Trabalhar ou estudar?

TEXTO DE OPINIÃO

Lukas Guibor (*)

Para alguém que possui apenas o ensino médio, o mercado de trabalho proporciona uma remuneração meramente de subsistência. Sabemos que o salário mínimo não cumpre com suas obrigações embasadas no Art. 7, inciso IV da Constituição Federal de 1988 que define que o salário mínimo deve ser capaz de atender as necessidades vitais básicas do trabalhador e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social.

estudar

Os avanços na ampliação do acesso às universidades possibilitou a chance de mudança da realidade social vivida por grande parcela da população brasileira. De 2002 a 2012, foram criadas mais 2,8 milhões de vagas de ensino superior. Para as classes mais desfavorecidas, almejar uma melhor formação se tornou acessível, e a chance de melhorar de vida, uma realidade.

Segundo notícia publicada em 09/10/2012 na Carta Capital, 70% dos estudantes universitários brasileiros trabalham, e dos 6,2 milhões de estudantes, 1,2 milhão se consideram chefes de família em levantamento realizado pelo Instituito DataPopular. Portanto, deixar de trabalhar não é uma opção, já que as bolsas permanência são escassas e não possibilitam pagar sequer o aluguel de um apartamento pequeno em região “barata” de Curitiba, que fica por na média de R$ 596,52 mensais.

O perfil dos alunos universitários mudou, isso é óbvio. Mas tal mudança, talvez não tenha sido percebida (para não dizer negligenciada) por vários docentes, inclusive de nossa instituição. Metade dos professores do Departamento Acadêmico de Linguagem e Comunicação (DALIC) acredita que os alunos não deveriam fazer nada além de estudar.

Além da rotina pesada de trabalho, que geralmente é de 40 horas semanais, a luta diária desses acadêmicos, às vezes, é dificultada por pura mesquinharia. Todos conhecem casos de perseguição aos estudantes trabalhadores em diversas instituições de ensino, apenas pelo fato de que esses discentes não dedicarem-se integralmente à atividade acadêmica.

Aos docentes que praticam tal indecência, deixo aqui uma reflexão: manter esse tipo de postura contribui para a segregação social na comunidade acadêmica, e desmotivação dos estudantes. É claro que dedicar-se a apenas estudar é a vontade da maioria, senão de todos. Mas isso, infelizmente, não passa de um sonho para grande maioria dos alunos. Entender que essa é a nova realidade é essencial para a permanência estudantil, vital para a manutenção dos avanços sociais já conquistadas e, principalmente, é um dever para alguém que decidiu viver para educar.

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

Fontes:

http://www.psicologiamsn.com/wp-content/uploads/2015/05/estudar-de-dia-e-trabalhar-a-noite.jpg

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/universitarios-brasileiros-assumem-perfil-independente-e-empreendedor-diz-estudo

http://www.custodevida.com.br/pr/ponta-grossa/

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