Prevenção e cuidado com o câncer de pele

Reportagem Especial

Métodos de prevenção do câncer de pele e os cuidados mais eficazes para quem sofre com a doença

Por Alessandra Stahsefski, Caroline Wiese, Felipe Camargo, Juliane Fürbringer, Luiza Queluz

 

De acordo com o INCA (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva), o câncer de pele é o mais recorrente no Brasil e atinge cerca de 30% da população no país. Seu surgimento está relacionado, principalmente, com a alta exposição da pele aos raios solares, apesar de estar interligado com mutações das células epiteliais. Os casos mais comuns manifestados são em pessoas com pele clara e com cerca de 40 anos. Sendo a pele o maior órgão do corpo humano, o câncer pode apresentar tumores de diferentes linhagens, o mais frequente é o carcinoma basocelular que aparece como um nódulo ou uma mancha marrom em áreas expostas ao sol como, por exemplo, no rosto e no pescoço.

É importante ressaltar que a doença pode atingir todo o corpo humano, além de poder afetar de forma significativa a saúde psicológica do paciente. Para complementar a reportagem, a seguir, constam entrevistas com profissionais da área que alertam sobre a importância de outros elementos que podem ajudar na prevenção do câncer de pele, que a maioria da população desconhece. Além disso, orientam e informam sobre como diagnosticar de forma precoce a doença, evitando danos para a saúde física e mental de um indivíduo.

A alimentação como fator fundamental na prevenção

Parte da população acredita que somente a alta exposição solar pode causar o câncer de pele, porém acabam esquecendo que dentre os principais fatores intervenientes que devem ser ressaltados, está o uso contínuo de cigarros e, principalmente, a má alimentação. “Dentre as causas externas, a alimentação inadequada ocupa 30% dos principais fatores para o desenvolvimento do câncer. Além disso, estudos demonstram que o consumo de frutas, verduras, cereais e integrais podem reduzir em até 40% o risco de adquirir a doença”, relatou a nutricionista Aline Cristina Bucalão de Menezes.

comida cancer pele

Marilize Tamanini, também nutricionista e autora dos livros “Comportamento Magro com Saúde” e “Prazer e Estômago Magro versus Pensamento Gordo” listou alguns dos alimentos que são fotoprotetores, ou seja, que possuem substâncias que trabalham ativamente na preparação da pele para a exposição ao sol. Entre eles estão: frutas e legumes amarelos, laranjas e vermelhos por serem alimentos ricos em carotenos e licopenos, cacau, chá verde, castanha do Pará, amêndoas, linhaça, espinafre , brócolis, aspargo e couve que são ricos em folato. “O efeito benéfico dos alimentos é cumulativo e não dispensa o tratamento em caso da doença instalada. Os benefícios são usufruídos ao longo do tempo, mas o que vale é a continuidade”, alegou a nutricionista. 

Gravidades por tons de pele e uso do protetor solar

Tanto a exposição solar causada ao longo da vida quanto os episódios de queimadura da pele contribuem para que os danos possam, futuramente, resultar em um câncer de pele. Segundo a dermatologista Patrícia Miranda (CRM-PR19434), qualquer pessoa está sujeita à doença, porém pessoas com tons de pele mais claros (fototipo 1) são as que estão na zona de risco. Isso pode ser explicado pela dificuldade que a pele delas tem de produzir o pigmento da melanina, responsável pela proteção dos raios solares e ultravioletas. É claro que, qualquer um pode desenvolver um câncer de pele se não tiver nenhum cuidado, mas as estatísticas comprovam que, em pessoas com tom de pele mais escura, as ocorrências são quase nulas.

O principal produto relacionado à prevenção do câncer de pele é o protetor solar, cujo principal objetivo é diminuir os efeitos negativos que a radiação solar provoca nas pessoas e também tem uma relevante importância na prevenção de outras doenças dermatológicas. A farmacêutica Deise Do Rocio Kelel Perioto, destaca dois fatores importantes para a eficácia de um protetor. O primeiro está relacionado à quantidade de uso do produto, visto que a recomendação é que seja aplicado 20 minutos antes da exposição solar e que a reaplicação ocorra a cada 2 ou 3 horas ou depois da pele ter sido imersa em água, ou após transpiração. O segundo ponto ressaltado pela especialista é em relação à frequência/fator. Isso significa que o FPS (fator de proteção solar) efetivo é menor que o valor indicado, já que a camada de produto aplicada é insuficiente para absorver os raios UVB.

tons de peles

Os seis tipos de fototipos existentes: 1) branca clara, loiros ou ruivos, com sardas e olhos azuis; 2) branca, castanho claro, loiros, olhos azuis ou verdes; 3) branca ou morena clara, cabelos e olhos castanhos claros; 4) pele morena clara, cabelos e olhos castanhos escuros; 5) pele morena; 6) pele negra (Fonte: Página da Clínica de Medicina Preventiva do Paraná)

Além disso, as estações do ano também influenciam diretamente no cuidado que se deve tomar em relação aos raios solares. “Durante os meses mais frios do ano, continua existindo uma probabilidade significativa de exposição solar. O sol brilha todos os dias do ano e suas radiações estão presentes na atmosfera mesmo em dias nublados e chuvosos e, para ser efetiva na prevenção do câncer e ao envelhecimento da pele, a proteção deve ser feita diariamente. Sendo assim, é absolutamente necessária a aplicação diária de protetor solar para se obter os benefícios totais da proteção – no verão e no inverno”, afirmou a especialista.

