Os dois lados da ocupação agitam a UTFPR

Rodolfo Egito (*)

A ocupação da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) já dura quase uma semana e é clara a divisão dos dois lados que movimentam toda a discussão em torno do acontecido: ocupa x desocupa. Durante esse tempo de ocupação, ambos os lados vêm se manifestando e buscando fortalecer o movimento que defendem, cada um à sua maneira. Procurando mostrar um pouco da vivência dos dois lados, essa matéria buscou a opinião e visão do “ocupa” e do “desocupa” e traz um pouco do que se conseguiu nesta quinta-feira (24/11).

A OCUPAÇÃO – https://www.facebook.com/ocupautf/

Movidos em “repúdio à PEC 55, rejeição â 746 e descontentamento com a PL 193”, como citado no manifesto publicado na página OCUPA UTFPR – CWB (link do manifesto http://migre.me/vzOqE), os apoiadores da causa e ocupantes da UTFPR-CT vivem em constante vigilância em frente ao portão de entrada do câmpus na Avenida Silva Jardim (apoiadores) e dentro do próprio câmpus (ocupantes).

ocupautf5Portão da Silva Jardim. Foto: Rodolfo Egito

Em vigília pelos ocupantes, professores, alunos, servidores e apoiadores da causa postam-se em frente dos portões da Avenida Silva Jardim, fazendo uma barreira viva para proteger uma das entradas do câmpus ocupado, local que já foi alvo de diversos atos violentos realizados por grupos contrários à ocupação.

Adentrando os portões., ocupantes demonstram constante receio em relação a novos atentados que possam ser realizados, como os já registrados no decorrer da semana.

Do lado de dentro da ocupação, é notável a organização. Ao entrar no câmpus, é necessário fazer um registro constando seu nome e papel na instituição (estudante, servidor, professor) ou no movimento (apoiadores externos). Pelo câmpus todo estão espalhados cartazes com dizeres positivos e com mensagens de apoio aos participantes, pedidos de força e paz e amparo à causa LGBT. Próximo ao refeitório, cartazes com o cronograma de atividades diversas envolvendo oficinas, alimentação, limpeza e organização.

ocupautf4                Lista de atividades.  Foto: Rodolfo Egito

Os ocupantes tiveram, em alguns dias  da semana, a presença de psicólogos dentro do câmpus e também de profissionais da área de enfermaria após um episódio de violência contra os mesmos.

ocupautf3    Aviso da presença do psicólogo. Foto: Rodolfo Egito

Para informações atualizadas sobre o movimento, postagens antigas e lives esporádicas, acesse a página do facebook do movimento OCUPA UTFPR – CWB no link https://www.facebook.com/ocupautf/.

 

DESOCUPA UTFPR – https://www.facebook.com/desocupautf

Do outro lado do câmpus, mais especificamente na entrada da esquina da Avenida Sete de Setembro com a rua Desembargador Westphalen,  alunos, professores, servidores e demais envolvidos  que são contra o movimento de ocupação se manifestam com aglomeração similar aos apoiadores na Silva Jardim. Nos muros da universidade, são posicionados cartazes com mensagens pedindo para que haja a desocupação do câmpus, com assinatura dos manifestantes.

Nesta quinta (24), a manifestação que teve início às 10h da manhã  pedia para que os motoristas que apoiassem a desocupação buzinassem em sinal de solidariedade ao movimento. Nos cartazes, os manifestantes posicionaram flores, simbolizando, segundo os mesmos, “paz nas discussões no campo das ideias”.

ocupautf2

Responsável pelas primeiras movimentações pacíficas de protesto a ocupação da UTFPR, o professor Roberto Candido, doutor do Departamento Acadêmico de Eletrotécnica (DAELT) disse em entrevista que o movimento é totalmente contra a violência e que as ações violentas que ocorreram por grupos contrários à ocupação não tiveram relação com as manifestações no local citado. “Nos deslocamos exatamente para a portaria oposta onde está sendo ocupado pelo outro movimento, justamente porque nós queremos deixar claro que somos contra a violência”.

ocupa-utf1Partidários da desocupação. Foto: Rodolfo Egito

O professor falou que as manifestações que estão ocorrendo na Sete de Setembro são “sem partido, sem vinculação a qualquer grupo”. Ao ser indagado se a manifestação seguia algum tipo de cronograma reforça que “não somos um grupo organizado (…) somos simplesmente professores e alunos que querem dar aula e receber aula”.

Na parte da tarde, após a retirada dos cartazes, o professor fez um discurso pedindo para que, caso algum grupo que destoasse dos ideais da manifestação se postasse após a saída dele, que os manifestantes que ficassem no local não participassem de qualquer atitude dos mesmos. Mais uma vez pedindo para que nenhum dos integrantes da manifestação participassem de qualquer ato violento, o professor e demais representantes do movimento se retiraram por volta das 16:40 horas.

Logo após a saída do grupo, integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) se posicionaram em frente ao local de manifestação, usando camisetas do movimento e portando buzinas de ar.

Para informações atualizadas sobre o movimento e postagens antigas, acesse a página do facebook do movimento Desocupa UTFPR no link https://www.facebook.com/desocupautf.

VIOLÊNCIA NO CAIR DA NOITE

Por volta da 19h,  cerca de 30 integrantes de um grupo posicionado contra a ocupação da UTFPR começaram a trocar palavras de ordem com os manifestantes pro ocupação que estavam localizados no portão da Avenida Silva Jardim.  Os favoráveis à desocupação ocuparam o canteiro central da avenida.  Em pouco tempo, as palavras de ordem se tornaram insultos e finalmente se deflagrou violência física entre participantes dos dois grupos. A troca de socos, que durou poucos minutos e parou o trânsito no local,  foi assistida, sem qualquer tipo de intervenção, por um grande grupo de policiais militares presentes nas proximidades.

Professores e outras pessoas que estavam em frente ao portão foram empurrados e levarão pisões durante a ação. A situação, que durou poucos minutos, teve seu fim num desfecho inusitado. Depois de solicitada ajuda ao mesmo, um professor postado no bloco V, com um copo de cerveja na mão, convidou os manifestantes contrários à ocupação para tomar um chopp no bar. Grande parte deles aceitou o convite e assim se deu o fim a troca de socos.

Após a retirada da maioria dos manifestantes, a troca de palavras de ordem continuou por um breve momento e, aos poucos, os presentes contrários foram se dispersando.

Essa matéria foi escrita com o objetivo de ser imparcial, expor a verdade e não tomar a bandeira qualquer tipo de movimento ou grupo.

 

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

 

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