O país pentacampeão não entende de futebol

#OPINIÃO

Por Douglas Rigamonte*

Quantas vezes você que gosta de futebol já ouviu frases como “não perca tempo com isso” ou “vá estudar que você ganha mais”? Dizeres equivocados sobre o esporte e a área de conhecimento são espalhados constantemente por pessoas que não compreendem a fundo o assunto. É inegável que uma parcela da sociedade conceitua o futebol como apenas um jogo praticado dentro das quatro linhas, mas o que o esporte pode representar para uma nação vai muito além dos gramados.

O fato é que, obviamente, o aspecto mais atrativo do tema é o jogo em si – estes 90 minutos resultantes de todos os processos que ocorrem por trás do evento. No entanto, estes momentos não acontecem por acaso. Existem instituições – e, claro, clubes – que trabalham processos de diversas áreas do conhecimento humano (em especial comunicação e pesquisa) para garantir a constante evolução do desporto. Exemplo disso, no Brasil, é o NUPEF (Núcleo de Pesquisas e Estudos em Futebol) focado exclusivamente na parte teórica do tema, que ainda, infelizmente, é pouco difundida no país. Além disso, após a democratização do futebol, este esporte passou a ser meio de transformação social, auxiliando na quebra de barreiras raciais e econômicas no mundo todo. Deste modo, para você, amigo ou amiga que gosta de um bom futebol: seu gosto não é fútil; ele é um vasto campo profissional que possui um mercado amplo de 1,6 bilhão de fãs no planeta. E, não, você não está perdendo tempo.

“Não passa de um bando de gente correndo atrás de uma bola”, essa é uma das frases mais comuns que representa a ignorância acerca do tema proferida por pessoas que criticam o futebol. Para elas, gostar do esporte mais popular do mundo é algo fútil, sem sentido. Essas pessoas acreditam serem até mais inteligentes por não fazerem parte dos que apreciam o tema, e se sustentam em argumentos distorcidos de alguns pensadores como “o futebol é o ópio do povo”. Em alguns casos isolados, o futebol pode até se tornar um ópio, mas, para todo um povo, isso comprova-se como absolutamente impossível, a não ser que os “intelectuais” acreditem que os meios de comunicação de massa possam realmente controlar as pessoas. A audiência é crítica e, portanto, incapaz de ser totalmente manipulada. 

É possível encontrar com facilidade argumentos positivos em relação ao tema ao se apresentar o aspecto social do desporto. Subsequentemente às quebras de barreiras raciais e econômicas já apresentadas, o futebol ultrapassa os limites do esporte: é um dos maiores fenômenos sociais do planeta. O “simples jogo”, inserido em políticas internacionais para fomentar o desenvolvimento humano, é ferramenta de educação social e esperança para milhares de jovens que são retirados da criminalidade – existente principalmente no Brasil -; inclusão para portadores de necessidades especiais; garantia de sustento para milhares de profissionais e também responsável por movimentar a economia do mundo de forma significativa, cerca de R$ 577 bilhões por ano, segundo a consultoria ATKearney. Além disso, é um dos componentes principais nas áreas de entretenimento, turismo, saúde física e tecnologia. 

Em um âmbito teórico, é de extrema importância a comunicação no futebol. Para os interessados pelos dois temas, é como unir a bola com o gol. Apesar de pouco explorada no Brasil, a área da comunicação  possui a maior relevância para o esporte, pois possibilita a ligação com seu público. Como já citado, o futebol possui um mercado de 1,6 bilhão de fãs no mundo e comunicar-se da maneira correta com tantas pessoas é um desafio cada vez mais difícil. Carece de profissionais ambientados ao contexto, por conta das excessivas críticas ao que é chamado de “perda de tempo”. No âmbito da comunicação, o esporte mais popular do Brasil se apresenta, em maior parte, apenas com meio informativo e não há produções nacionais de relevância. Ainda que haja cursos de especialização, mestrado e doutorado apenas em áreas de interesse relacionadas, como jornalismo esportivo e marketing no futebol, além da inclusão do esporte em políticas internacionais para o desenvolvimento humano, essa área de conhecimento do desporto responsável por tantos avanços sociais no país pentacampeão ainda não é vista com a devida importância. Como se o conhecimento teórico adquirido com conteúdos ligados ao esporte fossem irrelevantes no país.

Por fim, assim como na Europa, o tema deve ser visto como um campo de estudo importante. Para quem não possui interesse pelo assunto, é fundamental a compreensão de que, assim como qualquer área do conhecimento, os conteúdos relacionados ao futebol – desde o jogo do fim de semana ao doutorado em comunicação esportiva – são importantes para alguém. É compreensível que parte da população esteja descrente com a utilização do esporte apenas para o lucro por parte de organizações poderosas e dirigentes corruptos. No entanto, é necessário um olhar aprofundado acerca do conceito do tema, que, utilizado corretamente, apresenta avanços sociais importantes.

“Se todas as batalhas dos homens se dessem apenas nos campos de futebol, quão belas seriam as guerras.” – Augusto Branco.

 

*Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

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