Desmatamento de araucárias no Paraná preocupa especialistas

Crime ambiental pode resultar em extinções em massa

Por Amanda Araújo, Douglas Rigamonte e Felipe Camargo

No último mês, 37 araucárias foram alvo de corte ilegal em uma zona rural do município de Rebouças, no Paraná. O BPAmb-FV (Batalhão de Polícia Ambiental Força Verde), na ocasião, flagrou o crime e encaminhou o caso à Delegacia de Rebouças. Segundo dados da FUPEF (Fundação de Pesquisas Florestais do Paraná) em conjunto com o MMA (Ministério do Meio Ambiente), apenas 0,8% do território paranaense ainda possui as árvores, que estão em risco de extinção.

De acordo com a doutora em Recursos Florestais Lia Antiqueira, o desmatamento das árvores símbolo do Paraná possui complicações graves, tendo em vista o tempo que a árvore necessita para se desenvolver, além da dificuldade de polinização. “As Gimnospermas como a Araucária não possuem flores e por isso não têm atrativos para polinização, que precisa ser realizada pelo vento. Além disso, sua dispersão fica limitada a algumas aves que carregam o pinhão. Por ser uma espécie de crescimento lento, é muito comum que brotos e mudas não consigam sobreviver devido a queimadas, geadas ou mesmo devorados por insetos”, explica a especialista.

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Araucária: árvore símbolo do estado do Paraná (Foto: Amanda Araújo)

Ainda de acordo com Lia Antiqueira, o desmatamento das araucárias pode causar prejuízos à biodiversidade de todo o país. “Quando ecossistemas são alterados, há prejuízo para todas as espécies que nele vivem, pois há uma teia de relações ecológicas que sustentam o sistema”, afirma. A doutora ainda explica que as consequências podem ser permanentes. “O Brasil possui a maior biodiversidade do mundo, mas ao se descuidar da conservação de espécies como a Araucária, corre-se o risco de extinções em massa de outras espécies que são associadas à Floresta Ombrófila Mista. Sem falar nas alterações edáficas [solo] e no microclima local”, completa.

Segundo a Polícia Ambiental, o corte ilegal de araucária pode configurar crime ambiental, resultando em multa de R$ 500,00 para cada árvore derrubada. Em casos de reincidência ou desmatamento em Áreas de Preservação Permanente (APP), as penas podem chegar a reclusão, além de aumento substancial no valor das multas.

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