O cotidiano da ocupação da UTFPR em Curitiba

Maíra Kaline (*)

No dia 18 de novembro, às 22:50, parte do movimento estudantil independente da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), decidiu ocupar a sede centro  do Câmpus Curitiba como forma de protesto contra a proposta de emenda constitucional PEC 55, a Medida Provisória 746 e contra a PL198. Nossa equipe acompanhou o dia a dia dos universitários e secundaristas na ação do movimento.

As fotos a seguir mantém o direito de imagem dos participantes e foram utilizados métodos para ocultar as identidades, na captação e no tratamento.

desocupa1No pátio do Restaurante Universitário da UTFPR, alunos se reúnem em assembleia para falar sobre a primeira noite na ocupação e relatar os acontecimentos de sábado, 19 de novembro, que foi um dia repleto de ataques aos manifestantes por parte dos alunos contrários à ocupação. No decorrer dos dias, houve muitos momentos em que era necessário os estudantes se reunirem em assembleia, para decisão horizontal de todas as pautas expostas.

desocupa2A quadra aberta de esportes foi local também usado para assembleias e decisões.

desocupa3A lista de afazeres ficava na porta da copa, e todos os responsáveis pelas comissões ou integrantes marcavam um X caso as atividades já tivessem sido executadas. Na lista de afazeres, em primeiro lugar as barricadas para segurança dos alunos e alunas. Ao lado esquerdo desta placa de atividades, tem outra, com o cronograma do dia e horário do que será realizado.

desocupa4Desde o primeiro dia, os estudantes estiveram resistindo contra ataques violentos de alunos e professores contrários à manifestação. Outros órgãos, como o Diretório Central dos Estudantes da UTFPR e o diretor de assuntos estudantis, tentaram negociação desde o primeiro dia para retirada dos manifestantes, mas os mesmos se mantiveram resistentes ocupando a universidade.

desocupa5Na foto, tirada no pátio do RU, muito carinho em um grande abraço entre os ocupantes. Uma maneira de enfrentar o ódio, preconceito, agressões verbais e físicas que vieram com os dias de ocupação da UTFPR.

desocupa6Os ocupantes preparavam os alimentos em coletividade, e depois se alimentam juntos. Tudo feito com muita higiene e compreensão, principalmente com o cuidado aos vegetarianos e veganos que tinham pratos respeitando suas restrições. Os alimentos produzidos na cozinha da ocupação eram doados pelos familiares, amigos, servidores e sociedade.

desocupa7Mais alimentos sendo preparados na cozinha da ocupação.

desocupa8Todos colaboravam com a limpeza das louças que sujavam, assim como dos espaços onde se alimentavam. O lixo era separado e a atenção para a economia de água era muito importante.

desocupa9A limpeza da universidade também era feita de forma coletiva, pequenos grupos se dividiam para limpar e lavar os pátios, corredores, salas, cozinha e banheiros.

desocupa10Tudo era em prol de um ambiente agradável para convivência, e também para manter o zelo e cuidado do patrimônio público.

desocupa11Os estudantes se organizavam para realizar oficinas, aulas e debates. Na foto acima, alunos e alunas pintam faixas em uma oficina de cartazes. Com dizeres “Contra PEC 55”, “Pret@ Vive!” e outras. A atividade de elaboração de cartazes com dizeres do manifesto ocorria pelo menos uma vez ao dia.

desocupa12Cartazes foram espalhados na universidade alertando sobre vícios de linguagem.

desocupa13Mais faixas informando sobre os vícios de linguagem, desta vez os racistas, que deveriam ser evitados dentro da ocupação. Estes cartazes representavam um aprendizado para a vida.

desocupa14Mais faixas, e em diferentes proporções, eram espalhadas pela UTFPR. O movimento era político e todos que entravam na universidade precisavam ver.

desocupaOs objetivos da manifestação, contra a PEC que coloca a universidade pública em risco, estavam presentes cotidianamente.

desocupa15O contato com a grande mídia era realizado através de entrevistas via telefone e também com coletiva de imprensa. Uma pessoa era escolhida entre todos do movimento, e repassava as mensagens que eram decididas em grupo.

Os estudantes permaneceram ocupando a UTFPR até o dia 25 de novembro de 2016. Só saíram com a retirada da Polícia Federal (PF), que chegou às 4h da manhã e não trouxe ambulância para atendimento de alunos. Uma aluna saiu da ocupação seriamente ferida pois, segundo relatos, no momento da entrada da Polícia Federal, ela se assustou e caiu de uma altura considerável. Acabou fraturando duas costelas por causa da queda, e somente conseguiu ir para um atendimento médico horas após evacuação total do prédio.

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR e bolsista PIBIC CNPq Grupo de Estudos de Trabalho, Educação e Tecnologia PPGTE/UTFPR

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