Semana Acadêmica debateu a presença da Mulher Negra na Moda

#COBERTURAESPECIAL #TAMBOR

Por Jessica Guimarães, Julia Duda e Sara Takatsuki*

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Colóquio reuniu estudantes para discussão em torno de Designer de Moda Suelen Matos (Foto: AG Comunique)

Na manhã do segundo dia (26/09) de programação da Tambor, a Semana Acadêmica de Comunicação da UTFPR, foi realizada um colóquio sobre a representatividade da mulher negra na comunicação de moda. A convidada Suelen Matos, designer e pesquisadora na área de plástica afro-brasileira na moda feminina, explicou que há empecilhos para a entrada definitiva da mulher negra na moda. Entre eles, afirmou que o racismo e o machismo são as principais causas e que, no Brasil, o racismo institucional velado é naturalizado. “Se é questionado, é rotulado como ‘mimimi’. O racismo existe, sim. O motivo pelo qual o negro não se insere definitivamente na moda e na comunicação é o racismo velado”, declara.

Em sua fala, Suelen Matos apresentou a evolução das mulheres negras como modelos que, ao mesmo tempo que eram mais representadas ao decorrer dos anos, as negras selecionadas possuíam padrões europeus. Como ilustração, trouxe os exemplos do nariz fino e da boca pequena, padrões impostos que não retratam de fato a maioria das mulheres negras, que também eram evidenciadas de maneira a sexualizar o corpo feminino e a estereotipar a cultura africana. Durante a palestra, Suelen elucidou que isso não é necessariamente negativo, mas torna-se problema quando as negras passam a serem retratadas somente dessa forma.

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Suelen Matos é Designer de Moda, estudante do curso de especialização em Africanidades e Cultura afro-brasileira pela Universidade do Norte do Paraná e pesquisadora na área de plástica afro-brasileira na moda feminina.

Em entrevista à AG Comunique, a palestrante também tratou da questão feminista, explicando como todas as mulheres nunca tiveram papel na história da moda, inclusive como grandes estilistas e historiadoras. “No início da moda, no séc XIX, existiam os homens que costuravam, os chamados modistas, as mulheres eram pouquíssimas e não eram valorizadas. Começa tudo errado”, afirma Suelen Matos. Segundo ela, isso também dificulta a pesquisa sobre a mulher negra na área. “Eu tive muita dificuldade de estudar a mulher negra porque é tudo escrito por homens brancos. Nos registros históricos, a mulher também não aparece. “O machismo não deixa as mulheres estarem nesses cenários. A gente tem que ocupar esses espaços e evidenciar as mulheres”, destaca.

Dialogando com o universo acadêmico, a palestrante, compartilhou sua experiência ao afirmar que sofreu em tentar abordar temas como esse em seu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), por a universidade também ser um local elitizado.

*As autoras são estudantes do curso de Comunicação Organizacional da UTFPR

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