Precisamos falar sobre autoestima com os homens?

Reportagem Especial

Como a baixa autoestima pode afetar a vida e o comportamento dos homens

Por Allyson Rafael, Amanda Correia, Ketlyn Oliveira, Maria Beatriz Azzi e Vivian Vieira

Victor confiante

O confiante Victor Cavalcante (21) afasta a ansiedade e o estresse das decisões e comportamentos diários (Foto: Arquivo pessoal)

Seu corpo, sua mente e sua alma estão alinhados nesse momento? Você se sente seguro com as suas decisões? Essas perguntas nos ajudam a achar uma definição para autoestima. Segundo o psicólogo Enrique Maia, do InPA (Instituto de Psicologia Aplicada), pode-se dizer que a autoestima seria uma opinião acerca de si (auto-conceito), somada ao valor ou sentimento que se tem de si mesmo (amor próprio, auto-valorização), adicionado a todos os demais comportamentos e pensamentos que demonstram a confiança, segurança e valor que o indivíduo dá a si (autoconfiança), nas relações e interações com outras pessoas e com o mundo. Portanto, ao tratarmos da autoestima, não estamos falando apenas de um sentimento que temos por nós mesmos. Mais que isso, estamos falando de pensamentos e comportamentos que temos relacionados a nós mesmos.

Um exemplo de bom trabalho em relação à autoestima é Victor Cavalcante, 21 anos, estudante de educação física. Segundo ele, apesar de toda pressão da faculdade, trabalho e família, a confiança dele nunca foi abalada. “Nem sempre fico 100% seguro com as minhas decisões. Nessa idade que estou agora, as mudanças podem acontecer de uma hora para outra, mas o segredo é tentar manter a calma em tudo que acontece ao nosso redor”, afirma. Para o estudante, “90% das coisas que causam estresse não nos atingem diretamente”.  Mas, infelizmente, esse pensamento não é compartilhado pela maioria das pessoas hoje.

Em tempos em que as redes sociais online nos fazem sentir a necessidade de expor nossos momentos felizes, descobrimos o quanto podemos nos sentir especiais ao ter a atenção de todos voltada para nós. Ao mesmo tempo em que somos seguidos nessas redes, também acompanhamos a vida de milhares de pessoas ao redor do mundo. Basta um clique para sabermos o que estão vestindo, comendo, comprando, vendendo e até mesmo como estão se sentindo. Quando comparamos nossa vida com a dos outros, caímos na armadilha de acreditar que estamos sempre por baixo, o que gera em nós um sentimento de tristeza. 

Críticas, rejeições, humilhações, abandono, desvalorização e perdas são algumas situações que podem vir a desencadear uma baixa auto-estima na vida de uma pessoa. É importante frisar que a construção dessa percepção negativa de si mesmo é resultado de interações sociais: familiares, escolares, profissionais. Esses sentimentos muitas vezes podem acarretar problemas de saúde.

Para o psicólogo Allan Martins Mohr, a baixa autoestima acaba intensificando um momento que já está difícil. Quando se tem uma certa estabilidade, uma autoestima, qualquer problema que a pessoa tenha, se torna mais fácil de lidar, podendo suportar ele de uma outra maneira. “O problema é que hoje em dia por conta da internet, a palavra autoestima ficou ‘mais fácil de ser usada’, então a grande maioria vem e diz “ah tenho uma baixa autoestima”, “ah tenho depressão”, as pessoas já vêm auto diagnosticadas. Mas parar para pensar as causas dessa possível baixa autoestima já é mais complicado”, explica.

A baixa autoestima que pode ser acarretada pelo excesso de algumas atitudes, também pode ser causada pela falta de algumas. Uma pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2013, mostra que 60% dos brasileiros não pratica exercício físico, e que mais de 50% está acima do peso.

O hábito de levar uma vida sedentária pode também estar relacionada a baixa autoestima, uma vez que causa grande impacto na aparência física das pessoas. De acordo com a personal trainer Luciana Tosta, o descuido com o corpo tem vínculo direto com a idade e a responsabilidade que vem com o passar dos anos, a principal reclamação de seus alunos é que quando a responsabilidade bate na porta, é preciso priorizar outras coisas, como a família e o trabalho. “Isso acaba desgastando e quando você se olha no espelho com uma certa idade percebe o quanto se descuidou, tanto da saúde quanto da aparência”, afirma.

 

Os homens falam: depoimentos sobre autoestima

Para ilustrar o comportamento e a opinião masculina, a AG Comunique conversou com alguns homens com idades entre 18 e 60 anos, de diferentes áreas de estudo e profissões, para ver como eles se sentem em relação ao seus corpos, suas atitudes e sentimentos. Pode-se observar que os homens mais velhos apesar de se aceitarem não estão satisfeitos com sua aparência, enquanto os jovens sofrem mais com problemas de autovalorização.

 

Consequências da baixa autoestima

A baixa autoestima pode causar diversos problemas de saúde físicos e psicológicos, “Essa percepção negativa de si mesmo pode desencadear sintomas como pressão arterial alta, problemas gastrointestinais, sentimentos de raiva, culpa e depressão”, aponta Ana Maria Rossi, presidente do Isma-BR, associação brasil. É importante saber separar e avaliar o que você está sentindo. Primeiramente é preciso saber diferenciar o que é depressão, tristeza e o que é dor da existência.

De acordo com Allan a depressão é “um quadro de transtorno de personalidade, com episódios agudos ou muito crônicos de um estado depressivo (fatores emocionais estressantes)”. É fácil confundir a depressão com outras coisas, como um quadro mais demorado de tristeza depois de um término de relacionamento, ou de luto após o falecimento de alguém próximo, o que não é um quadro de transtorno mental.
“Outra questão é a dor da existência, que muitas vezes é confundida e tratada como depressão”, os adolescentes passam frequentemente por esse problema, questionam o que é a vida, brigam com os pais, com a sociedade e acabam se encontrando num estado depressivo, que não necessariamente é a “depressão psiquiátrica”.

A partir dos relatos anteriores é possível constatar que a baixa autoestima é um problema que merece atenção, sendo ela um sintoma presente em várias doenças psicológicas mostradas durante o texto. Tentar resolver esse problema sozinho pode ser muito difícil, por isso a melhor solução é procurar ajuda.

O psicólogo ou terapeuta irá ajudar na busca do autoconhecimento, sendo esse o ponto principal para se ter uma boa autoestima. Os sentimentos de confiança e aceitação, sem depender da aprovação do próximo, serão trabalhados para uma autoestima equilibrada.

(Os autores são estudantes do curso de Comunicação Organizacional na UTFPR)

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