disfarçado de preocupação, mas você percebe isso na pele. O mundo não está preparado para aceitar as pessoas gordas. Não há cadeiras adaptadas nos aviões ou cinemas e passar nas catracas dos ônibus é um desafio à parte. Isso precisa mudar”.

“O processo de aceitação é uma batalha diária, mas compreender que não há nada de errado com você é o primeiro passo. Não se pode esquecer que a prática de atividades físicas e uma alimentação balanceada são recomendadas a todos, independente de IMC, peso ou aparência”, diz a nutricionista Amanda Mendes.

Ela ainda pontua que muitos casos de anorexia, bulimia, vigorexia (abuso de exercícios físicos), ansiedade, compulsão e depressão poderiam ter sido evitados se a gordofobia e a autoaceitação fossem tratadas desde sempre nas escolas, onde muitos desses distúrbios se iniciam.

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