A importância da prática esportiva

Reportagem Especial

Os benefícios do esporte para a saúde e inclusão social

Por Jeane Amaral, Laura Bedin, Leon Pureza, Luciano Rizzi e Rafaela Teixeira

 

A vivência esportiva para crianças e jovens contribui para questões sociais, físicas e emocionais. A atividade física e o esporte são aliados da saúde de crianças e jovens, pois os mantêm fisicamente ativos e traz benefícios que poderão durar uma vida inteira.

A fisioterapeuta Sandra Vianna, formada pela UTP (Universidade Tuiuti do Paraná) e especialista em intervenção fisioterapêutica psicomotora, destaca o papel da prática esportiva, pois segundo a profissional, o esporte é importante para o desenvolvimento orto muscular (ósseo e muscular). A prática esportiva estimula a liberação do GH (hormônio do crescimento), desenvolve a motricidade (coordenação motora) e a lateralidade (domínio de um dos dois lados do corpo ou hemisférios do cérebro), o que torna a percepção de espaço algo intuitivo (distinção entre lado esquerdo e lado direito).

Além disso, a especialista afirma que a prática esportiva libera Serotonina, um importante neurotransmissor. Ele atua no cérebro regulando o humor, o sono, o apetite, o ritmo cardíaco, a temperatura corporal, a sensibilidade à dor, os movimentos e as funções intelectuais. Já na parte cognitiva (intelectual), a fisioterapeuta cita a prática esportiva como um importante fator para desenvolver a noção espaço temporal, o que torna o indivíduo mais hábil para o aprendizado de assuntos acadêmicos (escolares), finaliza Sandra Vianna.

Sedentarismo e Obesidade

Prática Esportiva

Crianças e adolescentes realizando a prática esportiva na quadra de instituição pública – UTFPR (Foto: Leon Pureza)

Embora todos esses benefícios da prática esportiva sejam conhecidos, o número de sedentários no brasil ainda é alto, e cresce ano após ano. Segundo a pesquisa “Diagnóstico Nacional do Esporte”, realizada em 2013 pelo governo federal e divulgada em junho de 2015, quase metade da população brasileira é sedentária. A pesquisa mostra que 54,1% dos brasileiros realizam atividades físicas, enquanto 45,9% admitem que estão parados.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o sedentário não consegue gastar o mínimo de 2.200 calorias por semana em atividades físicas, e alguns fatores impedem a busca por atividade.  O aumento da obesidade também é outro ponto pertinente ao sedentarismo: de 2006 a 2016, o índice de brasileiros com a doença passou de 11,8% para 18,9%. Esses índices são parte da Pesquisa da Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), realizada em todas as capitais brasileiras, conforme informações do Ministério da Saúde. 

Atualmente, existe uma série de opções que facilitam e consequentemente agravam a “não procura” por atividade física, principalmente por parte das crianças e jovens. Alimentos industrializados, fast-food (do inglês, “comida rápida”), videogames, celulares, computadores, entre outros eletrônicos, são fatores que predispõem à prevalência da obesidade infantil. Para os jovens, a falta de tempo, de orientação, de motivação e pouco conhecimento das vantagens de ser ativo pode ser um dos fatores determinantes para o aumento do sedentarismo e da obesidade.

Tendo em vista essa realidade, é importante a existência de projetos que promovam o estímulo da atividade física na população, e encorajem os indivíduos de todas as idades a praticar continuamente algum esporte.

Histórias do Futebol Amador de Curitiba

Um exemplo dessas iniciativas é o Esporte Clube Fortaleza, de Curitiba (localizado no Jardim Gabineto), no qual jogadores participam do time pela paixão pelo futebol e pela prática esportiva. Vilmar Assunção, Técnico da equipe adulta do time amador há 3 anos, afirma que jogadores deixaram de jogar em outras equipes para ganhar um valor (não especificado) para defender as cores da comunidade, que hoje vive momentos de paz graças ao esporte.

