Caixa Cultural de Curitiba abre exposição Êxodos, de Sebastião Salgado

Itana Sued(*)

Já está aberta à visitação a mostra Êxodos, do fotógrafo Sebastião Salgado. A exposição será exibida até 12 de fevereiro e ocupa as  Galerias Térreo e Mezanino do prédio da Caixa Cultural Curitiba; a entrada é franca.

A apresentação da exposição informa que para chegar ao resultado de “Êxodos”, o fotógrafo Sebastião Salgado – premiado internacionalmente e considerado um dos maiores talentos da fotografia mundial pelo teor social de seu trabalho – viajou durante seis anos, por 40 países. Sua proposta é mostrar a humanidade em trânsito, provocando uma reflexão sobre as questões políticas, sociais e econômicas de pessoas que foram obrigadas a deixar a sua terra natal.

“Êxodos” retrata pessoas que abandonam a terra natal contra a própria vontade, tornando-se migrantes, refugiadas ou exiladas, fugindo da pobreza, repressão ou guerras. Partem com os pertences que conseguem carregar, avançam como podem, a bordo de frágeis embarcações, espremidas em trens e caminhões, a pé; viajam sozinhas, com as famílias ou em grupos. Algumas sabem para onde estão indo, confiantes de que as espera uma vida melhor. Outras estão simplesmente em fuga, aliviadas por estarem vivas. Muitas não conseguem chegar a lugar nenhum.

exodos

Com curadoria de Lélia Wanick Salgado esposa de Salgado, o visitante poderá conferir os posters divididos em cinco temas centrais – África, Luta pela Terra, Refugiados e Migrados, Megacidades e Retratos de Crianças. São imagens impactantes que retratam a fuga de migrantes, refugiados e pessoas deslocadas em diferentes pontos do mundo:  tragédia sem paralelo da África; o êxodo rural, o conflito de terras e a urbanização caótica na América Latina; imagens das novas megalópoles asiáticas e, em cada uma dessas situações extremas, o registro dos que, mesmo em meio ao caos, mantém viva a chama da esperança  da dignidade humana, as crianças.

A coleção que contém sessenta imagens foi doada por Lélia e Salgado ao Instituto Terra, ONG ambiental que o casal fundou em 1998, em Aimorés/MG, e que atua na recuperação ambiental do Vale do Rio Doce, região de Mata Atlântica entre os Estados de Minas Gerais e do Espírito Santo. Todos os recursos obtidos com a exposição serão revertidos para ações desenvolvidas pela instituição, como reflorestamento de áreas degradadas, produção de mudas nativas, recuperação de nascentes, promoção da agricultura sustentável e educação ambiental, bem como apoio na sua manutenção.

exodos1Hall de entrada da Caixa Cultural – Foto: Itana Sued

A Elaine Hazin, representante da agência de comunicação que trouxe a exposição para Curitiba, disse que essa mostra ocorreu em outras duas cidades, Recife/PE e Salvador/BA e pretende levar a Êxodos para outras cidades do Brasil, tornando acessível a obra de Sebastião Salgado àquelas pessoas que não podem pagar. Elaine explicou ainda que após, as viagens e a documentação, o fotógrafo sentiu a necessidade de descansar e refletir sobre tudo o que vivenciou durante o tempo que passou fazendo esse trabalho, pois ele ficou muito triste com tudo que presenciou.

Está programada a exibição de O Sal da Terra, filme que conta um pouco da longa trajetória do fotógrafo Sebastião Salgado e apresenta seu ambicioso projeto “Gênesis”, expedição que tem como objetivo registrar, a partir de imagens, civilizações e regiões do planeta até então inexploradas. O filme é dirigido por Wim Wenders.

Antes da abertura da amostra, a equipe da AGcomunique conversou com o catarinense Bruno Barauna, que já conhecia o trabalho do fotógrafo e visitou outras exposições em Curitiba a exemplo de “Gênesis”, que retrata lugares remotos do planeta para mostrar que, apesar da ameaça sobre a vida na Terra, ainda existem regiões alheias à noção de progresso. Cenários de natureza intocada, como os mares gelados da Patagônia e sociedades que sobrevivem intactas em seus costumes ancestrais. A mostra aconteceu no MON – Museu Oscar Niemeyer, que ocorreu do dia 6 de novembro de 2014 ao dia 14 de junho de 2015.

Barauna diz que gosta das fotografias de Salgado pelo fato de serem em preto e branco, ao contrário de outras imagens de outros fotógrafos que são coloridas e se tornam muito mais fáceis de passar uma informação e identificar a mensagem que ela quer transmitir. Ele diz que Salgado sempre consegue retratar a realidade impactante e, embora não conheça nenhuma obra desta mostra, acredita que pelo profissionalismo do autor, ela conseguirá suprir suas expectativas.

Jul Leardini, outro visitante na abertura da exposição, informou que acompanha as obras de Sebastião Salgado há muitos anos e gosta do trabalho dele por trazer uma investigação do humano em todos os aspectos. Comenta que as obras trazem características de um povo e uma civilização completamente antagônico ao nosso. Leardini é diretor teatral e cinematográfico, faz muitos trabalhos documentais e ainda comenta que, para quem trabalha com cinema, o preto e branco tem um significado especial principalmente a partir, de um pensamento do francês André Bazin, teórico do cinema da década de 50 e co-fundador dos Cahiers du Cinéma, revista  francesa sobre crítica cinematográfica.

Bazin foi uma força motriz nos estudos e crítica de cinema após a Segunda Guerra Mundial, explica ele, acrescentando que o francês foi um grande filósofo do cinema e que pensava muito fotografia do cinema. Faz uma citação do filósofo : “o preto e branco é a verdade o colorido é a realidade”. Ainda comenta que quando o preto e branco elimina a cor, elimina a emoção de certo modo e tem um impacto realista. Vemos as coisas de uma maneira mais contundente, porque a cor nos envolve de uma maneira diferente e indo pelo segmento mais da estética.

Presente também na abertura da exposição, a argentina Pilar Veldozola, que mora no Brasil há dezessete anos e está de férias em Curitiba, disse que conheceu o fotógrafo em 2012 após fazer um curso de fotografia na cidade em que vive, Porto Seguro/BA, onde pesquisou sobre os maiores fotógrafos do mundo e do Brasil. Ela adorou a exposição, achou tudo muito lindo e superou todas suas expectativas, pela ordem, pela sequência como é apresentada a exposição, da saída do campo para a migração nas grandes cidades. Foi muito bem feita a cronologia diz.

exodos2Mural da exposição Êxodos na Caixa Cultural –  Foto Itana Sued

SERVIÇO

Exposição: Êxodos.

Período da exposição:  Até 12 de Fevereiro de 2017.

Visitação: De terça a sábado, das 10h às 20h e domingo, das 10 às 19h.

Ingressos: Entrada franca

Caixa Cultural Curitiba

Rua Conselheiro Laurindo, 280 – Centro – Curitiba 2118-5111

caixacultural.com.br

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s