A indústria cinematográfica e o desapreço pela inteligência brasileira

TEXTO DE OPINIÃO

Beatriz Galindo (*)

Snatch: Porcos e Diamantes; Alien – O oitavo passageiro; Apollo 13- Do desastre ao Triunfo; Forrest Gump – O Contador de Histórias; Kick-Ass – Quebrando Tudo; Superbad – É hoje; ET – O Extraterrestre; Pulp Fiction: tempo de violência; Batman – O cavaleiro das trevas; Blade Runner – O caçador de androides; Ponto Final – Match Point; Rocky – um Lutador; Trainspotting – Sem Limites; Saneamento Básico – O Filme.

Qual é a necessidade brasileira por subtítulos? Talvez o motivo seja uma ânsia por entregar o enredo logo no título. Talvez seja para evitar decepções, ou um cenário do tipo:  “Putz, fui assistir Pulp Fiction mas o filme é muito violento. Se eu soubesse disso antes nem teria comprado o ingresso.” Talvez seja, pura e simplesmente, uma subestimação da inteligência do público – o que é, na minha humilde opinião, o motivo mais provável.

Será que um filme chamado apenas “Rocky” não atrairia público suficiente para os cinemas brasileiros? Será que o filme Babe realmente precisaria do “O porquinho atrapalhado” pra fazer as famílias se mobilizarem em peso para ir ao cinema?

O Guia (possível) de filmes, Cinemarden, de Marden Machado, trata desse assunto em alguns momentos. De forma delicada, o autor aponta diferenças entre os títulos “infelizes” dados a filmes estrangeiros pelos tradutores, falando não só dos subtítulos (o ponto que mais me incomoda).

filme

Os filmes Tubarão (Jaws, no original) e Forrest Gump – O Contador de Histórias, talvez sejam os melhores exemplos da necessidade de “comercializar” um filme – ou, melhor dizendo, de subestimar a capacidade do público de associar o título ao filme que será assistido. Tubarão poderia muito bem ser chamado de Mandíbulas e ter o mesmo efeito como título de um filme de suspense. Forrest Gump que já é conhecido pelo público sem o subtítulo colocado pelos tradutores – subtítulo esse que entrega o filme logo de cara – não poderia ter sido então, chamado apenas de Forrest Gump?

Se a grande razão dos subtítulos estarem lá é a comercialização dos filmes, devemos pensar porque ela não viria a acontecer se os subtítulos não existissem. Ou talvez, se a grande dificuldade da comercialização dos filmes é uma grande subestimação da capacidade do público, por parte das distribuidoras e se existem maneiras de reverter isso. Já que, aqueles que são apaixonados por cinema não podem ser menosprezados pela exposição aos terríveis subtítulos da indústria cinematográfica comercial brasileira.

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

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