Quem lucra com a periferização?

TEXTO DE OPINIÃO

Fabiola Costa (*)

Curitiba, como todas as maiores cidades brasileiras, tem áreas de ocupação irregular e longas filas de espera nos programas de habitação popular.

E como as prefeituras têm resolvido isso – quando resolvem -? Criam novos bairros na periferia ou condomínios sem nenhuma qualidade arquitetônica em bairros afastados. Estas não podem ser consideradas as melhores soluções.

Quando criamos novos bairros, ou condomínios em bairros afastados, levamos uma grande quantidade de pessoas para lugares nos quais a infraestrutura é inexistente ou deficitária. Não temos saneamento básico (água, luz e esgoto) instalado, como também faltam asfaltamento, iluminação pública, escolas, postos de saúde, transporte público e, o principal, empregos. Essa população necessita se deslocar muito até seus locais de trabalho.

Então quem lucra com a periferização? Posso apontar dois agentes principais: os políticos e as grandes construtoras.

Os políticos lucram com a gratidão das pessoas – apesar delas serem jogadas para longe dos centros e estarem “escondidas”, têm uma moradia e o direito a uma vida mais digna – que continuam a votar nos mesmos, perpetuando o poder dos grupos. As grandes construtoras têm o lucro mais óbvio: o financeiro. Essas obras geram contratos milionários e, é claro que elas preferem que essa lógica de periferização se mantenha.

Tem uma forma de resolver parte do problema de moradia? A resposta é sim. Temos diversos edifícios no centro e arredores desocupados e que poderiam ser reformulados para moradia.

E porque isto não é feito? Muito simples: as obras necessárias para adaptação desses edifícios ou construções nos terrenos não gera lucros financeiros vantajosos como na periferia. E para os políticos tem outros dois fatores que impedem, o primeiro é que não dá publicidade tão grande, não são obras enormes, e uma parte da população, aquela que tem dinheiro e apoia as campanhas políticas não quer essa mistura social. Preferem continuar vivendo numa cidade onde haja clara distinção social.

Termino com uma pergunta, queremos manter essa lógica ou queremos cidades mais igualitárias, onde a população toda seja bem atendida?

* Acadêmica Comunicação Organizacional da UTFPR

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