A era da desinformação com o aumento da informação

#OPINIÃO

Por Douglas Rigamonte*

Na era da informação, é possível encontrar muita desinformação. Os meios de comunicação de massa recebem cada vez mais espaço com crescimento do uso da internet, mas a que ponto as pessoas estão recebendo e assimilando os dados de maneira correta? Em uma perspectiva da comunicação de caráter informativo, os avanços tecnológicos proporcionaram quebras de barreiras e melhorias significativas para a humanidade. No entanto, ao mesmo tempo, é nítido o aumento de desinformação em todas as parcelas da sociedade. Ironicamente, a involução causada pela evolução está tomando rumos preocupantes, caracterizando-se como um mal a ser combatido com urgência. As chamadas fake news no meio digital já são realidade no planeta, e você pode estar contribuindo para isso.

Em um primeiro momento, é necessário se atentar que as notícias falsas ou parcialmente falsas não são divulgadas apenas por fontes ilegítimas. Grandes veículos de comunicação já disseminaram informações descontextualizadas, que ludibriaram uma quantidade significativa de pessoas – até mesmo as mais instruídas.  Exemplo disso, no Brasil, é a Marcha de Independência da Polônia, noticiada pelo jornalista Guga Chacra como manifestação nazista por conta de símbolos anticomunistas encontrados. A repercussão alcançou tanto destaque na internet que precisou ser desmentida, em nota oficial, pelo Ministério de Relações Exteriores (MRE) da Polônia, bem como pela cônsul polonesa Katarzyna Braiter. Neste contexto, há um grande desafio a se enfrentar, visto que parte das fake news são propagadas com embasamentos reais e acontecimentos existentes. De fato, segundo o MRE polonês, existiam sim símbolos anticomunistas no evento que reuniu mais de 60 mil pessoas, ao mesmo tempo que também haviam símbolos antinazistas e combatentes da segunda guerra mundial que lutaram contra os próprios nazistas. A apologia aos dois regimes é proibida na Polônia.

O conceito de pós-verdade trazido com as notícias falsas ou parcialmente falsas é pertinente. A principal palavra de 2016 para a Universidade Oxford – um substantivo “que se relaciona ou denota circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em mudar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais” nunca foi tão condizente com a realidade. Analisando a situação sobre a Marcha de Independência da Polônia, é possível relacionar a grande problemática das falsas notícias com a pós-verdade aplicada à polarização ideológica. O poder pertencente aos grandes meios de comunicação é indiscutível e o mundo se encaminha cada vez mais rumo à desonestidade. 

As notícias falsas podem ludibriar pessoas, e adaptar isso a uma espécie de sectarismo tem o poder de cegá-las. Imaginemos, por exemplo, a informação veiculada na internet pelo mundo todo dando conta de que o Papa Francisco apoiava as eleições de Donald Trump ao governo dos Estados Unidos. Tal fato – logo desmentido – continuou sendo disseminado pelos adeptos do republicano como verdade, tomando rumos preocupantes. Não se pode afirmar que todos os apoiadores agiram de maneira desonesta, mas, ao se tratar de uma quantidade extremamente alta de pessoas, a simples ingenuidade geral é questionável. O grande problema, portanto, são polarizações ideológicas inflamadas por informações tendenciosas. Tanto o caso da Polônia quanto o caso dos eleitores de Trump ilustram exemplos deste fator pelos dois lados mais polarizados do mundo político-ideológico: esquerda x direita. As pessoas afetadas por este sectarismo tomam informações inverídicas como verdadeiras, mesmo que de forma desonesta, e continuam a propagá-las, visto que, para elas, a sua ideologia está acima do que qualquer conduta ética.

No Brasil, constantemente é visto conteúdo falso sendo divulgado. Tais conteúdos possuem capacidade extrema de disseminação, considerando o fato de que hábitos como compartilhar apenas manchetes têm se tornado comum na internet. A partir daí, torna-se uma bola de neve: na maioria das vezes, o índice de pessoas afetadas por falsos conteúdos é muito maior do que as não afetadas. Atitudes simples como fazer a leitura da notícia completa, confirmar conteúdos em fontes diferentes e desconfiar da veracidade de manchetes sensacionalistas são deixadas de lado, e essa é uma das principais formas de propagação da desinformação.

De forma preocupante, aproveitando-se da explosão de notícias falsas nos meios de comunicação, têm-se surgido grupos especializados em criação de conteúdos inverídicos por meio da internet. Visando lucros com publicidade a partir de clicks, tais grupos possuem um grande campo a explorar: eleições de 2018 no Brasil. Em um país cada vez mais dividido e inflamado, a desinformação na sociedade certamente está prestes a alcançar perspectivas alarmantes.

Por fim, infere-se que, assim como abordado no início do artigo, você pode estar colaborando para o surto de falsas informações no Brasil. Todos estão passíveis a isso. No entanto, são necessárias duas medidas para se evitar o problema: em primeiro lugar, é fato que os chamados caça-clicks se utilizarão de todos os mecanismos possíveis no país para lucros e consequente propagação de desinformação. Neste caso, deve-se buscar o conhecimento e consciência para não ser vítima destes truques. Em segundo, é indispensável que o Brasil polarizado passe a colocar a ética à frente da ideologia, a não ser que julguem correto as próximas eleições, da mesma forma que em outro país, serem decididas com base em fake news.

*Estudante de Comunicação Organizacional na UTFPR

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