MOVIMENTOS SOCIAIS TOMAM A REPÚBLICA DE CURITIBA

Texto e fotos: Jéssica Beker Godoy

A reportagem da AGComunique acompanhou parte da movimentação de apoiadores do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva ontem em Curitiba.  O petista esteve na cidade para depor na Justiça Federal, ao juiz Sérgio Moro, em função de investigações da Operação Lava-Jato.

Os movimentos sociais que vieram à capital paranaense para apoiar Lula montaram acampamento em um terreno abandonado na região central e de lá partiram para uma concentração na Praça Santos Andrade.

Um grande palco foi erguido em frente ao prédio histórico da Universidade Federal do Paraná, no qual diversas personalidades e representantes de movimentos sociais discursaram protestando contra as ações do juiz federal Sérgio Moro e apresentando seu apoio ao ex-Presidente da República e também à ex-Presidente  Dilma Roussef.  Durante todo o dia, o palco recebeu ainda apresentações culturais, com cantores interpretando grandes canções da Música Popular Brasileira.

Os Defensores de Lula

A agricultora familiar Jucimara Araldi veio de São Domingos, em Santa Catarina, para participar do protesto pacífico. Usando um boné verde com uma estrela vermelha no meio, como o de Ché Guevara, ela fala que veio à capital para “defender a democracia desse país, defender os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, mas, principalmente, defender o companheiro Lula, que é uma figura muito importante para os trabalhadores e trabalhadoras de todo o país que mudou significativamente a vida de cada um e de cada uma, mudou o rumo do Brasil”. E completa: “Um presidente que não tem ensino superior, foi  o presidente que mais investiu na história em universidades públicas e em institutos federais, dando de fato acesso a quem nunca teve oportunidade. Então o nosso ato aqui é essa defesa, a defesa da permanência das políticas públicas e do acesso da juventude principalmente”.

Vindo do Rio Grande do Sul, da cidade de Santa Maria, Luciano Ribas declara que veio a Curitiba com o propósito de defender a democracia: “O Brasil hoje passa por uma situação onde a democracia está em risco. Não é só uma opção política, não são os direitos dos trabalhadores, não é apenas isto, tudo está em risco. Mas fundamentalmente está em risco um país que conquistou duramente o direito de ser livre, o direito de ser feliz, o direito de votar e tão tentando nos tirar isso. Então o grande compromisso de quem está aqui hoje é isso: defender a democracia”.

Questionado sobre sua opinião quanto ao que mobilizou tantas pessoas a protestar, vindas de todo o país, ele diz que a população está ali para defender a figura do Lula, como uma pessoa que está sendo injustiçada, vítima de uma “perseguição judiciária”, pois, “quem o persegue sabe que ele é a pessoa que pode voltar e retomar a defesa dos direitos dos trabalhadores, então o motivo principal de quem está aqui é defender o direito do Lula continuar exercendo a sua cidadania”.

Em relação ao juiz federal, Luciano é categórico ao afirmar que Moro ” envergonha o judiciário”, agindo sem a isenção que se exige de um juiz, tomando partido e explorando um poder que vai além do judiciário, ao qual o juiz não possui direito ou moral para explorar. “A pior ditadura que pode existir é a ditadura do judiciário, porque ela usa a lei contra os outros e eu acho que infelizmente o juiz Sérgio Moro passou do ponto.”

A luta da diversidade

Fabrício e Alexandre fazem parte do setorial LGBT do Partido dos Trabalhadores de Santa Catarina e vieram de Florianópolis participar da mobilização. Fabrício, com uma faixa vermelha na cabeça e uma bandeira vermelha com o símbolo do PT às costas, balança uma bandeira de arco-íris, símbolo da luta LGBT. Quando perguntado o que o trouxe até Curitiba declara: “Viemos defender o nosso presidente, que trouxe universidade para este país, que trouxe direitos LGBT, que trouxe direitos pras mulheres, que trouxe desenvolvimento econômico para o país. Nós estamos aqui para defender ele […] para mostrar que a gente está do lado dele, que o povo está do lado dele, entendeu? Que ele é do povo e que nós estamos com ele”.

Alexandre conta sobre a mobilização nacional em favor do ex-presidente: “[…] tem pessoas vindo de longe, há três dias na estrada para poder lutar, estar junto com a gente, mostrar esta força”. E relata sua percepção de como foram os anos de governo pepista: “Nesses últimos treze anos a gente pode experimentar só um pouquinho, só um pouquinho do que é poder ser o que a gente é, mas a gente tem muito para alcançar. Aquilo foi só um tira-gosto. Essa parte da democracia que está acontecendo. É só pra nos unir mais, pra gente conseguir deixar o preconceito de lado. A gente vai ganhar muito mais coisas, vai ser muito melhor esse nosso Brasil. Com o Lula! Com a esquerda! Todos juntos!”

A história do Brasil

Pedro veio de São Paulo e apresentou sua visão dos movimentos que estão acontecendo no país: “Quando a gente pensa na história do Brasil a longo prazo,  vê alguns momentos que insistem em se repetir, acho que esse é um deles. Aconteceu isso com o Getúlio Vargas na década de 50, aconteceu isso com o João Goulart e vem acontecendo agora com o Lula e com o PT”. Ele completa: “Acho que vem tendo uma estratégia de criminalização de um partido e de uma pessoa só, injusta. E é contra isso praticamente que eu estou aqui tentando… fazendo a minha parte”.

Ele, que é assessor de um deputado federal, diz ainda que o interessante dos movimentos sociais, como o que aconteceu ontem, é a retomada do espaço público pela população como arena de debate político, alertando as pessoas sobre o que está acontecendo no Brasil. Ainda que não concordem com este movimento, ele faz as pessoas pensarem e despertarem para a realidade do país.

Questionado sobre o ex-presidente, ele responde que o Lula foi o maior líder popular do Brasil. “Eu lembro de uma das coisas que ele falou logo que assumiu a presidência: que a grande revolução seria dar três pratos de comida pro brasileiro todo dia […] Ele conseguiu fazer com que um histórico de uma construção de um Estado sempre mais privatista, sempre mais elitista fosse barrada pra conceber um Estado um pouco mais inclusivo. Acho que isso é o grande marco dele e é por isso que a gente está aqui”.

E também concorda com outros presentes no movimento: “Ele (Moro) assumiu um lado de uma briga, ele deixou de ser juiz pra tomar partido, tomar um lado dessa disputa e está metendo os pés pelas mãos. Acho que tá ficando feio, cada vez mais”.

A concentração na Praça Santos Andrade avançou até o início da noite de ontem, sendo encerrada por um discurso do ex-presidente Lula que falou a seus apoiadores depois de encerrado o depoimento na Justiça Federal.

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