A metamorfose de Rebeca

A garota transexual que saiu das estatísticas e conquistou seus sonhos com muita garra

#PERFIL

Por Giulia Boiko

Transexuais são indivíduos que se identificam socialmente e psicologicamente com o gênero oposto ao apresentado desde a infância, em discordância com sua anatomia. Estes indivíduos fazem parte da comunidade LGBT e são a parte que mais sofre preconceitos conectados com a transfobia e diversas outras formas de agressões. Muitos jovens transexuais ao assumirem sua identidade em casa são expulsos, agredidos e muitas vezes mortos e esta é a realidade de muitos jovens no Brasil, o país que mais mata travestis e transexuais. A história de Rebeca Dias, uma garota trans de menos de 20 anos,  poderia ser um destes casos, mas a garota que já passou por problemas sociais e familiares por conta de sua identidade, conseguiu superar todas suas dificuldades com muita perseverança e uma personalidade fortíssima.

Rebeca Dias (19), nascida no interior de São Paulo, no Vale do Ribeira, assumiu-se transexual aos 14 anos. Criada por seus pais em uma cidade pequena, junto de suas irmãs mais novas, antes de se assumir publicamente conversou primeiro com seus amigos e posteriormente com sua mãe. Ao se assumir transexual, a  jovem, não obteve apoio imediato de seus familiares e este foi um dos períodos mais turbulentos de sua vida. Rebeca teve problemas, após sua mãe contar para a família, principalmente, com seus tios que não aceitavam o fato de ter uma sobrinha transexual, mas, atualmente, acredita que eles não precisavam ter aceitado.

Sem o apoio de seus pais, que odiavam o fato de ter uma filha transexual, ao completar 16 anos, Rebeca começou a usar roupas femininas e iniciou seu tratamento hormonal. Mesmo com a falta de apoio e os efeitos colaterais dos medicamentos Rebeca nunca pensou em parar seu tratamento. Somente dois anos depois, ao passar no vestibular e mudar de cidade, a garota começou a ter apoio de sua família, que hoje tem orgulho da filha. Enquanto estava no ensino fundamental e no médio, Rebeca não tinha seu nome reconhecido. Foi proibida de usar banheiros femininos e se sentia desconfortável ao ser chamada no masculino. A estudante sofreu Bullying em sua escola, tanto por professores como por colegas de classe e isto a fazia não gostar de estudar.

Dona de uma personalidade fortíssima, Rebeca nunca desistiu de alcançar seus objetivos. Aos 18 anos passou no vestibular na UFPR em Letras – Português, Atualmente, Rebeca é uma das únicas, e mais novas, transexuais de sua faculdade, sendo a outra a professora Dra. Megg de Oliveira.

A estudante sente que é um ato de militância muito grande estar em uma das melhores universidade públicas do país, e sente-se completamente acolhida pela faculdade, onde nunca teve problemas com ser reconhecida. Mesmo não tendo nome social legalmente reconhecido, em suas listas de chamada é chamada por Rebeca e quando seu nome social não é reconhecido a garota impõe isto.

Rebeca sente-se protegida por estudar na Reitoria da UFPR, que é conhecida por ser livre de preconceitos, mas sente receio em estudar em outro campus onde poderia sofrer algum tipo de violência. Mesmo sendo muito perseverante Rebeca sente muita dificuldade em arrumar emprego e não é aceita em nenhuma empresa, por isso recorre ao auxílio estudantil oferecido pela faculdade.

A jovem sente que este é um dos melhores períodos de sua vida, tanto academicamente quanto emocionalmente, e faz acompanhamento psicológico mas ainda não decidiu sobre procedimentos cirúrgicos ou a cirurgia de redesignação sexual, pois sente-se bem com seu corpo atualmente. Mesmo com todas as dificuldades pelas quais passou, Rebeca nunca vai desistir de seus sonhos e será professora no futuro, para isto seu próximo passo é a pós graduação em sua busca por um futuro brilhante.

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