Um por todos e todos por elas

#OPINIÃO

Por Caroline Dallagrana, Danilo Siqueira e Giulia Boiko

Desde a Amélia que não tinha a menor vaidade, do sambista Mário Lago, até a Amélia que vira a mesa e assume o jogo, da cantora Pitty, a situação da mulher no Brasil mudou muito. Leis foram criadas, campanhas de conscientização foram divulgadas e empresas têm se posicionado positivamente sobre o assunto. Entretanto, ainda há muito a ser melhorado, pois o problema da violência contra a mulher não é a impunidade, e sim o machismo entranhado na cultura que só mudará com uma profunda transformação cultural.

A cultura brasileira perante o assunto ainda é medieval. As mulheres são vistas como objetos de desejo ou de uso e seu corpo é constantemente explorado nas propagandas, como a divulgada pela marca de cervejas Itaipava, com a famosa frase “vai verão, vem verão”, usando uma mulher como personagem e tornando ambíguo o nome “Vera”. Esse tipo de situação acontece mesmo com as recentes mudanças de posicionamento das empresas, que buscam se adequar ao novo comportamento do consumidor – que quer ser ouvido e representado ao invés de ser explorado. Apesar disso, devemos nos atentar à falsa sensação de que tudo está melhorando e se mascarando de não violência.

Campanha de violência contra a mulher. Fonte: Ministério Público do Estado do Piauí

Enquanto as mulheres forem objetificadas, desvalorizadas e discriminadas, não só em propagandas, mas na sociedade em geral, com pessoas com pensamentos retrógrados – como “mulheres com roupas curtas estavam pedindo para serem estupradas”, “lugar de mulher é na cozinha” ou “mulher tem que se dar ao respeito” – a violência contra a mulher continuará. Segundo o “mapa da violência contra a mulher” de 2015, números apontam, em primeiro lugar, os cônjuges como responsáveis pela agressão, seguidos dos ex-cônjuges e, posteriormente, os namorados. Isto continua acontecendo justamente pelo machismo entranhado na cultura, com maridos e namorados achando que o corpo de suas cônjuges lhes pertencem.

Além disso, milhares de mulheres são mortas, espancadas ou sofrem agressões psicológicas diariamente no Brasil. Em Curitiba, por exemplo, duas mulheres são estupradas a cada 3 dias, de acordo com dados levantados pela Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária (SESP).

Leis como a Lei Maria da Penha, criada em 7 de agosto de 2006, e a Lei do Feminicídio, criada em 9 de março de 2015, sem dúvidas trouxeram resultados significativos para o assunto. Dados levantados em 2015, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), apontam que, após a Lei Maria da Penha entrar em vigor, casos de homicídios contra mulheres dentro de casa diminuíram em 10%.

Entretanto, para a mudança realmente acontecer é necessário educação. É preciso que, tanto na escola, como em casa, tenham discussões sobre questões de gênero, igualdade, misoginia respeito e igualdade, pois uma profunda mudança cultural só virá com uma mudança de pensamento. E esta mudança de pensamento só virá com muita educação.

Em briga de marido e mulher, se mete a colher sim, e todo tipo de violência contra a mulher tem que ser denunciada. O Ligue 180 é o principal meio do serviço público para a realização de denúncias de violência contra a mulher. Cópias dessas chamadas são encaminhadas automaticamente para o Ministério Público, responsável pela investigação. Toda a estrutura do sistema garante o sigilo do denunciante e sua ligação pode salvar vidas. Ligue 180.

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