Muitos dos jogadores que fazem parte do Fortaleza, quando crianças, sonhavam em se tornar jogadores profissionais. Quando viram seus sonhos “indo pelo ralo”, segundo Vilmar, desanimaram, e deixaram de praticar atividade todos os dias, tornando-se pessoas sedentárias e entrando no índice das pessoas que não praticam nenhuma atividade física. Hoje, esses jogadores participam de competições e são sempre acompanhados pelos olheiros, e, conforme o treinador, há no time inúmeras histórias de superação, pois pessoas que eram manchetes em páginas policiais hoje em dia ganham a vida com o esporte. A trajetória do Esporte Clube Fortaleza é um exemplo de como o esporte exerce influência não somente na questão da saúde, mas também no que diz respeito à socialização, como uma forma de ascensão social – uma vez que aqueles que se envolvem com a prática esportiva passam a ter mais contato com diferentes pessoas e oportunidades.

Existem outras histórias que exemplificam isso, uma delas é a de Alexandre Santos, ex-atleta de um time de futebol denominado Expressinho (do bairro Sítio Cercado). Hoje com 30 anos, conta que quando tinha 11, o melhor momento era quando estava em campo com o seu time, seja treinando ou em um jogo real. Naquela época, seus antigos amigos estavam descobrindo outros caminhos, como por exemplo o das drogas. “Antes de começar a jogar futebol, eu e meus amigos jogávamos basquete em uma quadra próxima a minha casa, mas aos poucos parei de ir com eles, pois na maioria das vezes, eles iam para puxar um baseado”, conta Alexandre.

Por situações como essa, ele decidiu que precisaria buscar outros rumos. Foi quando, por seu pedido, sua mãe encontrou a escolinha de futebol onde ele aprenderia quanto às técnicas, o convívio, as novas amizades e a possibilidade de um futuro melhor.

Projetos que Incentivam

No sentido de aumentar essas possibilidades, há diversos programas sociais que incentivam o esporte e incluem os jovens carentes no universo esportivo. Em Curitiba, por exemplo, existe o projeto G3 Futsports, do ex jogador Gustavo de Souza Caiche – um ex-futebolista brasileiro que atuou como zagueiro em grandes clubes do futebol brasileiro e também teve passagem pelo futebol árabe. O projeto tem parceria com o time Imperial FC de Curitiba, e tem como objetivo encaminhar atletas para clubes com o próprio Gustavo sendo o empresário desses jogadores. A idade mínima para participar do projeto e das competições pelo Imperial FC é de 17 anos.

Além dos projetos particulares implementados por ex-profissionais do esporte, há também a Lei Municipal de Incentivo ao Esporte, implementada em 2002. Utilizando uma parcela dos impostos captados, a lei busca investir em programas esportivos, dando auxílio a atletas e profissionais, em parceria com instituições carentes. Em 2018, esse projeto irá beneficiar 394 programas esportivos de 46 modalidades em Curitiba.

A Lei Municipal de Incentivo ao Esporte (Decreto 1743/2017) é um projeto que utiliza recursos provenientes do Imposto Predial e Territorial Urbano para investir em ações beneficentes relacionadas ao esporte. Buscando apoiar atletas, paratletas e profissionais da área de Educação Física, a lei é uma forma de fomentar a prática esportiva, já que colabora com entidades que necessitam de suporte financeiro para realizar seus trabalhos.

Segundo Cleonice Gonçalves, coordenadora do projeto, para ser beneficiário da Lei de Incentivo ao Esporte o atleta deve ter residência fixa há mais de um ano em Curitiba e montar um projeto que explique a razão da solicitação, as metas que pretende alcançar e os custos. Os recursos são destinados às despesas com competições, viagens, alimentação, hospedagem e material esportivo. Em contrapartida, o atleta incentivado precisa fazer prestação de contas e participar de ações que visem à promoção social no município. Projetos de iniciação esportiva apresentados por entidades, escolas municipais e projetos de educação ligados ao esporte também podem receber o benefício da Lei de Incentivo.

As ações da PMC (Prefeitura Municipal de Curitiba), com base nessa lei, têm como objetivo promover o esporte comunitário na cidade e fortalecer as instituições conveniadas, para melhorar o atendimento nos contra turnos escolares da população curitibana, principalmente em comunidades que não são atendidas pela prefeitura. Para saber mais sobre a Lei de Incentivo à prática esportiva na capital paranaense, consulte o texto da lei, clicando aqui.

(Os autores são estudantes do curso de Comunicação Organizacional na UTFPR)

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