Consumismo: uma constante insatisfação

Por Jeane Amaral, Laura Bedin e Luiza Queluz*

Com o advento da Revolução Industrial, no século XVIII, a escala de produção tornou-se mais rápida e consequentemente trouxe um aumento expressivo na variedade de produtos. A partir desse cenário, o ato de consumir deixou de estar relacionado apenas às necessidades. Cada vez mais, as pessoas passaram a desejar bens materiais, surgindo então um ciclo vicioso, no qual o processo de querer e comprar se repete constantemente – fazendo com que elas fiquem cada vez menos satisfeitas com seus modos de vida.

Comprar tornou-se uma espécie de refúgio e passou a estar associado ao prazer de adquirir novos bens e à felicidade momentânea, além do status que é agregado ao indivíduo. Entretanto, quando o desejo de consumo torna-se uma compulsão, surge o consumismo: um modo de vida que leva o indivíduo a comprar de maneira desenfreada, podendo causar transtornos como a oniomania (doença psicológica relacionada à falta de controle dos impulsos na hora de comprar) e endividamento. Este, se deve principalmente ao despreparo da população para lidar com assuntos financeiros, como por exemplo o cartão de crédito. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mais da metade das famílias brasileiras encontram-se endividadas. 

Uma importante influência para que isso ocorra são as propagandas veiculadas nos meios de comunicação de massa. Diariamente, deparamo-nos com anúncios em que o produto é apresentado como algo revolucionário. Algo que não podemos deixar de adquirir, como se aquilo pudesse mudar nossas vidas. Os investimentos das marcas em anúncios na televisão, internet e outdoors são extremamente altos, sempre buscando incentivar o consumidor para que se crie uma falsa necessidade daquilo que está exposto.

Esse consumo intenso é característico da sociedade atual, e, além dos transtornos que a compra compulsiva pode causar, há aumento de embalagens, produtos descartados e inúmeros resíduos gerados. Isso intensifica a emissão de gases poluentes, a devastação e a degradação ambiental, o que afeta a todos os seres, gerando danos a curto e longo prazo.

Tendo isso em vista, é no mínimo egoísta colocar seus desejos acima das consequências que o consumo excessivo pode trazer. Só será possível reverter essa situação de infelicidade constante avaliando nossas próprias necessidades e desejos, buscando sempre refletir antes de realizar uma compra. É crucial que se faça um planejamento das finanças, medindo se aquilo realmente é necessário ou será somente mais um objeto que logo se tornará obsoleto e descartável. Por isso, é imprescindível que as prioridades sejam avaliadas, e somente assim poderemos nos tornar cidadãos conscientes e, consequentemente, consumidores responsáveis.

*Estudantes de Comunicação Organizacional na UTFPR

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