Violência contra mulher, até quando?

TEXTO DE OPINIÃO

Daisy Machado(*)

A caminho da universidade, às sete horas manhã, sentada em um banco dentro de um transporte coletivo. Atrás de mim, duas mulheres estavam conversando e, confesso, não pude deixar de escutar os elas diziam. Uma delas, percebi, estava chorando e reclamando dos maus tratos cometidos pelo seu marido na noite anterior. Dizia, ainda, que não sabia mais o que fazer, pois tinha muito medo de seu parceiro e do que seria da sua vida se caso separasse dele.

Foi a partir daí que comecei a indagar: por que acontece tanta violência contra a Mulher? Mesmo com tantas iniciativas de conscientização da importância de denúncias da violência doméstica?

Podemos perceber que ocorreram profundas transformações do papel da mulher na sociedade, porém, em dimensões distintas. Se em décadas passadas as mulheres não tinham voz, eram humilhadas e até queimadas, hoje no cenário da sociedade brasileira existe uma crescente preocupação no âmbito da violência contra a mulher.

A vítimas de violência são vulneráveis em vários aspectos, físicos, psicológicos e, evidentemente, podemos destacar a sua vulnerabilidade emocional que é deliberadamente afetada. Essas mulheres camuflam os maus tratos cometidos pelos seus parceiros em razão da sua situação financeira e muitas das vezes temem pela estabilidade e segurança de seus filhos.

Algumas até dão início aos processos que envolvem as Lei Maria da Penha, porém por medo, ameaças e sem o apoio familiar, acabam desistindo e, assim, infelizmente, contribuindo sem saber para a prática do feminicídio.

A emergência que a sociedade tem com a informação e as narrativas referentes à mulher no mundo contemporâneo são crescentes. No entanto, esta é uma pauta que não deve ser restrita aos movimentos feministas que lutam incansavelmente pela igualdade de gênero – que é, inclusive, de suma importância para o intelecto a sociedade.

Estamos enfrentando uma problemática que vai além disso, estamos nos referindo à dignidade humana, aos direitos morais da mulher frente à violência que se torna crescente e isso precisa ser discutido pelo conjunto da sociedade.

Zygmunt Bauman já dizia que “nenhuma sociedade que esquece a arte de questionarpode esperar encontrar respostas para os problemas que a aflige.”

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s