O Brasil não está preparado para a extinção do sinal analógico

#OPINIÃO

Por Kaíssa Frade e Amanda Araújo*

O Brasil não está preparado para a extinção do sinal analógico nem para a extinção de televisores de tubo. Para implantação do novo sistema de TV, toda a população teria que comprar um aparelho de conversão digital e uma antena compatível, ou abrir mão de seus televisores. A população não tem condições de arcar com essa decisão tomada pelas emissoras.

O sinal digital foi disponibilizado no Brasil em 2006 e, a partir disso, os canais de televisão começaram sua transição do analógico. Depois desses 10 anos, a eliminação definitiva do sinal analógico começou em 15 de fevereiro de 2016 e tem previsão de finalização até 05 de dezembro de 2018 A operacionalização está sendo realizada pela “Seja Digital”, uma organização sem fins lucrativos criada por determinação da Anatel para esse objetivo.

A regra nacional para permitirem tirar o sinal analógico é de que, apenas 93% dos televisores tenham acesso ao sinal digital. Ou seja, quase 10% da população poderia ficar sem sinal de TV, se a maioria tivesse acesso ao sinal. Considerando que esses quase 10% dos brasileiros representam 700.000 famílias, com média de 4 pessoas por casa, quase 3 milhões de pessoas podem ficar sem TV quando o sistema for desligado em todo o Brasil. 

Outro problema é que, com o avanço da tecnologia, os televisores popularmente conhecidos como “tubo” ficaram ultrapassados. E com a necessidade de se adquirir novos televisores, e a desinformação, pode levar ao descarte incorreto. Alguns componentes químicos que essas TV’s possuem podem intoxicar o meio ambiente e o ser humano se o descarte não for feito de forma adequada.

Depois da aprovação da PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos) em 2010, as indústrias fabricantes se tornaram responsáveis pelo ciclo de vida do produto, incluindo sua disposição final. Dessa forma,  o consumidor tem o direito de devolver a TV para o fabricante, para que esse possa fazer a reciclagem do produto. Existem também, postos de recolhimento desses televisores por todo o país, e há a possibilidade de descobrir qual posto de coleta mais próximo por meio do CEP na internet.

Embora o conversor digital e a antena custem em torno de R$ 150, grande parcela da população não tem como arcar com esses gastos. O salário médio mensal dos brasileiros teve uma queda de 3,2% em 2015, ano em que o país perdeu cerca de 1,7 milhão de postos de trabalho. 43,1% das famílias brasileiras apresentaram renda média mensal domiciliar per capita inferior a um salário mínimo, o que representa 27 milhões de domicílios, informou o IBGE de 2012.

Na tentativa de ampliar o acesso ao sinal e às mudanças, a Seja Digital está responsável por distribuir kits para beneficiários de programas sociais do Governo Federal. Porém, em São Paulo por exemplo, que teve a suspensão da TV analógica no começo de 2016,  apenas  pouco mais de 20% da meta de entrega desses Kits havia sido alcançada até o começo desse ano. Ou seja, quase um ano depois.

Essa mudança é precipitada e incoerente com a realidade atual do país, o qual está vivendo a pior crise financeira que começou há cerca de nove anos. O governo deveria rever essa decisão e implantar o sinal digital depois que cerca de 80% da população prevista para receber os kits, tê-los em mãos. Além disso, cabe continuar a distribuição dos aparelhos nos locais que terão o sinal analógico desligados por último.

*Estudante em Comunicação Organizacional na UTFPR

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