Empatia aos refugiados

As condições vividas pelas populações que fogem dos seus países são pouco conhecidas pelo mundo

#OPINIÃO

Por Laura Jucá*

Segundo o jornal Estadão em fevereiro deste ano, desde que surgiu a guerra na Síria, mais de 5 milhões de pessoas fugiram do país, e a Europa é o destino mais óbvio dessas pessoas, pelo simples fato de pesar a fronteira que tem maior zona de conforto. Se metade da população mundial soubesse quão reais e terríveis são as situações dessa minoria, não seríamos egoísta de chegar ao ponto de dizer que a crise de refugiados é um problema europeu. Atualmente, o EUA, que recebeu apenas 20 mil refugiados sírios, adotou política de suspensão ao asilo, declarando a medida como de segurança – sendo que quem realmente necessita de segurança são aqueles que ele está barrando. Essas atitudes mostram como a sociedade é carente de solidariedade e que em pleno século XXI muitas pessoas que têm um lugar no mundo não entendem que sim, há ainda muitas outras pessoas sem lugar no mundo.

Para fugir de seus países, essas pessoas se submetem a situações desumanas. Muitos dos refugiados da Síria chegaram à Europa clandestinamente pelo mar e só essa informação já é apavorante. E quando sabemos que eles ficavam dias no mar, em barcos com cerca de 150 pessoas que na verdade deveria transportar apenas 20? Não só essa grande crise na Síria exemplifica a falta de empatia com outros povos, mas também as perseguições de mulheres pelo tráfico em países da América Central, por exemplo. Essas mulheres muitas vezes são alvos de estupradores. Ou o caso de sociedades na África que culturalmente toleram mutilação genital e o casamento forçado. As pessoas fogem disso. E, muitas vezes, famílias são separadas e os pais obrigados a abandonarem seus filhos. Tudo o que essa pessoas passam, não vale a empatia de ajudar o próximo? Vale. 

No Brasil, a ajuda aos refugiados é, muitas vezes, associada à responsabilidade do Estado em auxiliar os estrangeiros que necessitam de suporte. Quando um grande feito é realizado, como o acolhimento no país, a sociedade se orgulha da sua pátria, por ser humana. Mas será que isso ocorre de modo individual? Quando casos de refúgios são mais próximos do que a notícia que o Brasil abriu as portas para haitianos, por exemplo, há uma mesma reação de orgulho? Ou a reação é muito mais parecida com questionar um “invasor” por estar tomando o seu lugar nos hospitais públicos, que deveriam atender os brasileiros? A reação do brasileiro, individualmente, deveria ser a primeira. O Brasil é um dos poucos países que oferecem asilo a refugiados e imigrantes, sem que eles se coloquem em risco para chegar em território brasileiro. Segundo a revista Galileu, em cinco anos, o Brasil passou a receber de 966 refugiados para mais de 28 mil. Isso nos conduziu a definir uma postura humanitária, sem questionar o que irá afetar nossa rotina e considerar apenas que nascemos em uma nação privilegiada.

Um mundo empático é o que populações excluídas buscam. Para as nações, é uma decisão difícil a de escolher entre se proteger exclusivamente ou comprar a briga do próximo. O que podemos pensar é que não existe um culpado, mas apenas uma consequência como outra qualquer. Temos que ter consciência de que eles são seres humanos como nós, nos colocarmos em seus lugares e nos sensibilizarmos com o que eles não podem ter em seu país: viver sem medo e miséria.

*Estudante de Comunicação Organizacional na UTFPR

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