Curitiba recebe a turnê The End, anunciada como a última da banda Black Sabbath

Tariana Zacariotti (*)

Fotos: Gabriel Dietrich

Às 21 horas do dia 30, Ozzy Osbourne, vocalista da banda Black Sabbath, subiu ao palco da Pedreira Paulo Leminski, em Curitiba, perguntando como estavam seus fãs. O show iniciou com o famoso riff da música Black Sabbath, levando todos à loucura. Segundo Felipe Pazello, que trabalha no Parque das Pedreiras, como supervisor, o show teve 24 mil ingressos vendidos, e por a banda gostar muito de fazer show na local, ficou duas horas depois do término curtindo nos camarins. Ainda segundo depoimento de Pazello, “O sentimento de participar da organização de um evento de tamanha grandeza como a última turnê da banda que ajudou a criar o heavy metal é uma mescla de prazer, um pouco de orgulho com toques enormes de alegria e felicidade em viver pra ouvir uma das bandas mais lendárias que nossa geração participou e, além disso, fazer parte e tornar isso possível dá ainda mais gosto.”

black

O repertório foi referente aos quatro primeiros álbuns da banda, o que fez os fãs relembrarem os anos 70. O show foi curto, contendo apenas doze sucessos, muito bem escolhidos. A Pedreira recebeu um público predominantemente mais velho, e os privilegiados saíram do local com enorme satisfação, apesar da pequena duração do espetáculo.

Nessa turnê, o guitarrista Tony Iommi, o baixista Geezer Bluter e o vocalista Ozzy Osbourne, da formação original, se juntaram ao baterista Tommy Clufetos, da banda de Ozzy, que está com o Black Sabbath desde 2012, e substituiu Bill Ward. Três anos depois da ultima vez que estiveram no Brasil, essa turnê vem para surpreender os fãs, com uma agenda de shows que inclui mais três cidades além de Curitiba, começando por Porto alegre (28/11), seguindo para a própria capital do Paraná, (30), depois para o Rio de Janeiro (02/12) e São Paulo (04/12).

black1

A estudante de 28 anos Fabiola Costa, que comprou seu ingresso para o show no dia que iniciaram as vendas, disse que “Esses meses todos de espera e ansiedade, não tinham como me preparar pro show incrível que foi. Black Sabbath conseguiu superar todas as expectativas, e a energia de todos na Pedreira estava incrível.” Os ingressos para assistir a banda em Curitiba variaram seus preços de 190 a 650 reais.

Além de todas as famosas músicas escolhidas para a noite, o espetáculo contou com um solo surreal do baterista Tommy Clufetos, que surpreendeu a todos que estavam presentes, já que a maioria compareceu para ver os integrantes originais da banda. O talento do músico, que com 36 anos parece ter se apresentado com a mesma vitalidade de Bill Ward no auge da carreira, deixou todos boquiabertos com sua energia.

O vocalista Guilherme Marchesini, da banda Vinil Velho que faz covers do Black Sabbath em Curitiba, revela:  “Como mais um louco por rock and roll clássico e suas vertentes, espero que ‘o fim’ seja mais um blefe de gigantes que se divertem com o sucesso comercial de uma possível última turnê, como já fizeram os Rolling Stones, Scorpions e Aerosmith, Kiss, entre outras. A importância histórica do Sabbath, sobretudo o que os sucedeu, só agrava o fato de que perder uma possível última oportunidade de ver seus membros originais reunidos (mesmo sem Bill Ward) esteja completamente fora de cogitação.”

Para o cantor, o sentimento de poder presenciar o  show de uma banda que é referência há anos para seus trabalhos musicais é de realização total. “Como vocalista, ver o Ozzy, mesmo cantando uns tons abaixo dos originais, relembrando a época mais sublime da história do metal depois de tantos vocalistas tecnicamente superiores que assumiram seu posto no Sabbath, como Rob Halford, Ian Gillan e Ronnie James Dio, faz pensar que conceito, carisma e muito feeling, tornam a técnica, mesmo que importante, um detalhe. Isso diferencia um vocalista de um frontman. No caso do Ozzy, um completo showman que tenho a honra de ver pela segunda vez”.

Ainda segundo o vocalista Guilherme, “desde que desenterrou a tríade proibida pela igreja durante séculos no primeiro riff de seu primeiro álbum, Black Sabbath se tornou uma influência indispensável para qualquer banda posterior que ousasse mergulhar no mundo insano do rock and roll. Da minha, é a maior.” Ele revela também que “Black Sabbath é música de terror, nunca fugiu do conceito. Aliás, criou o conceito. Criou o heavy metal e deu vida a um oceano de mentes revoltadas com o marasmo comercial empurrado com a barriga pelas gravadoras. O mundo aclamava por distorção. A voz fantasmagórica do Ozzy, os riffs do Tony e as letras e linhas de baixo do Geezer mudaram a história da música e influenciaram tudo o que surgiu desde então – direta ou indiretamente. Sabbath é de longe a banda que eu mais executei em shows até hoje.”

black2

“O começo do fim” ainda promete deixar muitos fãs desesperados na presença de seus ídolos pela possível última vez na história do Black Sabbath. Após os shows no Brasil, serão mais oito até o show final em Birmingham no mês de fevereiro do ano que vem, quando encerrarão de vez suas atividades, ficando pra história do Heavy Metal no mundo inteiro.

 

Histórico

A banda Black Sabbath foi formada em 1968 na cidade de Birmingham, na Inglaterra, pelo  guitarrista e principal compositor Tony Iommi, o baixista e principal letrista Geezer Butler,  o baterista Bill Ward e o vocalista Ozzy Osbourne. Essa formação foi mantida até o ano de 1979, quando Ozzy foi substituído por  Ronnie James Dio. Houve inúmeras mudanças na banda nos anos 80 e 90, como dos vocalistas Glenn Hughes,   Ian Gillan, Ray Gillen e Tony Martin, e muitos bateristas e baixistas. A formação inicial voltou a se unir em 1997, quando gravaram o disco ao vivo Reunion. Em 2013  foi gravado o último álbum de estúdio do Sabbath, nomeado 13,  e feito pela formação original.

No começo, a banda era de blues rock, e começou a adotar letras com histórias de terror e ocultismo como tema principal. A partir dos anos 70, com álbuns como Black Sabbath (1970), Paranoid (1970) e Master of Reality (1971), o grupo começou a definir o gênero musical Heavy Metal, sendo hoje grande referência na história do mesmo. O reconhecimento da banda inglesa como uma das criadoras do heavy metal garantiu a ela enorme sucesso, sendo vista por muitas mídias influentes como inovadora.  A MTV reconheceu o grupo como “a maior banda de heavy metal de todos os tempos”, e a revista Rolling Stone colocou-os na posição 85 de sua lista dos “100 maiores artistas de todos os tempos”.

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s