A importância do diagnóstico precoce

Apesar de todas as informações, é de extrema relevância que todas as pessoas busquem e procurem por informações a respeito da doença. Assim, terão a chance de diagnosticar qualquer modificação na pele, que futuramente possa vir a se tornar um câncer de pele. O cuidado não deve ser realizado somente quando é feito o diagnóstico, e sim durante a vida inteira, possibilitando e aumentando as chances de cura para aqueles que possam adquirir a doença. Vale ressaltar que, há tratamento e que isso também se torna importante, tanto para a saúde física quanto psicológica do paciente.

Para que o tratamento seja eficaz, é necessário que a detecção seja realizada de maneira precoce, isso envolve estar sempre atento a qualquer modificação na pele. Manchas, pintas ou feridas que não cicatrizam, que coçam, ardem, descamam, sangram ou feridas que não cicatrizam em torno de quatro semanas devem ser investigadas por um especialista, segundo o INCA. A percepção da doença ainda em sua fase inicial auxilia não só a tratar de modo eficaz o câncer de pele, mas pode ajudar o paciente a lidar com o problema, uma vez que a descoberta de um tumor afeta psicologicamente as pessoas, podendo desencadear fortes problemas emocionais. Sobre isso, o psicólogo Marcos Soares (CRP 06-133470) afirma que o diagnóstico sendo maligno ou benigno pode causar respostas emocionais aversivas ao paciente, causando sofrimento psíquico. “Numa condição de desregulação emocional, faz-se necessário a busca pelo profissional da psicologia como regulador da estrutura emocional. Seu papel é acolher e amparar o paciente, possibilitando uma compreensão sobre seu sofrimento e auxiliando na criação de estratégias reforçadoras para uma melhor recuperação”, afirmou.

Maria do Carmo Alves de Albuquerque (64), que descobriu o câncer do tipo melanoma (benigno) em 2005 contou sobre a importância na mudança de hábitos que precisou fazer. Logo no ano seguinte, realizou a cirurgia para remoção das células cancerígenas e apesar de ter sido um procedimento tranquilo, ficou com uma cicatriz na maçã no rosto que só pode ser retirada com cirurgia plástica. “Desde então, passei a usar o protetor solar de FPS 60 diariamente e sempre que possível, uso chapéus para que me protejam dos raios ultravioleta”, relatou.

Para aqueles que têm pouco conhecimento sobre os cuidados no verão, a farmacêutica Deise Perioto ainda passou algumas dicas importantes:

  • Aplique protetor solar todos os dias. Durante o ano todo, mesmo em dias nublados ou encobertos, estamos sujeitos a exposições esporádicas aos raios do sol, quando dirigimos, cuidamos do jardim ou passeamos com o cachorro. Assim devemos nos proteger em nossas atividades diárias.
  • Reaplique o protetor frequentemente. Se permanecer ao ar livre por longos períodos, se usar toalha, transpirar excessivamente, nadar durante muito tempo, ou ao empreender atividades físicas vigorosas, não deixe de reaplicar o protetor, mesmo os resistentes a suor e transpiração.
  • Saiba qual é o Fator de Proteção Solar (FPS) adequado ao seu tipo de pele e ao tempo que espera ficar ao sol. O número de FPS indica quantas vezes a mais uma pessoa pode ficar ao sol com o protetor solar antes de começar a queimar, em comparação com o tempo que poderia ficar ao sol, sem usar nenhum protetor solar, antes de começar a queimar. De modo geral, os números de FPS variam de 6 a 60.
  • Use chapéu e roupa protetora. Chapéus de aba larga dão proteção adicional, da mesma forma que camisas e calças de tecido bem fechado e cores escuras, que não deixam a luz do sol penetrar.
  • Não se esqueça dos óculos de sol. Sempre que estiver ao ar livre, use óculos de sol que bloqueiem os raios UVA e UVB.
  • Procure ficar à sombra e evite o Sol ao meio-dia. Preste atenção à sua sombra: se ela estiver menor do que você, a probabilidade de você se queimar aumenta. Planeje suas atividades ao ar livre para antes das 10 horas da manhã ou depois das 3 horas da tarde, quando os raios do sol são menos intensos.
  • Proteja as crianças. Diminua tanto quanto possível a exposição das crianças ao sol, e aplique protetor solar a partir dos 6 meses de idade. Mantenha as crianças menores de 6 meses fora da luz solar direta.
  • Redobre os cuidados nas proximidades de superfícies altamente refletoras, tais como areia, concreto, barcos ou neve. Use protetor solar, mesmo se estiver debaixo de um guarda-sol. A areia reflete os raios solares que, assim, podem atingir sua pele e aumentar o perigo de queimadura.
  • Se estiver tomando alguma medicação, consulte seu médico antes de tomar Sol. Alguns medicamentos podem tornar sua pele sensível à radiação solar.
  • Hidrate a pele depois de expor-se ao Sol. Escolha produtos para uso depois do sol formulados com hidratantes, para restaurar a umidade perdida durante a exposição aos raios solares.
  • Cuide da pele que entrou em contato com substâncias como sucos de frutas ácidas, lave abundantemente o local antes da exposição solar.

 

Minicurrículo das fontes entrevistadas

Aline Cristina Bucalão de Menezes é formada em Nutrição pela PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná).

Deise Do Rocio Kelel Perioto é empresária há 35 anos na área de tecnologia de cosméticos e formada em farmácia-bioquímica pela UFPR (Universidade Federal do Paraná).

Marcos Soares (CRP 06-133470) é formado em psicologia pela Universidade Paulista e psicólogo clínico atuante na abordagem comportamental.

Patrícia Miranda (CRM-PR19434) é dermatologista graduada em Medicina pela UFPR (Universidade Federal do Paraná).

(Os autores são estudantes do curso de Comunicação Organizacional na UTFPR)

 

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