O dilema do prisioneiro e a Lava-Jato

TEXTO OPINATIVO

Leonardo Sousa (*)

Desde outubro de 2013, quando a lei de colaboração premiada entrou em vigor no Brasil, vemos casos de delações que possibilitam a cooperação dos investigados junto à Justiça. A inexistência de provas contundentes sobre determinados casos e a ineficácia na investigação, provam que os usos desses meios ajudam na solução de diversos casos.

Apesar de novidade aqui no Brasil, nos Estados Unidos, por exemplo, a delação premiada existe desde a década de 1960, em decorrência dos casos da máfia italiana. Os presos não colaboravam com a polícia e a justiça, e não davam informações sobre seus companheiros porque receavam que os bandidos que continuavam soltos, e que integravam a máfia, pudessem se vingar em algum momento. Nesse ínterim, nasceu a ideia de oferecer um prêmio a quem delatasse os companheiros de crime. Em troca da delação, a justiça norte-americana oferecia ao réu, redução de pena quando condenado, e garantia que ele seria levado para uma cadeia de regime diferenciado e que seu patrimônio não fosse tomado pelo Estado.

Estudiosos da área econômica da década de 50, pesquisavam no campo de estudos chamado “Teoria de jogos”, que busca estudar matemática aplicada em situações estratégicas onde jogadores escolhem diferentes ações na tentativa de melhorar seu retorno quanto a uma determinada situação. Dentro deste campo, há uma teoria desenvolvida por Melvin Dresher e Merril Flood, chamada “Dilema do Prisioneiro”.

O dilema abarca dois criminosos capturados, presos separadamente, durante o interrogatório. São oferecidas a eles duas opções: se ambos testemunharem um contra o outro, eles serão condenados a uma pena mediana na cadeia que será difícil, mas que pode ser suportável. Se nenhum testemunhar contra o outro, ambos receberão uma pena curta, que eles cumprirão com certa facilidade. No entanto, se um testemunhar e o outro não, o primeiro será libertado, e o homem que ficou em silêncio receberá uma pena longa que pode arruinar toda a sua vida.

dilema                                 Dilema do Prisioneiro Fonte: Andrea Faggion

Em suma, envolve trair ou não trair. Se ele trair o parceiro, será libertado ou acabará com uma pena mediana. Se ele confia que o parceiro não o traíra, poderá ter uma pena curta ou passará um grande tempo na cadeia. Dresher e Flood concluíram em seus estudos que as pessoas tendem a escolher uma estratégia que aumente seu benefício, ou seja, preferem trair, tentando se salvar, em detrimento do outro.

É certo que o Brasil está inundado de corrupção, e esse meio de combater os crimes, pelo menos até agora, se mostrou eficaz passados três anos da aprovação da lei. Ainda mais agora com a prisão do ex-deputado federal, Eduardo Cunha, que aparentemente irá usar a delação para ter menos tempo de prisão e que, possivelmente, ira abalar as estruturas do atual governo, pois com certeza ele deve saber de muita coisa de boa parte dos políticos. Resta-nos esperar os próximos capítulos de toda essa história de corrupção, aliás, já bem conhecida da população.

Referência

WEEKS, Marks. Economia: as grandes ideias. Editora Globo, 2013.

(*) Estudante de Comunicação Organizacional na UTFPR

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