Ser mulher não é ser mãe

#OPINIÃO

Por Deborah Deluchi*

Ser mãe não deveria ser uma obrigação, nem é mais um sonho de todas as mulheres como um dia já foi. Cada vez mais, mulheres decidem adiar a maternidade ou ainda chegar à decisão de não ter filhos. Assim, ser mãe não é mais o dever de toda mulher como antigamente. A mulher deve ser livre para optar se quer ou não engravidar, pois cabe só a ela a escolha de se tornar mãe ou não. Reduzir a mulher à maternidade, precisa deixar de ser cultural. Mas como explicar esse direito de não se tornar mãe para a sociedade? Antes de falar sobre como se chegou a essa situação nos dias atuais, é preciso voltar no tempo e perceber como era o modelo de vida de algumas décadas atrás.

Durante a época em que as cidades ainda eram poucas no país, e muitas famílias viviam no campo, meninas eram impulsionadas a casarem cedo, para engravidar e assim, dar continuidade à família. Também significava produzir mais mão de obra para trabalhar e assim contribuir com o seu papel para a sociedade da época. Ter filhos e cuidar da casa eram uma das poucas obrigações que cabiam à mulher fazer. E era ensinado que este era o único destino para todas elas, pois são fêmeas e afinal: “fêmeas procriam. É biológico.” 

O século XIX pode ser visto como ponto de transição na história das mulheres ocidentais. Enquanto os homens assumiram o sustento da família, para as mulheres “a procriação se tornou garantia de felicidade, de adequação à ‘natureza’ feminina, e um meio de obter reconhecimento social”. Desde então, meninas crescem ouvindo que só serão plenas se conceberem outro ser humano. Mas usar do argumento de que é preciso que toda pessoa continue a sua linhagem familiar, não é mais tão válido. Essa questão é pouco irrelevante e não deveria ser considerada como algo tão importante para justificar que todas devem ter filhos, já que a espécie humana está longe de precisar garantir sua sobrevivência, em um mundo que em breve pode enfrentar um problema de superpopulação.

As mulheres ainda estão tendo filhos, porém estão deixando para fazer isso com uma idade mais avançada e diminuindo a quantidade de crianças por família. Um exemplo claro dessa consciência, de que há pessoas em excesso, é a lei do Filho Único na China, onde casais só podem conceber uma criança por família. Porém, o argumento aqui não se trata de medidas para controlar a população geral, mas sim de tornar mais aceitável que a mulher possa decidir por si mesma, se quer ou não se tornar mãe.

Hoje, se perguntarmos às jovens (entre 15 e 25 anos), que estudam e se preocupam em construir uma carreira, sobre terem filhos no futuro, a resposta nunca será um unânime “sim”. Surgem outras prioridades. A mudança do papel da mulher na sociedade trouxe esta possibilidade de escolha. As mulheres são chefes de família, presidentes da República e de empresas, e a pílula anticoncepcional já existe há cinco décadas. Ter filhos não é mais uma obrigação social.  

Contudo ao exporem o não desejo de ter filhos, muitas mulheres ainda sofrem repreensão por contarem que isso não faz parte do seu plano de vida. São tachadas muitas das vezes, de insensíveis, egoístas, que odeiam crianças, e não é bem assim. Não é resultado de uma decisão momentânea as razões por trás da escolha, seja de não ter ou de ter filhos, não é algo para ser generalizado, não é um fator específico que leva a isso. Certas questões explicadas, por mulheres que optam por esse caminho, são das mais diversas. Em meio a um mundo tão violento, muitas mulheres pensam que colocar uma criança no mundo não seria o certo, por exemplo. Há também as mulheres que dizem que o mundo está populoso demais Há mulheres que dão prioridade a si mesmas, que querem aproveitar a própria vida e não ficarem na obrigação de ter outra dependente delas.

Esses exemplos são vistos com frequência entre pessoas do meio acadêmico. Mulheres que estão na universidade e tem grandes planos para o próprio futuro vêem a atitude de ter um filho como um impedimento para a realização de outros objetivos. Além de perceberem, muitas vezes que não estão psicologicamente e emocionalmente prontas para ter uma criança. Elas entendem que um filho não é algo que é preciso de fato ter para se sentir realizada.

*Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

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