Bienal de Curitiba promove exposição sobre feminismo

museu3

Por Caruline Rocha, Henrique Ximenes e Laura Jucá*

De setembro deste ano a fevereiro de 2018, a Bienal de Curitiba traz inúmeras obras de artistas nacionais e internacionais. Dentre as suas atrações, está a exposição “O museu é feminista” e outras esperanças sobre o futuro disposto no Museu da Fotografia, no centro da cidade. A exposição tem curadoria da publicitária Carolina Loch, especialista em Comunicação e Cultura, que ganhou o espaço na bienal ao vencer o Prêmio Jovens Curadores de 2017, e que busca dar maior visibilidade ao trabalho feminino na curadoria artística. “Curadoria inclusiva e consciente, é o que eu espero do futuro”, afirma Loch.

A oportunidade de estar em um grande evento e ter ganho o prêmio, foi o que influenciou Carolina Loch, que também trabalha como Coordenadora Institucional na Bienal de Curitiba, na decisão do tema de sua exposição. “Fala-se muito sobre o futuro da arte, mas acabam se esquecendo do futuro da curadoria em si, que escolhe o que vai estar na arte daqui para frente”, conta. Também, durante o processo de escolha do tema feminismo, foram realizadas pesquisas que mostraram a ausência de mulheres em bienais do mundo todo e isso ajudou na finalização do que seria exposto. “Quando eu pensei o que eu quero mostrar, que movimento estamos seguindo, a minha primeira decisão foi: ‘vou falar sobre o feminismo, a ausência de mulheres em um evento desse porte’, então veio a calhar a Guerrilla Girls”, afirma a publicitária. 

Guerrilla Girls é um grupo anônimo de mulheres, que surgiu em 1985 manifestando-se em combate ao machismo no mundo da arte. Seu atrativo visual é se apresentar com máscaras de gorila, o que tornou mais fácil falar sobre o assunto. O grupo já esteve no Brasil em 1992 na Mostra da Gravura em Curitiba e a retomada das obras do grupo tem intenção de tornar mais inclusivo falar sobre o tema com as pessoas que não estão preparadas para debater sobre o feminismo. “Se eu quisesse falar sobre o feminismo fazendo uma exposição só com arte de mulheres seria muito legal, mas não atrairia tanta gente para debater sobre o assunto a partir do que elas apresentam: números e frases impactantes. E eu acho que isso, para começar a falar sobre o assunto, é muito mais importante.” explica Carolina.

As obras expostas das Guerrilla Girls já são bem famosas pelo mundo, apresentam dados sobre o The Met (Metropolitan Museum Of Art), grande museu localizado em Nova York, e têm a intenção de mostrar que mesmo em museus tão importantes há pouca representação feminina. Para a exposição de Loch, porém, é exposto pela primeira vez, um cartaz que fala sobre da história do poder e da riqueza, concedido pelo grupo. “Queria uma coisa nova, que as pessoas não tivessem visto ainda sobre elas, e explicar um pouco mais sobre esse movimento e como as pessoas podem aderir”, fala a curadora, que também ressaltou que no campo da arte, a cultura ainda beneficia muito mais as pessoas de maior poder aquisitivo, na sua maioria homens.

A curadora espera que no futuro não seja preciso trazer obras de um coletivo estrangeiro para as pessoas começarem a falar sobre o feminismo no Brasil. Para ela, o ideal seria que a exposição de uma artista local, e não tão conhecida, atraísse tanto público como está acontecendo na exposição das Guerrilla Girls. “Às vezes é muito forçado, por exemplo, um galerista falar ‘vamos expor tal artista porque é mulher e agora a gente precisa ter mulher’. Isso é ruim. Eu quero que um dia isso seja muito orgânico, pensar na arte sem pensar no poder e na riqueza, e sim na arte pela arte”, conclui Loch.

No local da exposição, há um círculo formado por cadeiras e um convite para cinco palestras, que irão debater o feminismo a partir de outros temas específicos com especialistas. A primeira roda de conversa aconteceu no dia de abertura da exposição, 30 de setembro, na qual um painel com colagem feita pelas pessoas que participaram do momento foi composto com o título “Eu luto por:” e que agora faz parte da ambientação. A exposição segue aberta, gratuitamente, ao público até o dia 25 de fevereiro de 2018.

*Estudantes de Comunicação Organizacional da UTFPR

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s