Respeito é uma via nem tão de mão dupla quanto deveria

#OPINIÃO

Por Henrique Ximenes e Maisa Barbosa*

A descoberta da roda mudou a humanidade. Foi assim que o homem superou seus limites de força e passou a avançar rumo às aglomerações humanas que formariam, anos depois, as grandes cidades. O transporte de carga ficou mais fácil e, em seguida, o transporte humano também. Até que no século XIX, enfim , duas rodas foram postas uma atrás da outra e, ligadas por uma barra, alinharam-se e deram origem à primeira bicicleta, que nascia já em meio a carruagens e ônibus a vapor.

A ciclomobilidade é velha conhecida humana, porém vem se tornando um assunto mais evidente na esfera pública contemporânea, pois muitas pessoas já escolhem este modal como alternativa mais econômica, saudável e ecológica de locomoção. Sabemos que número de ciclistas está crescendo no mundo. E, em Curitiba, cada vez mais, vê-se as ciclovias, canaletas, ruas e bicicletários repentinamente mais cheios dos adeptos às duas rodas não-motorizadas. Uma contagem realizada pela Prefeitura de Curitiba em março de 2017, num ponto nodal de ciclofaixa (na esquina da Rua Mariano Torres com a Sete de Setembro), mostrou que, em duas horas, um número 198% maior de ciclistas se fez presente, em comparação com os resultados de 2015. Porém, isso não significa que a infraestrutura tenha acompanhado esse crescimento.

Um exemplo de fácil compreensão: as ciclovias. O mapa da infraestrutura cicloviária em Curitiba mostra que a principal preocupação pública sobre o tema é que o ciclista tenha tempo para passear, visto que as ciclovias oficiais (vias de uso exclusivo da bicicleta) ligam apenas os parques da cidade. Uma pesquisa promovida pela ONG Transporte Ativo , sobre o perfil do ciclista brasileiro, evidencia que a bicicleta já não é mais usada apenas com esse intuito e lista que, dentre os destinos e motivos para se pedalar dentro de uma capital, a locomoção para o trabalho já é a principal razão para o uso do modal.

E quando não há ciclovia que facilite os transportes diários, o ciclista é automaticamente levado a compartilhar a via com os demais veículos. Compartilhar? “Sai da rua”; “Vai pra calçada”; “Lugar de bike é na ciclovia” – são as frases mais leves que ouvimos ao usar nossas pernas como propulsoras de deslocamento em uma – entre muitas aspas – pista de carros. Para além das “finas”, buzinadas e assédios recorrentes. Isso é compartilhar ou oprimir? Não tem ciclovia nem para chegar no centro da cidade, então, como sair da rua? Não é uma questão de quem é o rei da pista, ir e vir é direito humano! Mas se for preciso, que se coloque em lei o respeito à vida de quem pedala. Pronto, é código de trânsito também! Artigo 29: o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) assegura a integridade física do cidadão pelo uso da bicicleta e, segundo ele, lugar de bicicleta é na rua. Mas poucos são os que entendem isso. Manter o 1,5 m de distância do ciclista parece ser algo muito difícil para o inatingível alguém que senta confortavelmente dentro de um automóvel. O esforço equivalente a um carregamento de carga pesada antes mesmo da existência da roda.

*Estudantes de Comunicação Organizacional na UTFPR

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