Em busca de uma igualdade de gênero

#OPINIÃO

Por Amanda Correia e Vivan Vieira*

Desde crianças somos ensinados a diferenciar as brincadeiras, cores e afazeres entre “coisas de meninos e coisas de meninas”. É um fator cultural e pode ser considerado como o primeiro passo para definir padrões de diferenciação, que nos afastam cada vez mais de uma sociedade justa e respeitosa. A igualdade entre homens e mulheres é uma questão de direitos humanos e uma condição de justiça, além de ser um requisito necessário e fundamental para um desenvolvimento social. Ela também exige que, numa sociedade, homens e mulheres usufruam das mesmas oportunidades, rendimentos, direitos e obrigações em todas as áreas. Devem se beneficiar das mesmas condições, como educação, saúde e carreira profissional.

Graças ao movimento feminista, que se iniciou nos séculos XVIII e XIX, as mulheres vêm conquistando diversas e importantes áreas da sociedade. A busca por direitos democráticos e a quebra da desigualdade está proporcionando a elas oportunidades de se defender de casos como machismo e abusos sexuais, fatores ainda muito presentes em nossos atuais campos sociais.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública acredita que possam ter ocorrido entre 136 mil e 476 mil casos de estupro no Brasil no ano passado. Entretanto, segundo o estudo ‘Estupro no Brasil: uma radiografia segundo os dados da Saúde’, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apenas, 10% dos casos chegam ao conhecimento da polícia, pois muitas mulheres não relatam casos assim por medo, receio da reprovação da sociedade e de suas famílias, por acreditarem na ineficácia de denúncias ou até mesmo por dependerem financeiramente de seus parceiros. 

A interação feminina nos âmbitos sociais mostra-se de suma importância atualmente. Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), 70 milhões de mulheres entraram ao mercado de trabalho nas últimas duas décadas, contribuindo para a redução de 30% da pobreza extrema no Brasil. É fundamental destacar ainda que a questão do gênero não se limita a problemática “homem x mulher”. Ela está associada também à ideia de identidade e à possibilidade de todo ser humano desenvolver capacidades pessoais e fazer escolhas, sem ser limitado por estereótipos da sociedade. A comunidade LGBT também se mostra ativa na luta pela igualdade entre os gêneros e na efetivação de seus direitos civis. A recente conquista de transgêneros do uso do nome social em suas matrículas em algumas universidades brasileiras e a disponibilização no Facebook de novas definições de gêneros para seus usuários exemplificam algumas conquistas desses movimentos.

Como nem tudo são flores, no mundo, pelo menos 72 países, estados independentes ou regiões ainda criminalizam a homossexualidade. Dentre esses, oito aplicam pena de morte a homossexuais, segundo levantamento divulgado em outubro de 2017 pela Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Pessoas Trans e Intersexuais (ILGA). Apesar de alguns países, como o Brasil, garantirem certa proteção e reconhecimento aos direitos dessa população, estatísticas sobre violência contra o grupo revelam contradições. Segundo pesquisa hemerográfica, realizada com base em notícias publicadas em veículos de imprensa, o Grupo Gay da Bahia apresentou uma matéria mostrando que 347 LGBT’s foram mortos no Brasil somente em 2016.

As mudanças pelo respeito ao corpo feminino também chegam, aos poucos, à comunicação mercadológicas, por exemplo grandes marcas que eram rotuladas machistas, como a Skol, mudaram a forma de realizar suas comunicações públicas em grandes mídias. “Já faz alguns anos que algumas imagens do passado não nos representam mais” – foi a frase utilizada na campanha do Dia Internacional da Mulher, em maio de 2017. O pedido de desculpas da Skol por seu passado machista foi apresentado na campanha Repôster, que convidou seis ilustradoras para reconstruir campanhas e anúncios do passado da marca, nos quais os corpos femininos eram usados como chamariz para a exposição da cerveja.

É possível perceber um grande avanço pela igualdade de gêneros nas últimas décadas, entretanto, casos de violência ainda estão presentes em nossa sociedade. É uma realidade difícil – mas não impossível – de ser modificada. Sendo assim, todos devem ser tratados de forma igualitária. Mudanças em campanhas, eventos de conscientização e até mesmo uma conversa entre pais e filhos em casa são de suma importância para continuar a diminuição de qualquer tipo de agressão.

*Estudantes de Comunicação Organizacional na UTFPR

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