A polarização política fermentada nas redes sociais

#OPINIÃO

Por Juliana Virgolino

Em 2013, com a onda de manifestações, surgiu também uma nova forma de pensar e expressar política. Com isso, cidadãos se conectaram e passaram a construir e disseminar suas ideologias por meio das redes sociais na internet. Grupos que surgiram para compartilhar insatisfações e marcar manifestações passaram a ser local de debate, mas, com isso, o discurso radicalizado e massificado também ganhou força. O comportamento radical, que era comum nos movimentos de militância, passou a ser reproduzido pela grande massa.

Os marqueteiros políticos se aproveitaram dessa onda de pensamento para fazer suas campanhas e deram outra cara para as eleições presidenciais de 2014, e com isso o discurso polarizador se consolidou. Os termos esquerda e direita passaram ser esbravejados nas ruas e começaram a ser utilizados para legitimar ou deslegitimar argumentos. Além disso, as redes sociais deixaram de ser palco de debate para ser o ambiente em que os indivíduos criam e cultivam suas bolhas ideológicas. A polarização vem resumindo as discussões políticas a um único objetivo: definir certo e errado, bem e mal, cool e clichê. E é esse tipo de rotulação que as torna rasas e infantilizadas. Mas até quando seremos reféns de rótulos para nos posicionar?

Em 2017, vivemos em situações delicadas tanto na conjuntura política quanto econômica. Novos acontecimentos na política nacional tem mostrado como o discurso daqueles que se consideram politizados é versátil quando conveniente, e aqueles que gritavam “Fora Dilma” hoje gritam “Fora todos os corruptos”. Isso nos mostra que na maioria das vezes as pessoas não buscam esclarecimento, mas apenas utilizam o ciberespaço para se autopromover e se sentir pertencente a algum grupo. Alguns acreditam que a internet “deu voz aos imbecis” mas a verdade é que os imbecis sempre vão encontrar algum lugar de fala para protagonizar. Se não for na internet será nas universidades, programas de televisão ou até trios elétricos.

E o que nos resta, então? Devemos aproveitar as facilidades que a internet nos proporciona e utilizá-la com sabedoria. Debater com maturidade, problematizar tudo sempre, considerar todas as opiniões divergentes para que as discussões sejam enriquecedoras, para todos os polos.

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