Nós precisamos falar sobre menstruação

Luiza Ozaki

Paquete, regra, chico, catamênio, menorreia, lua, fluxo são diversos nomes que simbolizam a perda de sangue pelo canal vaginal da mulher, processo natural que ocorre, na maioria das vezes, todo mês, e que, mesmo assim, ainda é motivo de vergonha e desconforto para muitas mulheres.

Uma pesquisa feita pela Plan Internacional, no Reino Unido, aponta que uma a cada dez mulheres não se sente confortável para conversar sobre o tema com as próprias amigas. Mas por que isso acontece?

Desde pequenas as meninas são ensinadas a não falar sobre menstruação, e, algumas, até chegam a faltar na escola durante o período para evitar constrangimentos e piadas. “Costumava ter muita vergonha, hoje em dia nem tanto. Como ninguém falava, o assunto era de certa forma proibido, e parecia que tentar falar qualquer coisa sobre menstruação ia me fazer esquisita e inconveniente”, relata Bárbara Medeiros, estudante de Comunicação Organizacional, de 18 anos.

“Sempre me sentia superdesconfortável quando estava menstruada na escola e por algum acaso eu não tinha absorventes na bolsa. Pedir para alguma outra menina era extremamente vergonhoso para mim”, afirma Bárbara.

Segundo Daniela Tonelli Manica, professora de antropologia da UFRJ, a menstruação não é vista como algo natural porque é um processo que ocorre no corpo feminino e não no modelo universal do ser humano, que é o corpo masculino, “a marcação da menstruação como um tipo de fluido corporal ‘estranho’ (porque é ‘feminino’) amplia o seu ‘perigo’, o nojo, a abjeção que a ele é atribuída”, explica a antropóloga.

Além do desconforto, o silêncio acerca do assunto faz com que as mulheres não tenham conhecimento sobre o próprio corpo e o que acontece com ele durante o período menstrual, gerando diversas teorias errôneas a respeito disso, como mitos que alegam que uma mulher, estando menstruada, não pode passar remédio em ferimentos alheios, porque, se o fizer, eles irão inflamar.

Ao ser questionada sobre a falta de discussões sobre o tema, Rayrah Silva, estudante de Agronomia, de 21 anos, afirma que a ausência de informações sobre o assunto prejudica a vida das mulheres. “Muitas mulheres não fazem ideia da importância da menstruação para a saúde, e não sabem das melhores formas de higiene etc. Muitas menstruam muito novinhas e não são instruídas em casa, carregando a menstruação como tabu anos a fio”.

“Faz parte de algo biológico, natural. Acho que falar sobre isso poderia ser até um caminho para as meninas passarem a conhecer mais o seu próprio corpo”, justifica Mayara Palma, estagiária de Marketing, de 20 anos.

Para acabar com esse tabu, diversas entrevistadas deram ideias de ações que poderiam ser realizadas para cumprir tal objetivo, como, por exemplo, a instalação de caixinhas coletivas de absorventes – onde a mulher poderá pegar um absorvente caso precise e poderá também deixar um, caso tenha sobrando, para que outra mulher use futuramente – nos banheiros, rodas de conversas para debater o assunto e trocar experiências, campanhas desmistificando certas coisas relacionadas a menstruação e palestras, grupos em redes sociais e cursos abordando o assunto. “Ser discutido o que significa menstruação é o principal. Além de desmistificar tanta coisa, como ser ‘uma coisa suja’, que é totalmente o contrário” afirma Julia Pires, estudante do ensino médio, de 17 anos.

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