Depressão atinge 8% das crianças, segundo OMS

Kelvin Morais Bomfim

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, no mundo, o índice de crianças entre 6 e 12 anos diagnosticadas com depressão saltou de 4,5% para 8% na última década. Para a medicina, a depressão infantil é uma patologia relativamente nova. Foi somente nos anos 1970 que passou a ser reconhecida na literatura. Antes disso, os casos eram considerados raríssimos ou inexistentes e até mesmo ignorados.

Adultos e crianças com depressão podem apresentar diversos sintomas, entre eles: alteração no sono, no humor, no ânimo, cansaço, exaustão, esgotamento físico e mental, alteração no apetite (comer demais ou perder o apetite), atenção, memória, concentração. Pode haver um sentimento de desesperança, crises de choro, níveis baixos de autoestima e autoconfiança, sentimento de tristeza e sentimentos negativos são constantes. Pode aparecer comportamento de isolamento, negligência, descuido com a aparência, uso de álcool e drogas, pensamentos de morte ou suicídio.

Em crianças esses sintomas podem aparecer na fase dos 2 aos 7 anos de idade acompanhados de choro frequente e total desinteresse por brincadeiras das quais antes gostavam. A partir dos sete anos até a adolescência apresentam-se aborrecidas, tristes constantemente, retraídas, desatentas, inseguras. A psicóloga afirma que “uma criança com depressão vai alterar sua forma de se relacionar com a família, com a escola e poderá ter alteração no seu rendimento escolar”.

Geralmente, a depressão é confundida com tristeza. Esta pode acometer as pessoas por alguns dias e elas, normalmente, melhoram, voltando a sua rotina normalmente. Já a depressão interfere de forma significativa na vida da pessoa, trazendo vários prejuízos e pode até ser fatal. De acordo com a ONU, a depressão é um transtorno mental comum, caracterizado por tristeza persistente e perda de interesse por atividades de que as pessoas normalmente gostam, acompanhadas por uma incapacidade de realizar atividades diárias por 14 dias ou mais.

Além disso, a depressão é cada vez mais comum entre os jovens. Segundo a psicóloga Angélica Neris, “é importante tomar consciência disso, pois por muito tempo a criança foi vista como não tendo maturidade emocional suficiente para sofrer de depressão. E hoje alguns estudos mostram que a depressão pode atingir todas as idades”.

A família e a escola têm papel fundamental na identificação da doença. São elas que muitas vezes percebem os sintomas antes mesmo que o deprimido tome consciência disso, principalmente nos casos infantis. “O papel delas é tratar a criança com seriedade e respeito para que  possa ser conduzida a um acompanhamento adequado. É fundamental não tratar a criança como fraca, desocupada, desvalorizar ou desqualificar como ela se sente, ou dizer a ela que isso é só coisa da sua cabeça”, afirmou Angélica Neris.

A identificação da doença pode ser algo difícil pois seu diagnóstico não é simples e deve ser feito clinicamente. A psicóloga comenta que o processo de identificação é feito com a observação dos sintomas e pela frequência com que eles permanecem. Embora muito já tenha sido feito para melhorar a informação sobre a doença, ainda há muito preconceito e desinformação.

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