É necessário repensar o lixo urbano

#OPINIÃO

Por Kaíssa Frade*

A disposição final do lixo é um grande problema sócio ambiental. A utilização de lixões apresenta uma série de riscos para a natureza e para o ser humano. Além de degradarem o solo e os lençóis freáticos; atraírem insetos, roedores, e outros animais que podem disseminar doenças; esses locais geram gases tóxicos, como o metano (CH4).

Antigamente, quando a sociedade era menos industrializada, existiam menos produtos enlatados e as plantações eram predominantemente orgânicas, todos os resíduos produzidos pelo ser humano retornavam para a própria natureza, reintegrando-se aos ciclos naturais. A partir do século XVIII, isso mudou. Com a criação das cidades e da sociedade moderna ocorreu o aumento da geração de detritos. Infelizmente, o descarte correto desse lixo não acompanhou seu processo de crescimento.

O Brasil é um grande produtor de resíduos, porém, infelizmente, apenas 58% do total produzido é descartado da forma correta. A Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, cuja última edição foi feita pelo IBGE em 2008, mostrou que 50,8% dos municípios brasileiros apresentam os lixões como principal destino de seus detritos. Esses vazadouros são locais sem nenhum controle fiscal ambiental ou sanitário, onde o lixo fica “amontoado”, sem ao menos preparo do solo. São locais  extremamente prejudiciais para a saúde pública, causando problemas como a proliferação de vetores de doenças, a poluição do solo e das águas superficiais e subterrâneas através do chorume. 

Uma alternativa intermediária para os lixões são os aterros controlados. A diferença aqui é a de cobrir diariamente os resíduos sólidos com uma camada de terra ou outro material de forração. No entanto, essa prática só auxilia na diminuição da incidência de insetos e outros animais transmissores de doenças. A forma ideal de se depositar o lixo é em aterros sanitários. Neste sistema, várias técnicas são adotadas, o solo é preparado e impermeabilizado, o chorume é coletado e tratado em uma estação de tratamento de efluentes. Aqui também é realizada a cobertura do lixo.

A PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos) foi estabelecida somente em 2010, uma de suas prescrições foi a de estabelecer a meta de que o Brasil não deveria mais ter lixões até agosto de 2014. Entretanto, o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil da Abrelpe, em 2016, apontou que 42% do total de lixo coletado ainda é direcionado para lixões. A Política Nacional definia também que a coleta seletiva de lixo deveria ser realizada pelas microrregiões, porém, uma pesquisa do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), mostrou que 82% dos municípios ainda não possuem programas de coleta seletiva de lixo.

Por fim, é possível observar que embora existam políticas públicas que visam resolver os problemas de lixo no Brasil, sua efetividade é próxima de zero. O aterro sanitário é a alternativa mais eficaz e sustentável quando comparado com os lixões. Dessa maneira, a incoerência está no fato de ser comprovado os malefícios dos lixões e, ainda assim boa parte do lixo ser depositado em locais que só prejudicam a natureza e o ser humano.

Ainda que a PNRS garantiu à sociedade certa participação na formulação, implementação e avaliação dessas políticas, é primordial que os cidadãos percebam sua importância no processo de descarte consciente dos dejetos. Um caminho para diminuir os problemas causados pelo lixo nas cidades são ações práticas como a dos 3R’s: redução do consumo, reutilização de produtos e a reciclagem, que juntamente com a separação do lixo, formam uma ótima alternativa para combater o grande volume de dejetos produzidos.

*Estudante de Comunicação Organizacional na UTFPR

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