Felicidade artificial

TEXTO DE OPINIÃO

Gabriel Abreu (*)

Acordei, visitei minhas redes sociais. Vi quantos likes ganhei em uma postagem, quantas notificações recebi enquanto dormia. Tomei café da manhã respondendo todas as pessoas no meu chat, me senti importante ao receber um “bom dia” de um amigo antigo que não via há muito tempo. Há menos de um ano, cedi às redes sociais. Era parte de pressão social e medo de não ser reconhecido. Fui levando as curtidas a sério, cada “amei” era um toque no meu coração, cada seguidor novo era um amigo. Me perguntava quantos likes precisava pra ser alguém.

Na bolha de conforto das redes sociais, todos são felizes. Expondo nossos amigos eternos, viagens fantásticas, refeições deliciosas, sorrisos nas baladas, tudo isso em milhares de filtros. Nos tornamos dependentes de likes, e estes tornaram decisivos para definir o quão feliz é uma pessoa. Suprimos nossas carências em círculos sociais e buscamos a aprovação de nossos novos amigos.

Black Mirror, uma série recentemente comprada pela Netflix, lançou sua terceira temporada, cada episódio com histórias distintas. Em seu primeiro episódio dessa nova temporada, nos deparamos com uma distopia com crítica aplicável à nossa realidade. Nesse mundo todos são avaliados, e todos mostram uma felicidade tão falsa como seus sorrisos. Personagens passam horas do seu tempo fingindo ser quem não são para mostrar a todos, ganhando notas e subindo de status social. A crítica não é centrada na tecnologia e em como ela influenciou nossas vidas, e sim no seu uso, nas relações humanas e no seu pior sentido. Em como fomos influenciados a nos comparar com as pessoas do nosso ciclo social, em como a nossa vida real é frustrante.

É estranho pensar em como tudo isso nos afeta, em como cada um desses likes nos traz uma falsa ideia de reconhecimento. Como queremos ter uma imagem legal perante os outros. Apesar disso, escrevo esse texto com a aba do facebook aberta dando likes nas postagens, vendo as fotos do instagram e respondendo os meus novos e legais amigos no chat. Quantos likes são necessários para ser feliz? Quanto vale o seu reconhecimento?

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

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