Colégio Estadual Dr. Xavier da Silva foi desocupado nesta sexta

Ligia Henemann e Paulo Mance (*)

Por volta das 10h da manhã desta sexta-feira (04), estudantes secundaristas que ocupavam o colégio estadual Dr. Xavier da Silva – localizado na Av. Silva Jardim, 613 – receberam a visita de representantes do Núcleo da Educação de Curitiba, do Conselho Tutelar e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para que ocorresse a desocupação e reintegração de posse, conforme determinação da justiça. A ação contou com a  presença cerca de 32 homens  da Polícia Militar do Paraná, que fizeram um cordão de isolamento na frente do prédio. O colégio estava ocupado há duas semanas e contava regularmente com até 30 estudantes, porém no momento da desocupação estavam presentes entre nove e quinze alunos, de acordo com os estudantes.
desocupa-xavierPoliciais aguardam a desocupação do Colégio Dr. Xavier da Silva. Foto: Ligia Henemann

Os secundaristas, acompanhados da diretora do colégio e de representantes da OAB saíram pacificamente com seus pertences pessoais ao som de aplausos vindos de estudantes da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e de outras pessoas apoiadoras do movimento Ocupa Paraná. Entretanto, foram duramente criticados por algumas pessoas ali presentes como, por exemplo, uma das funcionárias do Núcleo de Educação, que portava um crachá de identificação com o nome de Noeli e gritava repetidamente que “escola é para quem quer estudar”.

Ao serem abordados, os representantes do Núcleo não quiseram prestar declarações, pois afirmaram que somente a Secretaria de Educação do Paraná teria autonomia para se pronunciar a respeito das desocupações. Representantes do Conselho Tutelar, que tinham acabado de chegar ao colégio, também optaram por não conceder entrevista por não possuírem autorização.

desocupa-xavier2Regras da ocupação estabelecidas pelos próprios estudantes do colégio. Foto: Paulo Mance

Enquanto os alunos moviam seus pertences de dentro do colégio para uma parte externa, próxima ao portão principal, uma professora – a qual preferiu não ser identificada por medo de sofrer represálias – visivelmente abalada chorava ao fotografar as cenas da desocupação e acenava para os secundaristas. Em entrevista, ela declarou que os alunos aprenderam muito mais nesses 15 últimos dias de ocupação do que aprenderiam se estivessem em aula, pois houve muitas oficinas dentro do colégio. Ela ainda relata que os alunos tomaram a decisão de continuar a ocupação até que a ordem de reintegração fosse emitida.

Outro episódio interessante e relembrado foi uma das críticas que os secundaristas do Dr. Xavier da Silva receberam de um homem acompanhado de sua mulher que passava pela calçada em frente ao colégio. Segundo a professora, o homem, dono de uma empresa, afirmou que não contrataria nenhum dos alunos ali presentes para trabalhar com ele e recebeu como resposta, de uma das estudantes, que eles estavam ali justamente por não quererem trabalhar para os outros e sim para terem suas próprias empresas.

A professora ressaltou os alunos têm como lema da ocupação o diálogo sem violência, mas que no presente momento a minoria havia vencido a maioria, fazendo clara referência a quantidade de policiais presentes no local e ainda realizando uma comparação com a época de ditadura no país, onde o diálogo era unilateral.

Ela explicou que o fato de estar chorando não era por sentir medo da quantidade de policiais, mas sim por indignação a maneira como estudantes, em pelo século XXI, ainda são tratados. Para ela, muitos avanços tecnológicos aconteceram para facilitar a vida como, por exemplo, a espessura de televisores diminuir ou o fato de ser possível enxergar a pessoa com quem estamos falando na tela de nossos celulares. Tais avanços foram esperados por muitos, entretanto, chegar ao ponto de estudantes ocuparem o colégio para conseguir dialogar com o Estado foi algo que ela não esperava, além de considerar um retrocesso para a democracia.

Um dos estudantes secundaristas que encontrava-se ainda do lado de dentro do colégio, aceitou dar seu depoimento, através do portão, contanto que seu nome e identidade fossem preservados. Ele disse que os alunos já estavam esperando pela reintegração e que assim que o documento foi entregue começaram a retirar seus pertences, além de explicar que a quantidade de policiais presentes no local era para proteção contra possíveis ataques como, por exemplo, o episódio que aconteceu algumas semanas atrás envolvendo os membros do Movimento Brasil Livre (MBL).

Os secundaristas poderiam permanecer no colégio caso quisessem, porém teriam que arcar cada um com a quantia de R$ 10 mil reais de multa já que a polícia possuía o nome completo de todos que encontravam-se dentro do colégio no momento da desocupação. Outra aluna declarou que a desocupação ocorreu apenas porque a reintegração foi entregue ao colégio e que a vontade dos secundaristas era de permanecer no local, pois o movimento não perderá sua força.

 

O ENEM E SEU IMPACTO NA DESOCUPAÇÃO

O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) que acontecerá este final de semana (05 e 06) está de certa forma impactando para que as desocupações ocorram rapidamente, conforme acordo entre governo e estudantes, pois muitos locais de prova encontram-se ocupados por estudantes secundaristas. Para os alunos do colégio Dr. Xavier da Silva a desocupação de hoje não se limita apenas ao fato da prova ser aplicada durante o final de semana, mas também a outros fatores de interesse do governo.

Outro ponto levantado pela professora foi o fato do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) ter conseguido, de forma muito rápida, realocar os eleitores, que são muitos, e ainda conseguir enviar para a casa de cada um deles cartas explicando a mudança no local de votação. O TRE também cedeu linhas de ônibus para efetuar o trajeto entre escolas e disponibilizou pessoas para ficarem em frente aos colégios ocupados informando a mudança de local para a população, “o Ministério da Educação (MEC) não conseguir realizar o mesmo feito”, lamentou a professora.

(*) Estudantes de Comunicação Organizacional da UTFPR

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