Como os centros acadêmicos podem evitar atos violentos na integração dos calouros

Os alunos do curso de Comunicação promovem todo início de semestre uma confraternização com os calouros – Foto: Divulgação CAC

Alcilaine de Macedo

Desde 1995 o trote “estudantil” ou “universitário” é pauta na Câmara de Deputados. Em 2009, foi aprovado o Projeto de Lei 1.023.9, em que é vedada a realização de trote em calouros de instituições de ensino fundamental, médio e superior, quando promovido sob coação, agressão física ou moral ou sob qualquer outra forma de constrangimento que possa acarretar risco à saúde ou à integridade física do aluno, assim como é vedada a prática do bullying.

Em 2017, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) lançou uma campanha para coibir o trote violento e estimular denúncias de abusos. Segundo a posição oficial da universidade, “a intenção é mostrar que o trote deve ser um momento de integração e alegria, e estimular a comunidade acadêmica a denunciar atitudes indevidas”.

O presidente do Centro Acadêmico dos cursos de Comunicação da UTFPR (CAC), Walfrit Schreiner, afirma que nunca presenciou nada que ameaçasse a integridade de alguém em nenhuma das atividades de recepção de calouros. Ele afirma que é sempre é deixado claro que é tudo de acordo com a vontade dos estudantes e ninguém é obrigado a participar de nada.

Apesar disso, Walfrit afirma que sempre ouve histórias tristes e negativas de calouros que tiveram outras experiências antes de vir para o curso. “Não queremos que ninguém tenha uma experiência ruim nesse momento tão importante que é a entrada na universidade”, diz.

Para ele, o papel dos centros acadêmicos é contribuir com a melhoria do curso e promover a boa convivência, sempre garantindo que os alunos tenham a melhor experiência universitária possível. Assim, é sempre muito importante buscar a melhor forma de recepcionar esses alunos.

Segundo ele, não é objetivo do CAC gerar humilhação, criar situações vexatórias. Uma pessoa só é capaz de se sentir parte de algo quando é feliz naquele ecossistema. “O terror psicológico, situações de vexame só contribuem para que exista um distanciamento entre o bem-estar social e o aluno”, afirma. “Quando as pessoas têm controle sobre o seu destino elas são muito mais capazes de se sentir confortáveis e felizes em participar de algo. Obrigar nunca é a opção”.

Tradicionalmente, o trote do curso de Comunicação se denomina confraternização e recepção. Os calouros são recepcionados no evento de recepção da UTFPR, que ocorre na primeira semana de aula, incluindo atividades de inserção no ambiente acadêmico, como apresentação das organizações que compõem o curso, roda de conversa para solucionar dúvidas diversas, coffee break e apadrinhamento com veteranos, visita ao bar para integração e brincadeiras com trajes de fantasia.

João Miranda, tesoureiro do Diretório Acadêmico de Sistemas de Informação e Engenharia de Computação (DASC) da UTFPR até hoje não presenciou nenhum ato violento no trote. O DASC supervisiona o trote e recepção de calouros para que não ocorra nenhum ato indesejável: “sempre na recepção dos calouros insistimos na tecla do trote não violento”.

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