Em campanha: pela liberdade de Rafael Braga!

#OPINIÃO

Por César Cruz

rafael braga

Qual a diferença entre um homem branco bem vestido  e um cidadão em situação de rua, catador de latinhas, negro? Para a justiça, deveríamos ser todos iguais, em teoria. Na prática, é bem diferente. Não existe crime inafiançável para gente branca. Do outro lado da moeda, é palpável a perseguição e o genocídio da população negra no nosso país. No Brasil, morre, segundo a CPI no senado sobre o assassinato de jovens (2012), um jovem negro a cada 23 minutos. Durante o ano, 23.100 jovens negros com idade entre 15 e 29 anos. Completando 63 por dia com um a cada 23 minutos.

Sem pensar nesses dados, completa neste mês de junho exatos quatro (04) anos da prisão injusta e tendenciosa de Rafael Braga. Acusado de participar das manifestações de junho de 2013, mesmo sem pertencer a nenhum movimento organizado, onde foi preso pelo porte de um pinho sol. Em primeiro julgamento (2013), pelo juiz Ricardo Coronha, Rafael, havia sido condenado a cinco anos de prisão. Agora, em 2017, com o caso levado a julgamento novamente, foi condenado a 11 e a pagamento de multa.

Em mobilização ao caso, movimentos e demais pessoas organizadas juntaram forças para gritar contra a impunidade e o racismo estrutural no Brasil. Iniciada no primeiro dia (01) de junho, mês de prisão de Rafael, a campanha “30 dias para liberdade de Rafael Braga” tem o intuito de levar à mídia toda a verdade que foi escondida sobre o caso. Manifestações ocorrerão em todo o Brasil, como em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Belém entre outros. Conta também com programação diversa desde saraus, roda de conversa e culturais, manifestações e espaços de formação com foco no recorte de raça. 

Não é apenas por um pinho sol. Mas por ser preso pela cor da pele, pelo tratamento racista dos Policiais Militares, pela implantação de provas, pela necessidade de afirmar justiça prendendo e matando gente preta.  

O grito que pede liberdade para Rafael Braga é composto por vozes de mães, avós, tias e irmão e irmãs, negros e negras. Militantes ou não, mas pessoas que querem justiça. Especialmente quando o assunto é criminalização racial no Brasil, pedem também a desmilitarização da polícia militar. Rafael Braga é apenas mais um de mais da metade da população brasileira. Ele faz parte da estatística. É como mais da metade da população jovem e negra, que morrem a cada 23 minutos neste país.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s