Fazendo das dificuldades uma motivação

Pessoas que encontram seu lugar na sociedade mesmo estando em meio às dificuldades

#OPINIÃO

Por Amanda Correia e Vivian Vieira*

Todo e qualquer indivíduo tem seu jeito e suas particularidades. As pessoas ao nosso redor que passam por dificuldades física ou intelectual, servem de inspiração para nós, pois elas nos mostram a importância de valorizar a vida e os momentos, por mais simples que eles pareçam ser. Quando encontramos uma dificuldade em nossas rotinas, por muitas vezes nos sentimos fracassados, temos vontade de desistir e o nosso parece ser o pior problema do mundo. Mas, quando encontramos relatos de superação, somos motivados a ser persistentes. A sociedade deve se preparar para aceitar as diferenças e considerar os problemas que muitos indivíduos passam para viver de forma harmoniosa em coletividade.

Uma pesquisa realizada pelo IBGE aponta que 45,6 milhões de pessoas declararam ter ao menos um tipo de deficiência, o que corresponde a 23,9% da população brasileira. Passar por cima de dificuldades é o que move e inspira pessoas que possuem necessidades especiais. Fernando Fernandes, conhecido ex-bbb que sofreu um acidente de carro em 2009, sem poder andar desde então, dedicou-se à canoagem paralímpica e hoje é tetracampeão mundial. Já o ex-goleiro da Chapeconense, Jackson Follmann teve sua perna direita amputada em decorrência do acidente envolvendo o avião do seu time, no final de 2016, que ficou marcado por ser o maior acidente aéreo envolvendo uma delegação esportiva, com mais de 71 mortos. Ele conseguiu se recuperar, e conseguiu um novo emprego, não como gostaria, em campo, mas, em abril de 2017, Jackson assinou contrato com a Fox Sports para reforçar a equipe de comentaristas nas coberturas dos campeonatos Sul-Americana, Libertadores e Copa do Mundo de 2018, mas detendo-se ao específico desempenho dos goleiros.

Em tempos nos quais levantamos bandeiras de igualdade, ética e inclusão, ainda existem problemas perante o assunto. Essa mesma pesquisa, realizada pelo CENSO, mostra que a taxa de alfabetização de pessoas de 15 anos ou mais entre as que têm deficiência é de 81,7%, mais baixa do que a observada na população total na mesma faixa etária, que é de 90,6%. Mostra ainda que há diferença significativa no nível de escolaridade entre pessoas com deficiência e a população geral – 61,1% da população com 15 anos ou mais com deficiência não têm instrução ou tem apenas o fundamental incompleto. Esse porcentual cai 38,2% para as pessoas sem deficiência. 

O ensino a crianças autistas é um exemplo, Oscar Perin, professor da SEFID (Seção de Educação Física e Desportos) da Polícia Militar do Paraná, pai da Laura, portadora de TEA (Transtornos do Espectro Autista) conta que a maior dificuldade dos pais com filhos autistas, é de encontrar escolas que aceitem alunos com a doença. Por outro lado, apesar das dificuldades, existem grupos criados para o auxílio e a troca de experiências entre os pais que buscam um maior conhecimento sobre o TEA. Um exemplo é o “Cueca Azul”, criado pela UPPA (União dos Pais Pelo Autismo).

A Lei Brasileira de Inclusão de Pessoas com Deficiência, nº 13.146/2015 (também chamada de Estatuto da Pessoa com Deficiência), traz os diversos direitos de PCDs em várias questões, como saúde, educação, moradia e trabalho. Conforme a lei 8.213/1991, conhecida como Lei de Cotas, quando a organização tem mais de 100 funcionários, ela tem a obrigação de ter de 2 a 5% de profissionais com deficiência no seu quadro. Apesar de ter sido feita na década de 90, essa norma só entrou em prática muitos anos depois, quando a Justiça desenvolveu mecanismos de fiscalização e especificou o que era considerado deficiência.

Em nosso dia a dia encontramos muitas pessoas que passaram por dificuldades e usaram essas barreiras como apoio para ser alguém melhor, e incentivar outras pessoas a enfrentarem seus desafios. Lucimara Rodriguês (49), sofreu de Poliomielite (Paralisia Infantil) quando completou um ano de vida. Naquela época as informações eram precárias, a vacina contra Poliomielite só chegou à cidades do interior depois de algum tempo de estudos e adaptações. O tempo de de espera de Lucimara fez com que ela  perdesse o movimento do membro inferior da perna. Ela teve que passar por 13 cirurgias e ainda perdeu seu pai que lhe acompanhava nos tratamentos. Entretanto, Lucimara recebeu uma prótese para sua perna aos 12 anos de idade, da APR (Associação Paranaense de Reabilitação) que até hoje garante sua locomoção. Após tantas dificuldades, Lucimara possui um trabalho digno, dirige, sustenta uma família inteira e usa a sua própria história para incentivar sua filha de 18 anos, portadora de Diabetes Mellitus tipo 1.    

Embora já exista uma legislação brasileira consolidada no que tange às pessoas com deficiência, muitos ainda lutam por direitos civis básicos. Pequenos atos que podem ser implantados podem auxiliar para uma sociedade mais justa e igualitária. Aumentar a representação das pessoas com deficiência na política, empregar pessoas com deficiência (conforme a lei), promover a Inclusão Social nas escolas e até mesmo prover bolsas escolares para atletas Paralímpicos podem ser alguns caminhos para tornar a sociedade mais inclusiva para pessoas com deficiência.                 

*Estudantes de Comunicação Organizacional na UTFPR

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