O consumismo exacerbado da Black Friday

 

TEXTO DE OPINIÃO

Julia Folmann (*)

A Black Friday é a sexta-feira de promoções e preços baixos que vem logo após o dia de Ação de Graças, comemorado na quarta quinta-feira do mês de novembro, nos Estados Unidos. Basicamente, nesta data, a pessoa tem por obrigação ser grata por tudo o que possui e, ironicamente, no dia seguinte sai para comprar mais um monte de coisas que ela realmente não precisa – essa é a tal da Black Friday.

Só que não é simplesmente “comprar”. Isso todos fazemos. É natural. Todos compramos – até porque a data já foi importada para outros países, como o Brasil. A questão é que ela é uma materialização de todos os problemas que o consumismo exacerbado pode causar – físicos, psicológicos e econômicos.

Primeiro, para aproveitar os preços baixos, muita gente acampa em frente às lojas. E, quando as portas se abrem, rola uma debandada violenta (no sentido literal da palavra) para dentro do comércio, e todo mundo sai pegando o que pode. Violenta mesmo, tanto que já teve gente que morreu pisoteado pelos outros consumidores que invadiam a loja descontroladamente.
Especificamente sete pessoas já morreram; a última delas em 2013. E outros 98 já se feriram de alguma forma. Isso é o que mostra o site BlackFridayDeathCount.com, que contabiliza as mortes na Black Friday desde 2006.

black-friday
Imagem: reprodução

Precisamos de coisas para viver, sim. Você precisa de uma mesa, de um sofá, de uma televisão, de geladeira, de roupas, sapatos e muitas outras coisas. Todos precisamos. Com isso, não quero dizer que vamos morrer se não tivermos um sapato. Mas para existirmos, funcionalmente, precisamos de sapatos. Mais de um par, inclusive. Precisamos, por exemplo, de calçados para nos exercitar, para trabalhar, para sair, para ir a uma festa ou evento social, para diversas funções diferentes. Então são vários sapatos.
Mas sempre há um limite, afinal, você não é uma centopeia. E, infelizmente algumas pessoas, sorvidas por essa necessidade desenfreada de consumo, são impelidas a comprar. E depois comprar mais, e mais, e mais… Elas assumem um papel de acumuladoras de itens que são, muitas vezes, desnecessários.

Você não precisa de 65 cuecas ou 72 camisas. É possível viver muito bem sem as 72 camisas. Inclusive é possível viver muito bem com menos da metade disso. Enquanto, por outro lado, tem gente que não tem dinheiro para comprar algumas poucas coisas. A exemplo do trabalhador simplório que acorda bem cedo, demora umas 2h de transporte público para chegar ao trabalho, ralar o dia todo por uns trocados e passar o mesmo perrengue para voltar pra casa. Eles são a maioria do Brasil.

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR.

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