A obesidade infantil e suas relações com a vida adulta

#OPINIÃO

Por Amanda Xavier, Pamella Victória e Victória Diniz

Com a depressão crescendo junto a casos e mais casos de suicídio, a sociedade tenta compreender os diversos porquês e buscar possíveis soluções para que a saúde mental seja sempre prioridade. A depressão em adultos pode ser um reflexo de diversos problemas vividos na infância ou adolescência, como por exemplo, o bullying. Todo o conjunto de agressões que o compõe representa o maior incômodo, vivenciado durante o período escolar. Sejam físicos ou verbais, os ataques ocorrem por qualquer diferença que a criança tenha eu seu corpo, comportamento ou forma de falar. O que para o agressor é divertido, para a vítima pode ser o estopim para desdobramentos que seguem ao longo da vida.

Desde os primeiros anos da vida, personagens infantis com características distintas do grupo de convívio são apresentados como estranhos, aqueles que “merecem” ser tratados conforme suas peculiaridades. Um exemplo claro é o que ocorre em “A Turma da Mônica”, em que a protagonista é vítima de ofensas verbais por estar fora do peso considerado ‘’normal’’, e também sua amiga Magali, que é chamada de ‘’comilona’’ por todos os colegas. 

A obesidade infantil é uma das principais causas de bullying encontrado nos colégios. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério da Saúde, uma a cada três crianças brasileiras de 5 a 9 anos está acima do peso considerado normal para a idade. Sendo o quinto país com o maior número de crianças obesas no mundo, o Brasil tem os índices da doença aumentando mais de três vezes desde 1974.

Tendo a má qualidade na alimentação e a falta de atividade física como principais causadores da doença, a Fundação Oswaldo Cruz alerta os pais sobre o uso exagerado de equipamentos eletrônicos pelas crianças. A televisão, videogames e celulares, por serem muito atrativos, acabam substituindo as brincadeiras de rua e a prática de esportes, levando as crianças a ingerir uma maior quantidade de alimentos. Comendo cada vez mais e saindo cada vez menos de casa para brincar ou se exercitar, as crianças estão se tornando sedentárias.

A obesidade infantil tem consequências não apenas na saúde da criança, mas também no seu desenvolvimento psicossocial. Adultos que tiveram sobrepeso durante a infância têm tendência a se tornarem depressivos ou até mesmo continuar obesos. Segundo o artigo científico Obesidade exógena na infância e na adolescência, “o risco de a criança obesa tornar-se adulto obeso aumenta acentuadamente com a idade, dentro da própria infância. Assim, quanto mais idade tem a criança, maior probabilidade terá de ficar um adulto obeso” (ESCRIVÃO et al., 2000, p. S309).

Uma vez que a criança não tem autonomia total sobre sua alimentação, nem conhecimento a respeito do valor nutricional de cada alimento, cabe aos pais conduzir o filho à uma boa alimentação. Além disso, é necessário também os médicos alertarem aos adultos as consequências da doença a longo prazo no desenvolvimento das crianças, pois ainda há o conceito de que uma criança com saúde é uma criança não tão magra. Outro paradigma que ainda precisa ser quebrado é de que crianças podem comer o que quiser, pois estão em fase de crescimento.

O tratamento da doença na infância dificilmente envolve medicamentos ou cirurgias, a não ser em casos avançados em que há ligação com outras doenças que necessitem tratamento farmacêutico como: colesterol alto, diabetes ou problemas de tireoide. Em casos de sobrepeso ou obesidade que não envolvam outros riscos, o apoio e incentivo da família e daqueles que convivem com a criança é imprescindível. Além das orientações de um profissional, o suporte psicológico é essencial para que decepções convenientes da doença não interfiram em seu desenvolvimento e, consequentemente, tornarem-se fantasmas na vida adulta.

Referências
ESCRIVÃO, M. A. M. S. et al. Obesidade exógena na infância e na adolescência. J Pediatr, v. 76, n. Supl 3, p. S305-S310, 2000. Disponivel em: http://www.jped.com.br/conteudo/00-76-S305/port.pdf

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